domingo, 28 de dezembro de 2008

O exemplo de uma capa verdadeiramente bombástica! (arquivo)

Esta edição do Cruzeiro do Sul é referente à semana de 22 a 29 de Dezembro do ano de 2007. Decidimos trazê-la para o nosso blogue porque, na nossa avaliação, nunca nos tinhamos deparado com uma concentração de manchetes tão fortes e tão significativas na capa de uma só edição dos nossos semanários. É o que na gíria jornalística se designa por bombas. 1- Manuel dos Santos Lima EU SOU UM MPLA FRUSTRADO 2- O povo que se cuide Agora é só a matar 3- Jacinto Tchipa Os músicos angolanos são todos analfabetos 4- Micaela Reis, a 2ª mulher mais bela do mundo "Disseram-me que não ganharia por ser mulata"

O último VIP a ser preso em 2008

Carlos Leitão que já foi Presidente do Padepa, o partido da oposição que mais se destacou pela sua coragem física, termina o ano 2008 atrás das grades, acusado de um crime muito estranho. O de ter falsificado os estatutos de um partido que vai ser extinto dentro dos próximos dias, numa altura em que o seu anterior líder, Luís Cardoso, já abandonou o leme da agremiação, na sequência do desastre eleitoral.
O Padepa, à semelhança do que vai acontecer com um vintena de consortes, vai ser extinto porque não conseguiu obter o mínimo dos votos necessários para se manter à superficie.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O caos prepara-se para ceder lugar ao terror (actualizado aos 25/12)

Sempre disse (e escrevi) que Luanda é daquelas cidades onde se aplica melhor o principio de Murphy, segundo o qual nada está tão mau que não possa piorar ainda mais. Cedendo completamente à pressão dos empreiteiros, o GPL tem-se especializado em retirar da circulação um conjunto de artérias da capital angolana para "facilitar" a vida dos homens do betão, armados em donos da cidade com o seu camartelo que vai arrasando tudo quanto é memória e história desta Luanda. É a construir na vertical espaços para vender ou alugar que se faz o grande negócio que está a dar milhões nesta altura. É o imobiliário que, de facto, está na primeira linha das prioridades do investimento privado a pressionar todos os espaços livres desta cidade, a tal ponto que, um grupo de cidadãos, que ainda se econtra na "clandestinidade", tem nos seus planos lançar nos primeiros dias do próximo ano um movimento de defesa do espaço público contra a incontrolável ofensiva do imobiliário e em nome da preservação da necessária qualidade de vida que um cidade deve ter. Trata-se de um desiderato que só é possível concretizar se o for observado o equilibrio entre o betão e o espaço aberto e verde. Não é o que está a acontecer nesta altura. A confirmar-se a retirada da circulação do Largo do Kinaxixe, tendo em conta a sua importância altamente estratégica na manobra viária da engarrafada cidade, Luanda vai conhecer numa nova fase do seu atormentado quotidiano, que poderá durar alguns anos. O caos dos dias que passam, vai, certamente, "evoluir" para um filme de terror dos dias que se aproximam. Apertem os cintos de segurança e acatem em silêncio a próxima directriz do Doutor Arquitecto, por que se protestarem ainda podem ser conotados com alguma manobra rodoviária da oposição. O Doutor Arquitecto disse ao Novo Jornal que com a construção das novas torres que derrubaram o antigo mercado municipal, a única sobrevivente do Largo do Kinanxixe, tal como ele existe actualmente, será apenas a Rainha Ginga, que, note-se, já tinha apanhado boleia do pedestal da Maria da Fonte e dos seus "muchachos" da Grande Guerra. Saravá!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Crise financeira: Balzac é que estava cheio de razão

Finalmente, em Portugal, os banqueiros vão se sentar no local que mais se aproxima, em termos de designação, da sua própria profissão (ou ocupação?).
Finalmente, em Portugal, os banqueiros vão se sentar no banco dos réus.
Era bom que os juízes nem permitissem que eles se sentassem.
Era bom que passassem todo o tempo do julgamento de pé, para perceberem quanto é doloroso para os depositantes verem as suas poupanças de dezenas de anos seriamente ameaçadas, por culpa da sua ganância, das suas vigarices e das suas patifarias.
A actual crise veio confirmar a péssima fama que ao longo dos tempos os banqueiros, herdeiros dos agiotas, sempre tiveram.
Definitivamente os banqueiros não são pessoas sérias e muito menos honradas.
Nunca, como nos tempos que correm, Honoré de Balzac teve tanta razão, quando há mais de 300 anos escreveu que "por detrás de todas as grandes fortunas esconde-se sempre um crime".

Quem faz do mundo gato-sapato...

George Bush sem nunca ter ouvido falar de nós, acabou por seguir o nosso conselho aqui formulado muito recentemente quando lhe sugerimos que deveria começar em Bagdad o seu périplo do perdão. Nada melhor do que recordar a mensagem que lhe enviamos a partir destas colunas já lá vão duas semanas. Sugerimos a Barack Obama que convidasse George Bush (GB) a ocupar uma nova pasta a criar (outra sugestão da nossa lavra) e que seria o Departamento do Perdão.À frente deste novo pelouro, o trabalho de GB seria andar, durante os próximos quatro anos, por todas as capitais do mundo (sem nunca regressar a Washington) a pedir perdão e desculpas por todas as maldades internacionais que os Estados Unidos cometeram durante a sua administração e do seu pai, mas não só.Nesta peregrina função, a primeira capital que George Bush deveria visitar seria Bagdad, no Iraque.Ele sabe muito bem onde é que fica. Até sabia onde é que o enforcado do Saddam Hussein tinha escondido as tais armas de destruição massiva, que nunca foram encontradas, mas que serviram de pretexto para justificar uma das mais vergonhosas e destruidoras invasões que já fomos testemunhas nos dois séculos em que temos estado a viver. De algum modo GB antecipou-se e decidiu pedir desculpas aos iraquianos ainda como Presidente dos EUA. O resultado já todos conhecem. Uma nova fase da contestação política teve início com o incidente dos sapatos protagonizado por um jornalista iraquiano que decidiu não mais respeitar o princípio do distanciamento tão caro ao nosso métier. Os seus dois sapatos voaram em direcção ao texano que mostrou ter os seus reflexos fisicos em dia. A partir de agora vai ser à sapatada que a opinião pública e publicada deverá reagir contra todos aqueles que acham que podem fazer deste mundo gato- sapato. Sem sermos adeptos do novo “género jornalístico”, achamos que Bush mereceu por inteiro o “mimo” vindo de alguém que só pode ter chegado aquele extremo por uma razão. Ninguém gosta de ver a sua casa partida. Ninguém gosta de ver a sua casa feita em cacos. Foi o que GB fez no Iraque.

Angola, o MPLA e a Declaração Universal dos Direitos Humanos

Como resultado da nossa avaliação (pessoal) em relação aos 30 artigos que integram a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), Angola obteve dos 300 pontos possíveis apenas 108, tendo como referência a tabela que vai de 0 (mínimo) a 10 (máximo) pontos. Artigo por artigo, em função, obviamente, da nossa percepção da realidade angolana fomos atribuindo uma determinada pontuação a cada um dos direitos que integram a Declaração a traduzir o seu grau de realização prática entre nós. Este exercício permitiu-nos no Angolense, antes de mais, fazer na integra a divulgação da referida declaração (que se encontra disponível neste blogue) que assinalou no passado dia 10 de Dezembro o 60º aniversário da sua aprovação pela Assembleia-Geral das Nações Unidas em 1948. Como se sabe o MPLA também assinala no mesmo dia, a data da sua fundação em 1956, coincidência que é explicada por alguns investigadores como tendo sido o dia que Viriato da Cruz e seus companheiros aproveitaram para divulgar apenas uma declaração a favor do direito dos angolanos a auto-determinação e independência. Segundo consta, a coincidência foi propositada, tendo em conta toda a simbologia política que representava (e continua a representar) a data do 10 de Dezembro como sendo a jornada internacional consagrada à defesa e luta pelos direitos humanos. Nenhuma outra data, seria, na avaliação de Viriato da Cruz e dos seus camaradas, mais apropriada para uma tal acção reivindicativa, numa altura em que a vontade dos angolanos já era inequivoca em relação ao seu futuro como povo independente. Seja como for e para além da polémica que envolve a data da fundação do MPLA, é da maior importância histórica e política que o maior partido angolano tenha o seu nome ligado a uma data que, antes de mais, representa os direitos mais universais que a humanidade se propôs defender. Lamentavelmente a história do MPLA quer na gestão dos seus conflitos internos, quer como movimento de libertação e depois como partido no poder, não tem sido muito famosa em matéria de respeito e promoção dos direitos humanos. Os primeiros anos da independência, com a carnificina do 27 de Maio pelo meio, foram mesmo uma verdadeira catástrofe nesta matéria, que o MPLA ainda não conseguiu recuperar em termos de imagem. [PS-A todos quantos com a nossa "ajuda" conseguiram ler no seu 60º aniversário, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os nossos parabéns pois fizeram o mais difícil visto que a famosa Declaração (em termos de conteúdo) é desconhecida da maior parte das pessoas, mesmo daquelas que passam a vida a falar dela, com destaque para os políticos quando estão em campanha. Era exactamente isto o que nós queríamos. Que todos lessem na íntegra a Declaração Universal dos Direitos Humanos e chegassem a conclusão que tudo seria bem diferente se o mundo respeitasse este documento. Se não estiverem de acordo com a nossa pontuação façam a vossa própria avaliação. De uma coisa, porém, estamos certos. Para a maior parte dos angolanos esta Declaração ainda é uma miragem. Em matéria de respeito e implementação da famosa receita (para todos males e maleitas) prescrita pelas Nações Unidas já lá vão mais de 60 anos, Angola ainda está muito mal. Continua a inspirar muitos cuidados.]

sábado, 20 de dezembro de 2008

O dono deste blog foi preso?

Gil Gonçalves deixou um novo comentário na sua mensagem "Grito do Ipiranga na rádio estatal? (actualizado a...": O dono deste blogue foi preso?! Publicada por Gil Gonçalves em morrodamaianga a 19 de Dezembro de 2008 22:59
Obrigado pela preocupação, mas o dono do blog, contrariamente ao que aconteceu com o Carlos Leitão do futuro ex-PADEPA, continua a gozar de todos os direitos fundamentais previstos na Constituição angolana.
A vida e a liberdade são, sem dúvida, os mais importantes.
A não actualização do blog tem apenas a ver com as festas e com alguma preguiça (qb) do seu proprietário.
Ao Carlos Leitão, onde quer que ele se encontre, só lhe podemos desejar coragem (muita) para enfrentar mais este teste do Estado de Direito que estamos com ele.
Tendo em conta o seu preocupante estado de saúde, de acordo com as notícias postas a circular, esperemos que não lhe aconteça pior.
Independentemente de tudo quanto possa ter estado na origem desta detenção, não há nada em nosso entender que justifique esta retirada do Carlos Leitão da livre circulação de pessoas e bens.
A não ser, que Leitão já esteja a pagar o preço por ter alinhado com a UNITA na recente campanha eleitoral.
Se for assim, estamos conversados. Mal conversados, como é evidente.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Grito do Ipiranga na rádio estatal? (actualizado aos 15/12)

Para quem não sabe, o Grito do Ipiranga tem a ver com a proclamação da independência do Brasil. De lá para cá a expressão vem sendo também utilizada em sentido figurado para retratar situações relacionadas com a necessidade pungente de liberdade, contra qualquer tipo de asfixia, particularmente aquelas que são politicamente motivadas. Independência e liberdade são valores estruturantes do jornalismo e da actividade dos seus profissionais e órgãos. Sempre que houver um Grito do Ipiranga na comunicação social angolana aqui estaremos nós para lhe ampliar/amplificar todos os decibéis. No ano do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) os governos que a subscreveram não se deveriam esquecer que o artigo 19 da referida diz que "todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão". Entre nós o artigo 19 é aquele que mais nos preocupa enquanto jornalistas, mas não só, porque é do seu cumprimento que em muito está dependente o prosseguimento (aprofundamento) do próprio processo de democratização, que conheceu agora um desenvolvimento importante com a realização das eleições de 5 de Setembro. Com a comunicação social estatal de costas voltadas para o principio do contraditório e cada vez mais alérgica ao debate politico pluralista; com a propaganda e a desinformação a substituirem todos os dias a informação rigorosa e objectiva; com os "opinions makers" escolhidos a dedo; com a "vox populi" a debitar apenas mensagens de apoio ao governo e ao "Camarada Presidente" e com as licenças de rádio e televisão a serem atribuídas somente aos "projectos do grande clube", o artigo 19 da DUDH tem no território angolano um palco muito dificil para exibir os seus "dotes artísticos". Os poucos espaços mediáticos que ainda vão permitindo a actuação do artigo 19 na sua plenitude, todos os dias são "assaltados", com os seus melhores profissionais a serem "raptados" a troco de aliciantes remunerações dificeis de recusar por quem não tem o mínimo dos mínimos. O cenário já é de resistência ao "carro de fumo", entendida aqui esta referência da luta contra o mosquito, como sendo a estratégia de eliminação pela "via do mercado" de todas as vozes que não façam o côro com o discurso oficial. [Grito do Ipiranga-Acontecimento ocorrido a 7 de Setembro de 1822 que simboliza a independência do Brasil. Na sequência de diversos conflitos de poderes entre as Cortes e a administração da colónia, o príncipe português D. Pedro (o futuro D. Pedro IV), regente do Brasil, declarou o território definitivamente separado da metrópole, bradando "Independência ou morte!". O facto ocorreu nas margens do Rio Ipiranga. No dia 1 de Dezembro seguinte, D. Pedro foi coroado imperador do Brasil.]

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Conheça a Declaração Universal dos Direitos Humanos

Toda a gente fala dela, mas poucos terão sido os que leram os 30 artigos da mais famosa declaração política que a humanidade já produziu ao longo da sua atribulada e atormentada existência. Estamos a falar da Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada neste dia há 60 anos pela Assembleia-Geral das Nações Unidas. Nesta trajectória, o homem tem-se distinguido das restantes espécies vivas do planeta Terra, por ser a única que se especializou em exterminar os da sua própria raça. Para além dos humanos, mais nehuma outra espécie pratica o genocidio, a tortura e a destruição sistemática do meio ambiente. "A Declaração Universal foi traduzida em 337 línguas diferentes. Tornou-se o critério para avaliar acções de governos, indivíduos e grupos não governamentais. Foi ratificada por todos os países do mundo. Praticamente nenhum outro instrumento internacional pode reclamar esta honra"- escreveu Claude Welch. O apelo que desta modesta tribuna dirigimos neste e noutros dias a todos quantos tomarem contacto com estas linhas é que fiquem mais um bocado por aqui. Gastem 5 minutos do vosso precioso tempo e leiam na integra esta Declaração de todos os tempos. Se ela tivesse realmente sido aprovada pela humanidade, hoje já não teriamos sequer necessidade de falar da Declaração porque acreditamos na seriedade da humanidade. Já não podemos, entretanto, ter esta mesma relação de fé com muitos dos seus representantes que nos areópagos internacionais falam em nome dela, saídos ou não de urnas democráticas. O grande drama da humanidade é que esta Declaração todos os dias ganha mais valor, pertinência e actualidade, o que é muito mau para todos nós, porque esta visibilidade resulta da diferença que vai entre o que está escrito e a realidade dos diferentes países (governos) que a subscreveram. Em muitos países a situação é péssima. Chega a ser vergonhosa. Estamos a falar das violações dos direitos humanos e da falta de respeito para com estes mesmos direitos que ainda se observam em largas parcelas do planeta. Nesta geografia, lamentavelmente, continuamos a encontrar o nome de Angola. Sessenta anos depois seria bom que todos os signatários da famosa Declaração se voltassem a reunir em Assembleia Geral para analisarem, direito por direito, como é que a realidade se apresenta em cada um dos respectivos países. Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração humanos; Considerando que é essencial a protecção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão; Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações; Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais humanos, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla; Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais; Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso: A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos humanos como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição. Artigo 1° Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. Artigo 2° Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania. Artigo 3° Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Artigo 4° Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos. Artigo 5° Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Artigo 6° Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica. Artigo 7° Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo 8° Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei. Artigo 9° Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. Artigo 10° Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida. Artigo 11° 1. Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. 2. Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido. Artigo 12° Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei. Artigo 13° 1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. 2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país. Artigo 14° 1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países. 2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Artigo 15° 1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade. Artigo 16° 1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais. 2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos. 3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado. Artigo 17° 1. Toda a pessoa, individual ou colectivamente, tem direito à propriedade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade. Artigo 18° Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos. Artigo 19° Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão. Artigo 20° 1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. Artigo 21° 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios, públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos. 2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país. 3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto. Artigo 22° Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país. Artigo 23° 1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego. 2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual. 3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social. 4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses. Artigo 24° Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas. Artigo 25° 1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. 2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma protecção social. Artigo 26° 1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito. 2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. 3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos. Artigo 27° 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam. 2. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria. Artigo 28° Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração. Artigo 29° 1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. 2. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática. 3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Artigo 30° Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

As licenças de comunicação social, o concurso público e a Deputada Tchizé dos Santos

Lemos com alguma atenção o último pronunciamento (escrito) da Tchizé dos Santos nas suas novas e novéis funções (vestes) parlamentares, dentro das quais, certamente, o seu enorme ego deverá crescer (ainda) um pouco mais. O ego desta jovem é verdadeiramente descomunal, conclusão a que chegamos, sempre que ela nos oferece uma oportunidade de a analisarmos através da sua empolgada e fortemente personalizada escrita, onde o EU fiz, EU faço e o EU vou fazer são as expressões mais usadas, quer nas linhas como nas entrelinhas Graças a mim e senão fosse eu, são as outras expressões que vêm logo a seguir na sua estatística egocêntrica. Neste país tudo parece ter acontecido depois dela ter entrado em cena. Todos nós na área da comunicação social, sobretudo nós mesmos que já andamos por aqui há mais de 30 anos, gostaríamos de ter ou de vir a ter as mesmas possibilidades que teve a Tchizé de fazer coisas interessantes, de elaborar projectos, de vê-los aprovados e de os executar com os necessários apoios que qualquer empresário necessita para o efeito. Atenção, não confundir apoios com caridade, ajuda humanitária e muito menos com favores ou com outro tipo de xambetas e esquemas muito em voga na nossa praça dos encostos e das bajulações, onde ganha quem normalmente engraxa mais. No mercado, os apoios de que nenhum empresário prescinde, são aqueles que resultam dos empréstimos bancários em condições justas e compatíveis. Tudo o resto cheira-nos a agiotagem que é o que existe na maior parte dos casos, quando os bancos se decidem a abrir os cordões da bolsa. Lamentavelmente, a realidade angolana, o tal país real que nos é imposto diariamente, não tem sido o melhor companheiro e parceiro da maior parte de todos aqueles que algum dia sonhou em tocar o seu negócio próprio para frente. Conhecedor que sou das muitas portas que se fecham para a maior parte dos potenciais empreendedores e das poucas que, generosamente e a dedo, se vão abrindo aqui e acolá para meia dúzia de felizardos, não nos parece que haja muito mérito pessoal nas histórias de sucesso que nos querem impingir. Uma destas histórias é, certamente, a de Tchizé dos Santos, conforme ela própria fez questão de nos voltar a recordar no já mencionado pronunciamento, que tivemos a oportunidade de ler a semana passada num dos semanários da capital. Nada temos contra o seu sucesso se é de facto disso que se trata. Conforme já referimos, também não nos impressiona por aí além devido ao facto do mesmo ser antes de mais produto de uma determinada conjuntura que lhe é absolutamente favorável. Já não podemos, entretanto aceitar que a aprovação de projectos na área da comunicação social continue a depender de critérios de proximidade ou de confiança política, por ausência da prevista regulamentação. É, claramente, o caso do nebuloso licenciamento das estações de rádio e de televisão que continua a ser feito pontualmente de acordo com as conveniências da conjuntura. Nos argumentos expendidos em sua defesa, a Deputada Tchizé dos Santos “esqueceu-se” de referir que a atribuição de licenças, nomeadamente, para o exercício da actividade de radiodifusão e de radiotelevisão deveria obedecer ao principio do concurso público já consagrado na nossa lei. Esta questão para nós é fundamental, por ser estruturante. Se este princípio fosse respeitado pelo próprio Estado que o aprovou como exigência legal, todos os problemas levantados pela Deputada seriam resolvidos de acordo com os interesses do desenvolvimento do sector em matéria de formação de quadros, mas não só. Nos concursos públicos ganha quem fizer a melhor proposta em conformidade com as exigências do caderno de encargos. No caso da atribuição das “licenças de Comunicação Social”, desde que ela respeite o principio do concurso público, estou perfeitamente de acordo com a Tchizé dos Santos, em relação ao compromisso da formação de novos quadros, como condição de preferência, evitando-se assim o “assalto” que se verificará, sempre que surgir no mercado um projecto mais “generoso” do ponto de vista das contrapartidas financeiras.

domingo, 7 de dezembro de 2008

As dúvidas do economista Alves da Rocha

"Continuo a não entender completamente- a não ser que informações reais sejam postas à disposição do público- as afirmações segundo as quais Angola está protegida, no valor dos seus activos externos, privados e públicos, da contaminação e da inquinação financeira internacional.
Até que ponto o Banco Nacional de Angola, enquanto autoridade cambial e supervisora, conhece, em toda a extensão e profundidade, as aplicações no exterior das reservas externas da Banca?
Há todas as garantias de que não tenham sido aplicadas em derivativos de elevado risco, que nas actuais circunstâncias parecem ser todos?
Existem garantias efectivas de que as nossas reservas internacionais liquidas (cerca de 20 mil milhões de dólares no final de Setembro do corrente ano) não tenham sido envolvidas em aplicações de elevado risco?
Não seria de bom tom explicar-se, publicamente, esta situação?"
(Extracto de um texto de Alves da Rocha publicado esta semana no Novo Jornal)

Quem foi que disse que a economia angolana ia passar ao largo da actual crise?

Sem crise! Esta é a expressão que melhor traduz o sentimento nacional e internacional quanto à capacidade da economia angolana resistir ao tsunami que vem devastando, nos últimos meses, a estrutura financeira mundial. Angola está em condições não só de resistir à crise mas mesmo de emergir dos destroços acumulados pelo rasto da hecatombe com uma posição reforçada na ordem económica global”. Foi há pouco mais de três semanas que lémos esta eufórica e ufanista passagem num texto de opinião (editorial) assinado pelo estreante Luís Viana nas páginas amareladas inventadas pelo Financial Times, que o nosso nóvel “El País” fez questão de recuperar para dar à estampa (editar) o seu suplemento de economia. Como somos angolanos, sem passaporte alternativo para além do "nosso pretinho", a referência ao sentimento nacional chamou desde logo a nossa atenção por termos sido citados indirectamente, sem nunca ninguém nos ter perguntado pela nossa avaliação. Como é evidente, não podemos partilhar daquele sentimento que nesta altura já deverá ter desaparecido completamente do mapa, depois do preço do petróleo ter descido abaixo da fasquia do 50 dólares. Seja como for, não acreditamos, minimamente, que algum dia tenha existido um tal “feeling” com contornos tão fortes e tão consensuais como o articulista deixou claramente transparecer, como se lhe tivesse sido passada alguma procuração colectiva para interpretar o que vai pela mente de tanta e tão estratificada gente. Logo nós, que desde a primeira temos estado a clamar e a reclamar no deserto, chamando a atenção para o impacto da crise internacional na economia angolana, com as atenções inicialmente concentradas nas perdas que as volumosas aplicações financeiras feitas com dinheiro público, em várias praças financeiras, estão certamente a conhecer. Apenas restará saber qual é a margem dos prejuízos, qual é a sua real magnitude, de nada adiantando, estarmos agora a tentar travar com as mãos o vento da crise, que já nos entrou pela casa adentro. Em parte as nossas reclamações até foram atendidas por diferentes representantes do poder político, onde se inclui o próprio Presidente da República. Como se de uma orquestra se tratasse, todos os dignitários que reagiram às nossas preocupações disseram exactamente o mesmo. “Não há preocupações de maior porque Angola não investiu em produtos de risco”- foi a “ladainha” escutada. A “música” deveria, entretanto, ter prosseguido com mais algumas notas explicativas. Em nome da transparência e da prestação de contas que a gestão dos dinheiros públicos exige dos titulares que se ocupam dela, a oportunidade deveria ter sido aproveitada para os “nossos Pavarotis” acrescentarem algo de mais substancial. E este algo tinha a ver (e continua a ter) com o destino exacto das aplicações das nossas reservas internacionais líquidas que já estão muito próximas da fasquia dos vinte bis. Se não há nada a esconder, se tudo está no seguro, não seria pedir de mais ao Governo que nos dissesse onde é que estas aplicações foram ou estão a ser feitas e quanto é que elas já renderam ao país. A recente iniciativa de se avançar para a criação de um Fundo Soberano parece ser a resposta muito indirecta dada à esta e a várias outras preocupações, todas elas convergentes para a necessidade de se fazer a maior transparência possível com a gestão das finanças públicas, dentro e fora do país. O país dormiria certamente mais descansado se soubesse exactamente o que é que está a ser feito com o seu dinheiro, para além dos editoriais e dos discursos de ocasião. O país precisa, sobretudo, de informação objectiva e não de proclamações ou de profissões de fé. E já que falamos em informação deixamos aqui em jeito de roda-pé a apreciação feita pelo economista Alves da Rocha num artigo por ele publicado no “Novo Jornal” sobre as incidências da crise financeira em Angola. São facilmente notórias as diferenças deste texto, cuja leitura recomendamos vivamente, com outras matérias que sobre o mesmo assunto foram publicadas pelo “O País”no seu número de estreia. [… outro risco relaciona-se com as aplicações financeiras dos activos angolanos. Creio que, devido ao chamado risco sistémico, são muito poucas as aplicações isentas de risco neste momento dramático da crise financeira internacional. É difícil garantir-se que as reservas internacionais liquidas de Angola -avaliadas em cerca de 20 mil milhões de dólares no final de Setembro - estejam totalmente defendidas de perdas financeiras. Não há praticamente, nenhuma zona da economia financeira internacional que não esteja a sofrer fortes desvalorizações nos activos aí investidos. Repare-se, por exemplo, que a Sonangol subscreveu, há cerca de 6 meses, 10% do aumento de capital de mil milhões de euros do Millenium-BCP, cujas acções sofreram uma das maiores quebras do PSI-20. Evidentemente que, no mercado de transacções de títulos, as perdas e os ganhos apenas se concretizam quando os mesmos são comprados ou vendidos. No entanto, o valor actual das acções do Millenium-BCP está desvalorizado em 66,4%, equivalendo por dizer que as participações da nossa concessionária dos hidrocarbonetos reduziram o seu valor naquele montante. Desconhecendo qual o valor total da sua participação nesta instituição bancária portuguesa, a perda mínima estimável é de 66,4 mil milhões de euros (cerca de 93 mil milhões de dólares), relativa à sua participação de 10% no recente aumento de capital. Provavelmente que outras aplicações financeiras das nossas reservas externas se encontram, igualmente, nesta zona de desvalorização. A internacionalização financeira da economia angolana, protagonizada pela Sonangol e outras empresas fortes, pode ter de ficar congelada durante algum tempo.- Alves da Rocha in Novo Jornal (7/11/08)]

sábado, 6 de dezembro de 2008

As duas Mutambas: Mais um atentado ao património de Luanda

O governo em mais uma das suas equivocadas intervenções ao nível da gestão urbana da cidade de Luanda, decidiu destruir os sólidos, inquebrantáveis e já históricos bancos da nossa velha Mutamba. Quantos anos terão eles?
Mais de 50, provavelmente. Quantos e quantos angolanos já não repousaram naqueles bancos o seu traseiro à espera do machimbombo para a Terra Nova ou para o Bairro Popular? Em seu lugar foram colocadas umas “coisas descartáveis” com um ar bastante modernaço, mas cuja vida útil tem desde logo os seus dias contados pela fragilidade do material usado. A questão que se coloca, uma vez mais, diante de tanta cegueira e falta de consideração pela memória desta cidade que é de todos nós, tem a ver com a necessidade de se destruírem os velhos e já simbólicos bancos. Quanto a nós, o projecto de revitalização daquele local da nossa cidade, não tinha qualquer necessidade de substituir os velhos bancos e toda a restante estrutura de apoio, que estavam em perfeitas condições de aguentar firmes mais 50 anos.
Uma boa limpeza e uma boa pintura seria o recomendável e o necessário, a dispensar a entrada em cena do camartelo. Como os bancos deste lado da Fazenda (actualmente é a sede do Ministério das Finanças) ainda não conheceram o mesmo trágico destino dos seus parentes da frente, deixamos aqui o nosso apelo desesperado: Não os destruam, deixem-nos agora coabitar e concorrer com as novas estruturas lá colocadas para ver quem é que vai ganhar a corrida do tempo e do desgaste.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Presidente da República só pode ser eleito por sufrágio directo, secreto e universal

Teremos sido dos poucos observadores que durante a recente campanha eleitoral mais chamou a atenção dos protagonistas e da opinião pública (eleitores) para o facto da Assembleia Nacional a ser eleita ter como grande desafio imediato a aprovação de uma nova constituição para o país. Em momento nenhum, entretanto, nos ocorreu que o novo sistema político a ser desenhado pela Constituinte poderia optar pela escolha do sufrágio indirecto, como sendo a solução para a eleição do futuro Presidente da República. E não nos ocorreu, apenas por uma razão, que não tem nada a ver com a existência de um eventual défice intelectual da nossa parte que, de algum modo, poderia ter limitado a nossa capacidade de prever cenários. Escrevemos, já depois de consumada a vitória do MPLA, que mesmo com a sua maioria super qualificada, o agora super-maioritário não devia nem podia fazer aprovar uma nova constituição à revelia de seis princípios fundamentais. São eles: 1) a independência, integridade territorial e unidade nacional; 2) os direitos e liberdades fundamentais e as garantias dos cidadãos; 3) o Estado de direito e a democracia pluripartidária; 4) o sufrágio universal, directo secreto e periódico na designação dos titulares electivos dos órgãos de soberania e do poder local; 5) a laicidade do Estado e o principio da separação entre o Estado e as igrejas; 6) a separação e interdependência dos órgãos de soberania e a independência dos Tribunais. Escrevémos na mesma ocasião que o referido “pacote” de seis pontos era para já a única garantia concreta que todos temos, os que acreditam e os que não acreditam nas boas intenções do maioritário, de vermos Angola prosseguir nos trilhos da sua democratização. Dissémos também que a outra garantia era a existência do Tribunal Constitucional que tem competência para analisar todos os actos, praticados sejam por quem for, que, eventualmente, possam pôr em causa os limites da alteração da constituição atrás referidos. A alçada do TC estende-se a outras manifestações menos pacíficas que possam ferir letras e espíritos assentes em diplomas fundamentais do direito internacional que Angola já subscreveu. O “pacote” que faz parte do actual texto constitucional que se prepara para ser revisto logo no ínicio do próximo ano não pode ser ignorado por ninguém, porque é uma espécie de cadeado.
É uma tranca que foi colocada na porta principal do país para impedir o regressso ao passado totalitário da nossa história. No “pacote” o seu ponto 4 não deixa qualquer margem para dúvidas, nem permite nenhuma interpretação que possa alimentar de jure a tal corrente, citada por José Eduardo dos Santos, que defende o sufrágio indirecto. Por outras palavras, em Angola o próximo Presidente da República só pode ser eleito de uma forma. Nenhuma revisão do actual texto constitucional pode passar ao lado do sufrágio universal, directo secreto e periódico na designação dos titulares electivos dos órgãos de soberania e do poder local. É o que está escrito. É a lei! Não há como ultrapassar esta barreira. O grande teste da democratização será pois a aprovação da primeira Constituição para Angola. Depois de ter aprovado todos os textos constitucionais que já figuraram no nosso ordenamento jurídico desde 1975, o MPLA volta a estar sozinho em pleno regime democrático, desta feita por ausência de qualquer oposição, com a grande responsabilidade de fazer aprovar uma constituição que nos dignifique a todos. Do que “sobrou”, como divergência de peso da fracassada constituinte da segunda República, quando a oposição ainda tinha alguma capacidade de negociação, está claro que o grande desafio do MPLA é desenhar um sistema de governação assente num modelo democrático já testado internacionalmente e não tentar “descobrir” novamente uma solução angolana apenas para resolver problemas de conjuntura. Os homens passam, os países ficam. Mais claramente do que isso talvez fosse necessário dizer que, praticamente, já não há nada para inventar em matéria de modelos constitucionais. Ou é ou não é. Agora tentar querer ser tudo e depois, na hora da prestação de contas, não ser nada é que não dá. Não é, certamente, um modelo democrático.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Luanda vista pelo "Camarada Presidente"

Poligamia, direitos humanos, Igreja Católica e celibato

A afirmação constante do “fac-simile” foi atribuída pelo “O País” ao Frei João Domingos, uma pessoa por quem temos a maior consideração e respeito. O Frei já é, por mérito próprio, uma das referências mais cintiliantes da nossa sociedade civil, num país onde as reservas morais, sobretudo ao nível da sociedade mais politico-partidária, são verdadeiras aves raras. Não podemos, porém, estar de acordo com João Domingos, quando considera a poligamia (ter duas mulheres) como sendo uma violação dos direitos humanos. Negativo. Para além de outras considerações que se possam fazer em relação a esta problemática, diremos para já que cada caso é um caso, não sendo por si só a monogamia uma garantia suficiente de protecção dos direitos humanos da mulher nas uniões conjugais. Um número muito considerável de casos de violência doméstica acontece em uniões monogâmicas. A questão que, em contrapartida, se pode colocar tem a ver com a existência ou não de um outro tipo de violação quando, na vida de alguém, aparentemente, não há espaço para o sexo oposto, seja ele homem ou mulher. É, claramente, um recado que dirigimos à própria Igreja Católica com a melhor das intenções, embora seja uma óbvia crítica à sua doutrina e muito particularmente à uma praxis que a hierarquia tem cada vez mais dificuldades em gerir, sobretudo quando se sabe que os seus resultados menos positivos têm arrasado a própria imagem e a credibilidade da instituição. Estamos convencidos que a maior violação da lei de Deus é a própria prática do celibato, responsável pela maior parte dos escândalos sexuais (pedofilia e outras taras) que têm vindo a marcar, da pior forma, a vida intramuros das diferentes congregações e confrarias católicas. De facto, não ter nenhuma mulher ou nenhum homem, acaba por ser uma grave violação da própria natureza humana que a hierarquia católica vai ter de resolver mais tarde ou mais cedo. O movimento dos padres católicos casados fala bem desta urgência, que a mais alta hierarquia da Igreja continua a ignorar, ao mesmo tempo que fecha os olhos aos continuados e repetidos escândalos sexuais dos seus “funcionários” e das suas “funcionárias”. Já fechou mais. Fecha os olhos, mas depois é forçada a abrir os cordões à bolsa para pagar milionárias indemnizações às vítimas dos abusos sexuais praticados pelos seus "quadros", sendo o que se passa nos EUA, uma ilustração bastante dramática e paradigmática destes comportamentos desviantes. E o mais grave é que tais comportamentos vão manter-se, enquanto se mantiver esta violação da natureza humana, que reprime o desejo de uma forma nada sustentável e muito menos aconslhável. É quase o mesmo que tentar tapar o sol com a peneira. Em nome da mesma fé, recorde-se, a reforma de Martinho Lutero soube ultrapassar esta "crise" já lá vários séculos. Em nome dessa mesma fé, milhões de católicos foram libertados por Lutero de uma "lei da rolha" que um Papá qualquer introduziu na Igreja no século V (?) em nome sabe-se lá do quê. Os que seguiram Lutero são conhecidos hoje pela designação geral de protestantes. Eu faço parte desta "tradição", que chegou a Angola na bagagem dos missionários metodistas norte-americanos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O "GURN" de Barack Obama

Há qualquer coisa de estranho ou de pouco compreensível nas actuais movimentações de Barack Obama visando a constituição do próximo executivo norte-americano que entrará em funções na última semana de Janeiro de 2009. Para quem tanto falou em mudança (Change! Change! We Can! We Can!) começa de facto a fazer pouco sentido as suas opções pelo passado, com o regresso à ribalta de algumas figuras dos democratas que já tinham passado pela administração Clinton e que se preparavam para ir para a reforma. Sem termos nada contra a senhora, a sua escolha de Hillary Clinton para a chefia da diplomacia dos EUA (Departamento de Estado) é igualmente bastante questionável do ponto de vista da tão apregoada mudança. Com a mulher vem certamente um “quiducho” muito especial, que já foi Presidente dos Estados Unidos e que por pouco não quebrava uma das limitações fundamentais da Constituição escrita por George Washington e seus companheiros há mais de 200 anos. Esta limitação tem a ver com a impossibilidade de algum cidadão norte-americano, eleito presidente dos States, vir a ocupar a Casa Branca por mais de oito anos. Ora se Hillary não fosse derrotada por Obama, Bill Clinton teria certamente a possibilidade de voltar a ser inquilino da Casa Branca e a exercer um novo mandato, desta vez através do controlo remoto e das conversas horizontais com a sua “quiducha” na hora do bem bom, onde a “malandragem” é quem mais ordena. Já estão, certamente, a pensar na Mónica Lewinsky e nos charutos do “nosso” Bill, que, mal ou bem, já foi considerado o “primeiro presidente negro” que chegou ao poder nos EUA. Não é nada disso, pois o que lá vai, lá vai… Para além da “tralha” democrata, onde Obama está a ir buscar muitos dos seus colaboradores, o que mais nos surpreendeu (a nós e a muito boa gente) foi, entretanto, a manutenção no cargo do actual Secretário da Defesa, Robert Gates, até a conclusão da retirada das tropas invasoras do Iraque. Aí é que o “caldo da mudança” entornou completamente, pois por mais que o “nosso” Obama nos explique não vamos entender mesmo nada de nada, a levantar desde logo sérias dúvidas em relação à consistência do seu inovador projecto. Dúvidas e interrogações que os seus adversários mais à esquerda já transformaram em certezas e em duras críticas de quem está convencido que o poder na América nem sequer vai conseguir escurecer o suficiente para ser diferente do anterior. Obama está, claramente, a trilhar os caminhos que o levarão a criar um estranho, incoerente e inconsistente “GURN” lá nos States.
Sinceramente, espero estar redondamente enganado nesta avaliação tão pouco simpática sobre a estratégia do nosso "meio conterrâneo". Depois de já ter conversado com Maccain, resta agora saber se ainda não lhe passou pela cabeça falar igualmente com o “deposto” George W. Bush. Se por acaso for essa a sua intenção, sugerimos-lhe que convide Bush filho a ocupar uma nova pasta a criar (outra sugestão da nossa lavra) e que seria o Departamento do Perdão. À frente deste novo pelouro, o trabalho de GB seria andar, durante os próximos quatro anos, por todas as capitais do mundo (sem nunca regressar a Washington) a pedir perdão e desculpas por todas as maldades internacionais que os Estados Unidos cometeram durante a sua administração e do seu pai, mas não só. Nesta peregrina função, a primeira capital que George Bush deveria visitar seria Bagdad, no Iraque. Ele sabe muito bem onde é que fica.
Até sabia onde é que o enforcado do Saddam Hussein tinha escondido as tais armas de destruição massiva, que nunca foram encontradas, mas que serviram de pretexto para justificar uma das mais vergonhosas e destruidoras invasões que já fomos testemunhas nos dois séculos em que temos estado a viver.

domingo, 30 de novembro de 2008

Revista de imprensa em manchetes (4)

1- Semanário Angolense
MPLA ÀS VOLTAS COM DOIS "MILITANTES REBELDES"
- O partido do Governo pretende que os manos Vicente e Justino Pinto de Andrade esclareçam definitivamente a situação: se estão fora da cerca devem deixar de falar em nome da organização. Se ainda se sentem parte da "grande família" então devem fazer o que todo o "rebanho" faz, isto é, obedecer a voz do pastor sem reclamar
2-Novo Jornal
CENSURADO
[Na-Em referência ao facto da projecção de um documentário sobre a presença dos cubanos em Africa e muito particularmente em Angola ter tido vários precalços no decorrer do Festival Internacional de Cinema de Luanda]
3- Angolense
UNITA PUBLICA RELATÓRIO DEMOLIDOR SOBRE AS ELEIÇÕES
4-O País
MANÁ: CULTOS SECRETOS
- Tadeu. ManáSat. Aviões. Fuga de capitais. Deserções. Desobediência: Igreja ou máfia?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Luanda tem uma nova FM

A "Rádio Mais" é a nova alternativa que os radiouvintes da capital angolana têm à sua disposição em frequência modulada (fm) nos 99.00.
A emissora integra o mesmo projecto mediático (Média Nova) que está na origem do semanário "O País" e se prepara para lançar em Janeiro o primeiro canal televisivo privado denominado TV-Zimbo.
O grupo é igualmente proprietário de uma modernissima gráfica com uma capacidade instalada (quantidade/qualidade) que ultrapassa (de longe) tudo quanto é oferta nesta altura ao nível do parque local.
A nova rádio apresenta-se como sendo uma estação do tipo generalista, constituíndo nota de destaque ao nível da informação a parceria com a BBC entre as 20 e as 21, no espaço Grande Informação.
Em principio e no âmbito deste intercâmbio, o serviço português da BBC, no quadro da sua estratégia de "rebroadcasting", vai conseguir finalmente ser ouvido no FM angolano na integra, que era um objectivo que a estação britânica há muito perseguia sem grande sucesso.
O que até agora a BBC conseguira, foi apenas a transmissão pela Rádio Nacional de uma ou duas peças nos seus noticiários principais e pouco mais.
Seja como for, nesta altura ainda não se sabe muito bem como é que a parceria Rádio Mais/BBC se vai traduzir, em termos mais concretos, na programação de 24 horas da nova emissora luandense.
Com a Rádio Mais, o projecto Média Nova volta a ser notícia, estando a curiosidade dos observadores voltada, de algum modo, para os bastidores desta movimentação do capital privado pelos corredores da comunicação social, onde, apesar do que se especula, ainda não se sabe muito bem quais são os interesses mais especificos que, do ponto de vista político, falam mais alto.
A outra questão que se coloca tem a ver com o facto de, uma vez mais, o licenciamento de uma rádio não ter obedecido ao principio do concurso público, que é aquele que está inscrito como sendo uma exigência da própria legislação em vigôr.

domingo, 23 de novembro de 2008

António Jaime foi brutalmente assassinado há um ano

Aconteceu há um ano, numa madrugada de sábado à saída da discoteca Mayombe, nas imediações da Cadeia de São Paulo.
Alguém decidiu que António Jaime estava a mais na nossa cidade de Luanda e por isso achou que ele tinha de ir morar noutro sítio, tinha de mudar de endereço, definitivamente.
Esse alguém que impávido, sereno e completamente imune e impune, continua escondido nas trevas da nossa cidade, não foi capaz de executar sozinho o seu ardente desejo.
Esse alguém, convocou um grupo de pessoas igualmente desconhecidas e organizou uma emboscada mortal ao carro onde seguia António Jaime.
Chamar emboscada aquilo é complicado pela ideia que temos da palavra quando aplicada à tácticas de guerrilha.
Os termos brasileiros tocaia ou arapuca talvez se apliquem mais ao estratagema utilizado pelos seus carrascos, que não eram assim tão desconhecidos pois em momento algum do assalto fizeram questão de esconder os seus rostos, diante de alguns curiosos que presenciaram o crime, numa zona que já conhecia algum movimento de pessoas aquela hora da madrugada.
Já crivado de balas, o António Jaime ainda teve "direito" ao chamado tiro de misericórdia com que se abatem os cavalos moribundos.
O novo endereço de António Jaime está agora localizado no nº 49 do Cemitério Velho, onde pode ser visitado sem vida.
O António Jaime não era só meu amigo. Eu também era amigo dele.
Com ele aprendi um pouco mais sobre o valor da amizade para além dos interesses, das conjunturas e dos jogos de cintura, no país real chamado Angola.
Naquela madrugada também morri um bocado com ele, para além do risco físico que corri e que, se calhar, ainda continuo a correr, pelo menos enquanto o crime não for esclarecido, apesar de já se ter passado um ano.
Mais um caso a caminho do esquecimento?
Tudo leva a crer que sim.
Naquela madrugada de sábado morri um bocado, sobretudo, na fé que era suposto ter na bondade dos homens e muito particularmente dos angolanos.
Em contrapartida a minha consideração pelos animais, particularmente os considerados selvagens, aumentou ainda mais.
A minha confusão em relação a localização exacta da selva passou a ser total.
Estávamos juntos e os nossos destinos foram separados por alguns minutos, graças aos percursos distintos que, à saída do Mayombe, as nossas viaturas seguiram em direcção ao Alcobaça onde deveríamos ter tomado um reparador muzongué.
Até hoje não sei o quê que se passou e porquê que se passou daquela forma.
Sei, no entanto, que se estivesse no mesmo carro ou se as nossas viaturas tivessem seguido a mesma rota, não estaria aqui a escrever esta crónica da saudade.
Sei também que o António Jaime tem agora uma campa raza no Alto das Cruzes.

sábado, 22 de novembro de 2008

Revista de imprensa em manchetes (3)

1-Novo Jornal Contas mal feitas no Parlamento 2- Semanário Angolense (Para credibilizar as eleições presidenciais do próximo ano) HAJA CANDIDATOS PARA DAR LUTA AO "MAJOR" -Quanto mais fortes forem os adversários, mais saborosa será a mais do que previsível vitória de José Eduardo dos Santos 3- angolense (Mas exige um processo transparente) SAMAKUVA AVANÇA COMO CANDIDATO A PRESIDENCIA DA REPÚBLICA 3- O PAÍS TAAG MORREU EM 80 -Gestão danosa, arrogância e imperativos de guerra. Uma mistura que explodiu no momento em que a companhia se vestiu de aviões novos

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Nova vida na Procuradoria-Geral da República?

A Procuradoria-Geral da República (PGR), que continua em mãos militares, saiu esta semana da sua habitual penumbra para ganhar a luz do dia, com o processo de extinção de mais de vinte partidos que não conseguiram alcançar o patamar dos 0,5% dos votos expressos nas urnas de 5 de Setembro. Dura lex, sed lex! Nada a fazer, embora se possam levantar algumas questões relacionadas com a eventual inconstitucionalidade da disposição que condena à morte os partidos nas condições atrás referidas. Pela importância que os partidos desempenham no regime democrático "que estamos com ele", talvez fosse aconselhável constitucionalizar os princípios da sua criação e da sua extinção.
Aqui fica a nossa sugestão para a revisão constitucional que se avizinha e da qual vai em principio resultar um sistema político ligeiramente diferente do actual, com a adopção de um modelo marcadamente presidencialista, sendo certo que em nenhuma das variavéis a adoptar, o (actual) Presidente terá a responsabilidade de prestar contas directamente ao Parlamento. A actual figura do "apagado" Primeiro-Ministro deverá ser substituída pela do Vice-Presidente com as mesmas funções de coadjutor. Não sei qual é o tratamento dado pelas outras constituições ao capítulo dos partidos, pelo que deixamos o assunto em aberto, sendo certo que o mesmo deverá merece um tratamento mais detalhado no próximo texto constitucional, para se evitarem depois os equívocos das leis ordinárias. Mas voltemos ao tema em epígrafe para destacar que o mais importante nesta movimentação parece-nos ser, entretanto, o papel da própria PGR, enquanto defensora e promotora da legalidade.
Habitualmente a PGR tem sido notícia mais pelo que não faz ou não deixa fazer, do que pelo que faz ou permite que se faça. Habitualmente o que se ouvem são reclamações, sobretudo de organizações ligadas a sociedade civil, pelo facto da PGR pautar a sua conduta por uma permanente omissão, quando em causa estão violações da legalidade por parte de agentes conotados com o Estado. Algumas dessas violações são consideradas graves. Num país que vive uma situação de corrupção institucional endémica, raríssimos são os casos que chegam aos tribunais, envolvendo figuras de proa da administração e não só.
Da parte de vozes mais críticas em relaçao ao desempenho da PGR já ouvimos "elogios" como este: "O mais adequado talvez fosse substituir nas suas iniciais, o R de República por um R de Regime" (sic). A iniciativa da PGR de propôr a extinção dos partidos chama a atenção, uma vez mais, para o desempenho de uma instituição fundamental para o Estado de Direito, como garante desse mesmo estado. Mais do que nenhuma outra, a PGR é daquelas instituições que só pode estar acima de qualquer suspeita. Não tem outro lugar.
Lamentavelmente, na avaliação e na consideração de muito boa gente, a PGR ainda não alcançou este recomendável e respeitável patamar.
Da nossa parte, o que desejamos é que a PGR caminhe exactamente em direcção aos cidadãos que colocam dúvidas em relação ao seu desempenho, não com discursos, mas com actos concretos que traduzam a sua adesão efectiva aos postulados do Estado de Direito, onde não pode haver pessoas que são mais iguais que as outras.
Espera-se pois que a PGR nesta terceira República e tendo como referência esta iniciativa recente, venha a pautar a sua intervenção por uma outra dinâmica, mais abrangente, mais de acordo com a defesa do interesse público e da legalidade sem outros receios, nem fronteiras.
Uma actuação mais de acordo com a igualdade e a justiça social. Em abono da verdade não é o que tem acontecido, pois as atenções da PGR nem sempre têm em conta o país no seu todo e o sagrado princípio, segundo o qual, ninguém está acima da Lei. O País tem muitos direitos e deveres. Em nenhuma das duas categorias existem os intocáveis. Como é evidente a PGR sabe disso, só que…
(As quatro fotografias que ilustram este texto retratam os quatro "PGRs" que Angola já teve ao longo da sua história como país independente. São eles, por ordem cronológica, Antero de Abreu, Domingos Culolo, Augusto da Costa Carneiro e o actual, João Maria de Sousa. Os dois últimos são generais das FAA. Penso que foram apenas estes. Caso achem que a lista não está completa agradeço que me façam chegar a informação.)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Angola na nova lista negra da União Europeia

Todas as transportadoras aéreas certificadas pelas autoridades de Angola responsáveis pela supervisão regulamentar, entenda-se INAVIC, estão a partir deste mês proibidas de operar no espaço aéreo da União Europeia.
A última esperança que era a SONAIR, a companhia aérea da toda poderosa Sonangol, também ficou em terra.
Os voos executivos muito usados pelos membros da nomenklatura local para resolverem os mais distintos problemas, incluíndo os de saúde, estão igualmente comprometidos.
Tudo agora vai ter que ser feito com base na contratação de aviões estrangeiros, quando os destinos forem europeus.
O problema é que depois desta "pancada", as coisas ainda podem ficar pior, numa altura em que se aguarda pela decisão da IATA, que pode retirar os aviões angolanos do espaço aéreo global.
Ao que nós chegamos...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mea Culpa por ter defendido a Taag

Aos micorfones da Emissora Católica, defendeu esta semana (segunda-feira) o meu amigo Justino Pinto de Andrade que, todos quantos defenderam a Taag, por ocasião da sua entrada para a lista negra da União Europeia, deviam agora fazer o seu mea culpa.
Eu fui uma dessas pessoas, possivelmente até aquela que nas colunas da imprensa mais se destacou na defesa da Taag do "ataque" europeu que resultou de uma iniciativa dos franceses.
Pesssoalmente não gosto muito da forma (paternalista e arrogante) como os franceses, de uma forma geral, se relacionam com os africanos. Estando o mundo cheio de preconceitos, eu também devo ter os meus. Esta opinião que tenho dos descendentes contemporâneos do Astérix e do Obélix será, provalvemente, um preconceito. Se for o caso ainda melhor, porque acho que em todos os países deste mundo há malta porreira, há os bons, os maus e os vilões. Os franceses não devem ser excepção.
Não me arrependo, contudo, de ter feito esta defesa, porque na altura sempre deixei bem claro que a Taag estava muito longe de corresponder aos padrões internacionais numa industria em que os erros técnicos se pagam demasiado caro, se pagam, por vezes, com centenas e centenas de vidas humanas, como uma vez mais ficou patente do desastre de Madrid.
Sempre deixei claro que a Taag, como companhia de transporte aéreo, ainda estava muito longe de atingir o patamar da excelência neste negócio altamente sensível que é carregar pessoas e bikuatas por este mundo afora. Para os meus botões sempre disse que a Taag nunca não tinha deixado de ser a DTA do tempo colonial, isto é, que continuava a ser um departamento governamental com excesso de mão de obra, sem uma cultura empresarial definida e a viver permanentemente de subsídios e de injecções do tesouro.
Sendo propriedade de quem é, a Taag dificilmente poderia ter um outro desempenho. Veja-se o caso da falência da Angonave-Unidade Económica Estatal (UEE) e estude-se o processo que conduziu ao descalabro da referia empresa pública com cinco navios de longo curso num país que sempre viveu de importações. Só mesmo o dono da Angonave UEE pode explicar como foi possível uma tal falência.
Achei, entretanto, que a penalização decretada pela UE por iniciativa dos franceses podia ter outras motivações menos transparentes e que era excessiva para os interesses da empresa-país, numa altura em que largos milhões de dólares tinham saído dos nossos bolsos para a renovação da sua frota.
Disse na altura que muito dificilmente a Taag voltaria um dia destes a sulcar os céus europeus, que no fundo a estratégia era "limpar" o espaço aéreo continental e internacional da presença de companhias africanas, o que tem vindo a acontecer, mais por culpa da incompetência dos nossos parentes do que propriamente por força dos desígnios europeus. A Taag foi uma das últimas a resistir a esta "limpeza étnica" ao sul do Sahara.
Aqui fica pois o meu mea culpa por ter defendido a Taag, com a consciência tranquila de quem achou que na altura era a posição mais acertada em defesa dos interesses nacionais (não confundir com interesses governamentais).
Não mudei muito as minhas convicções, mas hoje reconheço que a Taag tem de ser submetida a um verdadeiro tratamento de choque, o que só será possível se o seu proprietário estiver realmente de acordo e interessado, para além das intenções e das comissões que se criam e depois desaparecem "misteriosamente" sem nunca terem apresentado o resultado do seu trabalho.
Este é, certamente, o caso da Comissão que há um ano atrás foi encarregada de estudar e propor a melhor estratégia para o desenvolvimento do sector público do transporte aéreo (Taag e Sonair).
Está mais claro do que nunca que os problemas são profundamente estruturais e muito mais abrangentes do que se pensava , com o dedo apontado a entidade supervisora que nesta altura é o INAVIC.
Foi a ausência de uma efectiva regulação do sector que permitiu que a aviação civil angolana chegasse ao ponto que chegou, depois da IATA ter aberto a porta à interdição de todas as companhias angolanas.
Um mea culpa com a consciência ainda mais tranquila por ninguém me ter encomendado o sermão, que saíu deste "laboratório", numa iniciativa da nossa exclusiva responsabilidade e competência.
Um mea culpa sem culpa formada.

sábado, 15 de novembro de 2008

Revista de Imprensa em manchetes

1-Semanário Angolense
(Se as eleições fossem hoje, ele passaria como faca quente em manteiga)
JES, POIS CLARO!
2- Novo Jornal
FAA e Polícia em força na fronteira com RDC
3-Angolense
(Revelações bombásticas na praça pública)
FIGURAS HISTÓRICAS DESTAPAM VERDADES DO MPLA
4-A Capital
(A Taag tinha, de facto, argumentos para resultar. Mas Nelson Martins foi o único a levá-la para o abismo?)
PESADA DEMAIS PARA VOAR
5- Folha8
(Sob presidência de Jose Eduardo dos Santos)
Angola é governada por comissões
6- Agora
(SÓ EM 2009)
"MILAGRES NA CRIAÇÃO DE 320 MIL NOVOS EMPREGOS

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O País tem um novo jornal chamado "O País" (versão remodelada)

O País tem um novo jornal que é seu xará, embora possuir o mesmo nome possa não passar disso mesmo e não ter outro significado por aí além, podendo até os xarás cultivarem relações de grande hostilidade. Está tudo em aberto.
Este não é certamente o caso dos jornais, quando adoptam as suas designações, os seus títulos, as suas denominações.
Obviamente, ao adoptar-se uma determinada designação está-se a fazer a primeira grande opção em termos de conteúdo.
No título do jornal está de facto a primeira e mais visível referência da sua linha editorial.
Esperemos pois que esta relação que o novo titulo sugere à cabeça se faça sentir sempre e sem excepções. Nos bons e nos maus momentos. No elogio sem complexos e na crítica frontal e fundamentada sem receios estranhos a um país onde os seus habitantes, estando obviamente neles incluídos os jornalistas, já não devem ter nada a temer.
É deste País que falamos onde, em nome da defesa do interesse público, todas as susceptibilidades deveriam vir depois, o que não tem nada a ver com devassa das intimidades, nem com outras violações dos chamados direitos de personalidade.
As pessoas que neste País estão no exercício de cargos públicos, sejam eles quais forem, têm de perceber, de uma vez por todas, que a prestação de contas é uma obrigação inerente ao seu mandato. Têm de perceber, por outro lado, que na imprensa as mensagens funcionam em vários sentidos. A imprensa transmite mensagens oficiais, mas também faz passar as mensagens da opinião pública, sobretudo quando ela está descontente, quer reivindicar ou denunciar.
A função do jornalismo não é servir de correia de transmissão de nenhum poder em particular, seja ele qual for. As folhas e as colunas da imprensa devem estar sempre abertas a todo o País na sua diversidade, nas suas contradições, nos seus inevitaveis choques.
Sem ser negativista, a imprensa, que é independente por natureza e por definição da maior parte das constituições, tem de se preocupar primeiro lugar em ajudar a resolver o que não está bem, em combater o que está mal, em dar voz aos que não têm, em estimular o debate contraditório, pelo que o seu tom crítico é perfeitamente justificável, o que, em tese, não tem nada a ver com propósitos destrutivos inconfessos ou com estratégias oposicionistas.
Agora mais do que nunca, com a paz das armas consolidada, é importante ser-se xará deste País na identificação dos reais problemas (prioritários) que afectam os angolanos e o seu desenvolvimento sócio-económico, para se atingir a paz social. É fundamental ser-se xará deste País na aposta numa democracia de qualidade, depois do regime democrático ter voltado a movimentar-se, na sequência das eleições de Setembro 2008. O peso desta proximidade de nomes deve fazer-se sentir-se no relacionamento em pé de igualdade com todos os protagonistas da cena politico-partidária, da sociedade civil organizada e do quotidiano do cidadão comum na descoberta de novos valores e de novas histórias ofuscados pelo excesso de informação oficial e oficiosa. O novo jornal chama-se “ O País” e é um semanário. Estará na rua todas as sextas-feiras a partir desta sexta-feira, tem gráfica própria (aos que nos dizem uma super moderna gráfica) e vai “alagar” o mercado com uma tiragem de 20 mil exemplares. Enquanto aguardamos pelas notícias frescas do novo “País”, para termos uma noção da sua linha editorial, para além das intenções e das proclamações, o País que gosta de ler e estar informado vai ter certamente mais uma opção. Por si só, este aumento da oferta é muito bom, considerando que é exactamente na diversidade e no pluralismo que reside a solidez e a sustentabilidade de qualquer panorama mediático. Uma vez mais temos, contudo, que lamentar a falta de ambição dos investidores privados que estão a fazer a sua entrada em força no mercado, ignorando o segmento da imprensa diária, onde de facto é urgente a introdução da concorrência. A imprensa privada que o país possui (reflectida sobretudo nos semanários editados em Luanda) é o resultado apenas da carolice e da coragem de grupos de jornalistas angolanos que em condições financeiras particularmente difíceis, tendo por pano de fundo uma permanente hostilidade do “establishment”, souberam dar forma e conteúdo ao principio constitucional da liberdade de imprensa. Depois do “Novo Jornal”, o “ OPaís” é a segunda aposta empresarial, com aparente capacidade para tal, a passar ao lado da necessidade urgente dos angolanos terem acesso a um outro jornal diário. Trinta e dois anos depois, Angola, após extinção por razões políticas do vespertino “Diário de Luanda” em 1976, continua a ter apenas um oficioso matutino nacional, que é o “Jornal de Angola”.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O primeiro "penalty" do (novo) Nandó

O novo Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, fez esta semana em Malange, por ocasião do acto central do 33º aniversário da independência nacional um exercício político bastante estranho, para não utilizarmos outros adjectivos menos simpáticos. “Nandó”, como também é conhecido o segundo homem da hierarquia política do Estado angolano, fez campanha eleitoral ostensiva a favor do seu candidato às próximas eleições presidenciais, que ainda nem sequer foram convocadas. Para além de outras considerações políticas mas também jurídicas, que se possam fazer em relação a este apelo directo ao voto num candidato, fora do período da campanha eleitoral, o espaço físico-temporal utilizado pelo deputado foi, sem dúvida, o menos adequado para o efeito. Com efeito, o Presidente da Assembleia Nacional falava em público num acto oficial de massas organizado pelo Governo para assinalar a principal efeméride da história do país, que é a data da Independência Nacional, o 11 de Novembro de 1975. Convenhamos que esta data é habitualmente entendida em todos os países como sendo a jornada mais apropriada para se celebrarem valores estruturantes como a unidade e a solidariedade nacionais e o amor à pátria. No caso de países como Angola, saídos de prolongados e traumatizantes conflitos internos, a reconciliação nacional é um outro valor estruturante que deve ser igualmente posto em grande destaque, em jornadas patrióticas como o aniversário da independência nacional. Curiosamente, o próprio Nandó chamou muito recentemente a atenção para esta necessidade mais específica no discurso que pronunciou na abertura da sessão legislativa do novo parlamento saído das eleições de 5 de Setembro. Em Malange ele perdeu uma grande oportunidade para continuar a falar (em profundidade) deste grande pilar que é a reconciliação nacional, tendo-se limitado a fazer uma referência positiva muito ligeira aos partidos da oposição (apenas) por terem aceite os resultados eleitorais. Pelo estado da Nação Angolana muito ainda tem de ser feito em prol da reconciliação nacional, da aceitação efectiva da diferença com todas as suas consequências e da coabitação pacífica e em pé de igualdade entre todos os angolanos. De facto parece-nos pacífico admitir que o aniversário da independência nacional era a data menos apropriada para se dar prosseguimento a uma campanha eleitoral que, em abono da verdade, ainda não terminou. Como se sabe e depois das legislativas, a normalização da vida politico-constitucional do país só estará completa quando, no próximo ano, se realizarem as eleições presidenciais, num país que tem a particularidade do seu Chefe de Estado nunca ter sido eleito pelos angolanos. As eleições de 92 acabaram por não ser conclusivas em relação às presidenciais, tendo posteriormente o Tribunal Supremo decidido anular as mesmas. O actual Presidente tem a sua legitimidade baseada apenas numa disposição constitucional de transição adoptada em 1992, segundo a qual o mandato seria considerado válido e prorrogado até a tomada de posse do presidente que deveria ter sido eleito no escrutínio realizado nos dias 29 e 30 de Setembro de 1992. As primeiras eleições presidenciais em Angola terão lugar deste modo no segundo semestre de 2009, 34 anos depois do país se ter tornado independente. É, pelo menos esta, a nossa previsão baseada nos factos disponíveis. Há pois muito tempo pela frente, numa altura em que o próprio “candidato natural” ainda não desfez o tabu por ele criado quando afirmou, há oito anos, que não seria mais o candidato do MPLA às eleições presidenciais. Claramente, em nosso entender, houve da parte de Fernando da Piedade Dias dos Santos uma “precipitação” na alusão que fez ao tema das eleições presidenciais terça-feira na cidade de Malange. Sendo Nandó, o novo Presidente da Assembleia Nacional, a sua figura ainda saiu mais tremida naquela fotografia dedicada a uma jornada politicamente abrangente em que o apelo fundamental deveria apenas chamar-se Angola e os angolanos. Claramente, Nandó cometeu o seu primeiro “penalty” nas novas funções de Presidente da instituição parlamentar, sem haver grande necessidade para tal. No contexto de um país como Angola sem fronteiras internas no plano da actividade político-institucional, onde tudo pode acontecer, o despropositado gesto eleitoralista de Fernando da Piedade Dias dos Santos até passa despercebido. Mas como os árbitros, os eternos mal-amados do desporto, também têm a sua função, aqui fica registada esta falha por parte de quem, sem pretender ser juiz da forma como se faz política entre nós, tem algumas noções de como esta mesma política não deve ser feita, com ou sem maiorias absolutas.