Sinceramente, não encontrei melhor forma para ilustrar a parte mais "selvagem" da intervenção feita esta quarta-feira no parlamento pelo chefe da bancada parlamentar do maioritário. Enquanto Tarzan não chega, o que é facto é que o processo está a caminhar para uma direcção que não é, certamente, a mais recomendável, tendo em conta os prazos que a Constituição prescreve para a realização das eleições. No seminário promovido esta semana pelo Tribunal Constitucional, o seu Presidente, Dr. Rui Ferreira, disse que as eleições podem ser já convocadas nas próximas semanas. O impasse está-se a consolidar, tendo o MPLA emitido esta quarta-feira sinais (quase) definitivos de que o processo preparatório das eleições vai prosseguir "normalmente" com ou sem a presença da UNITA e dos seus aliados, a denominada "oposição radical", que no limite pode ir até a convocação e realização das eleições com o mesmo cenário actual. O braço de ferro é um facto. A Oposição, depois do que aconteceu no Parlamento, vai ter de reagir imediatamente, pois o país precisa de saber como é que vai caminhar daqui para frente. Como sempre em situações deste tipo, alguém de fora tem de ajudar, pois muito dificilmente os protagonistas conseguirão ultrapassar as divergências ou aproximar pontos de vista. Para ajudar nesta abordagem todos são bem-vindos, menos o Tarzan, devido ao conhecimento rudimentar que possui da língua dos humanos, entenda-se, angolanos...

Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

Democracia sem contraditório...


"A ausência do contraditório no diálogo é, verdadeiramente, preocupante. Ainda mais quando os dois únicos espaços de debate na comunicação social pública foram inexplicavelmente encerrados (na TPA e na TV Zimbo). Sem contraditório nenhuma democracia pode progredir e as vitórias cantadas a propósito dos contundentes 82% podem rapidamente evoluir para vitórias de Pirro. Recentemente, tivemos na Assembleia Nacional um bom exemplo de como as coisas se devem conduzir. Através do diálogo foi possível o consenso e afastado, pelo menos de momento, o fantasma da fraude eleitoral que pairava perigosamente na nossa vida política. Mas acredito que, caso não se resolva de modo correcto a questão do acesso à comunicação social pública por parte da oposição e das forças discordantes e incómodas da sociedade civil, este pode vir a constituir um problema muito embaraçoso para a credibilidade das próximas eleições." Fernando Pacheco in "O rumo da Nação III" (Novo Jornal/16-12-12)