quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

As makas na comunicação social seguem dentro de momentos...


Cerca de dois anos depois de ter sido afastado do cargo de Ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais (MR), continua a ser notícia, com o seu nome a ser frequentemente apontado e citado, como estando na origem (bastidores) dos mais diversos ataques na imprensa e campanhas subterrâneas contra a pessoa da sua substituta, Carolina Cerqueira, e por tabela contra as novas administrações das empresas públicas do sector.
Para já a única reacção pública que se tem destas movimentações foi a do PCA da TPA, António Henriques da Silva, que na sua página do Facebook publicou esta semana o fac-simile de uma matéria que faz parte da última edição do Folha-8 com o título “Carolina Cerqueira também na corda bamba”.
O jovem “boss” da TPA lamenta no seu mural o que considera ser uma agressão contra Carolina Cerqueira, que segundo ele foi a única lesada, referindo-se depois às ameaças contidas no referido texto contra a sua pessoa que é apontada como sendo o próximo a merecer as atenções dos seus anónimos autores.
O “morrodamaianga”  soube que Manuel Rabelais, que já terá sido convocado por uma instância do MPLA, de que é membro do seu Comité Central, para esclarecer estas e outras acusações, tem-se demarcado das mesmas e desmentido o seu envolvimento em acções tidas como sendo de carácter marcadamente conspirativo e ilegal.
As tentativas feitas para chegar a fala com MR não têm tido o melhor sucesso, mesmo com os bons ofícios de um seu antigo colaborador mais directo que continua a trabalhar na Rádio Nacional e que é tido como sendo a pessoa que lhe é mais próxima nos meios jornalísticos.
Ao que consta, Rabelais terá ficado particularmente agastado com a sua antiga colega de banca, sobretudo por ela não o ter contactado depois da substituição verificada, para tratar de um conjunto de planos e projectos que já estariam em marcha adiantada durante o seu consulado, com destaque para aqueles relacionados com a área do imobiliário.
O advogado de MR tem estado agora a tentar resolver a favor do seu cliente alguns dos “pendentes”, tendo havido já alguns avanços, nomeadamente em torno da disputa de um valiosíssimo terreno pertença da Rádio que se encontra na Restinga do Lobito e que estava destinado à construção de um condomínio para os trabalhadores da emissora governamental.
Este blog soube ainda que o antigo Ministro, que em privado não esconde a sua animosidade para com Carolina Cerqueira em termos particularmente virulentos, ter-se-á queixado a um alto dirigente do seu partido de que já estaria mesmo “a passar fome”, como resultado do suposto ostracismo a que foi votado. 
Uma das acusações que circulou pela Internet e não só, referia a realização de uma reunião na sua casa no dia 3 de Novembro com a participação de todos os antigos membros que dirigiram a RNA antes dele ter sido demitido, em Fevereiro do ano passado.
De acordo com esta informação, o propósito do encontro foi o de reforçar as acções visando o descrédito da Ministra através de todos os meios, incluindo o recurso à própria sabotagem técnica.
 “Apelamos as autoridades para que levem a serio essas ameaças de sabotagem. Investiguem antes que seja tarde. E preciso reforçar a segurança da rádio, dos seus emissores e de todas as emissoras províncias. Depois não digam que não avisamos”- destaca uma das passagens da preocupante e perturbadora mensagem.
Fonte oficial afecta à direcção da RNA disse a este blog que o conteúdo desta mensagem foi levado muito a sério, pois, efectivamente, foram constatados sinais comprovativos da concretização da ameaça veiculada.
Como facilmente se pode concluir pelas informações que circulam, quer as publicadas, quer as outras a que o morrodamaianga tem tido acesso de boa fonte, logo a seguir à Ministra, as atenções desta “ofensiva permanente” supostamente instigada por MR, estão concentradas na administração da Rádio Nacional de Angola (RNA) e muito particularmente na pessoa do seu PCA, Pedro Cabral.
Este último, que parece ter perdido a iniciativa, na avaliação de fontes convergentes conhecedoras do dossier, corre o risco de ser completamente acantonado, depois de ter já recuado em toda a linha diante das crescentes pressões dos antigos principais colaboradores de MR na RNA, que acabaram por ser todos nomeados assessores, incluindo o próprio ex-ministro. 
Os sinais de aparente fraqueza e vulnerabilidade que já se confundem com medo, exibidos pelo PCA da RNA, estão, ao que tudo parece indicar, de acordo com as fontes deste blog, a ser devidamente exploradas e aproveitadas por uma “oposição interna” que tem crescido a olhos vistos tanto em ousadia como em agressividade.
 O morrodamaianga teve conhecimento que algumas pessoas afectas à tal “oposição” já se dão mesmo a alguns luxos, como o de transmitir recados pouco amistosos de MR ou de ameaçar directamente Pedro Cabral com a publicação de mais cartas anónimas na imprensa, com alegadas informações incómodas sobre a Ministra e os administradores da estação da Comandante Gika.
Pelo menos duas destas cartas, assinadas por um “colectivo de trabalhadores da RNA”, já foram publicadas na imprensa, não tendo o órgão que as publicou, segundo lamentou uma fonte afecta ao Ministério da Comunicação Social contactada por este blog, procurado junto dos acusados obter qualquer reacção, no âmbito do que recomendam as boas práticas do jornalismo responsável e a própria legislação em vigor.
O conteúdo da última missiva do “colectivo dos trabalhadores da RNA” é assim o mais recente acto de uma peça que está claramente a ser ensaiada e montada nos bastidores, com o propósito de não dar o mínimo sossego à Carolina Cerqueira e à sua equipa, restando agora saber quais serão as cenas dos próximos capítulos.
Cerca de dois anos depois de MR ter sido apeado com todo o estrondo que se conhece e no meio das mais graves acusações relacionadas com a má gestão da coisa pública, particularmente na RNA e na TPA, o que é facto é que nada lhe aconteceu, depois do Tribunal de Contas ter concluído a auditoria àquelas duas empresas estatais.