quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mais um aviso à navegação dos pobres?(actualizado)

Para além do humor que transpira deste "cartoon", se lhe acharem alguma piada, apenas gostaríamos de saber se o Governo já estabeleceu algum prazo para dar cumprimento a mais este desafio, que, como é evidente, não está minimamente ao seu alcance, nos próximos 100 anos.
A não ser, que a eliminação dos musseques seja só e isso mesmo.
Se for assim, então, felizes da vida, vamos todos viver no asfalto!
Abaixo o musseque e os seus seguidores, os mussequeiros!
Saravá!
[PS1- Já agora pergunte-se às perfeituras do Rio de Janeiro e da Cidade do México como é que elas pensam acabar com os seus musseques (favelas) que todos os dias crescem mais um bocadinho.
PS2- Com estas e com outras, o executivo angolano ainda se arrisca a ganhar o prémio do melhor governo do mundo... a mandar bocas!
PS3- Descobrimos que o Ministro tem uma visão algo restritiva do conceito musseque.
Para JF "os musseques surgiram porque houve ânsia das pessoas saírem de zonas em guerra e concentramo-nos todos nas grandes cidades, principalmente em Luanda. As pessoas construíram as suas habitações sem as condições necessárias."
A malta do Marçal, por exemplo, não vai gostar muito desta definição.
PS4- A guerra já terminou há oito anos e para já nada nos garante que a malta do interior tenha deixado de rumar para as grandes cidades do litoral, com Luanda à cabeça.
Nesta nova etapa do êxodo rural, que prossegue dentro de momentos, já não há zonas de guerra. As pessoas deixam as comunas, municipios e mesmo as capitais de provincia à procura de soluções para os seus gravíssimos problemas sociais. Soluções que não encontram nas suas bwalas.
A primeira grande acção estruturante para se acabar, a longo prazo, com os musseques em Luanda e não só, é travar este êxodo rural, o que só será possível com grandes investimentos públicos e privados nas "zonas de guerra" do interior que provoquem o desenvolvimento, melhorando a sua capacidade de resposta às necessidades multifacetadas das suas populações, começando pela oferta de emprego de qualidade.]

Dia Mundial da Saúde sob o lema Urbanização e Saúde

MENSAGEM DO DIRECTOR REGIONAL DA OMS PARA ÁFRICA POR OCASIÃO DO DIA MUNDIAL DA SAÚDE 2010 7 de Abril de 2010 "Ao assinalarmos hoje o Dia Mundial da Saúde, subordinado ao tema Urbanização e Saúde, gostaria de aproveitar esta oportunidade para chamar a atenção relativamente aos perigos para a saúde pública que a urbanização apresenta, e como estes poderão ser abordados nos países da Região Africana. As cidades proporcionam grandes oportunidades para a prosperidade das pessoas e famílias. Ao mesmo tempo, a maioria dos habitantes citadinos vive em condições que os expõem a perigos extremos, que afectam tanto a sua qualidade como a sua esperança de vida. Aliás, em muitos países da Região Africana, a urbanização tem vindo a ultrapassar a capacidade dos governos em disponibilizarem a infra-estrutura necessária para tornar a vidas nas zonas urbanas segura e saudável. Calcula-se que quase metade da população urbana em África sofra de pelo menos uma doença atribuível à falta de água segura e de saneamento adequado. Todos os anos, nada menos do que sessenta (60) cidades registam um surto de cólera. Os governos enfrentam o enorme desafio de garantirem que serviços essenciais, como cuidados de saúde, abastecimento de água, habitação e gestão dos resíduos sólidos, são adequados para corresponder às necessidades das populações. Estes problemas são agravados pelo rápido crescimento e o alastrar de bairros de lata em muitas cidades. O sobrepovoamento e a qualidade geral das habitações nestes bairros de lata, onde vive a maioria da população, são motivo de profunda preocupação. As pessoas que vivem na pobreza, em zonas que carecem de planeamento urbano, sofrem, de forma desproporcionada, de toda uma variedade de doenças. Uma alimentação pouco saudável e a falta de exercício físico nos habitantes citadinos afectados pela pobreza, contribuem para uma aumento do risco de doenças não transmissíveis, tais como obesidade, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Devemos ter sempre em mente que a saúde é um direito que assiste a cada ser humano e que os seus determinantes podem ser influenciados de forma positiva. Um crescimento urbano cuidadosamente planeado pode promover um desenvolvimento construtivo da população e contribuir para melhorar o seu estado de saúde. Cabe aos indivíduos, sociedade civil e governos o papel e a responsabilidade de defender este princípio. Investir no transporte activo; promover uma dieta saudável, a segurança alimentar, o planeamento urbano e a actividade física; fazer cumprir as leis antitabágicas; melhorar as condições de vida e de trabalho, incluindo a habitação, abastecimento de água e saneamento básico; e disponibilizando comodidades e serviços que promovam as actividades recreativas, serão bastante úteis para ajudar a atenuar os risco de saúde nas cidades. É fundamental que o público em geral e a população urbana em particular adoptem estilos de vida mais saudáveis, praticando uma actividade física regular, tendo uma alimentação saudável e reduzindo o consumo de tabaco e de álcool. Pela sua parte, a OMS continuará a trabalhar junto dos governos, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento, para promover a elaboração de políticas e de medidas para alcançar resultados sustentáveis em matéria de saúde nas cidades."

domingo, 4 de abril de 2010

Entre o Cuito Cuanavale e o 4 de Abril com a Páscoa pelo meio

Em termos de simbologia o Cuito Cuanavale (CC) rima muito mal com o 4 de Abril. Quem faz o discurso do CC dificilmente poderá fazer, com alguma coerência, o do 4 de Abril, porque de facto são dois acontecimentos que se opõem frontalmente. Haverá, certamente, outras leituras mais "poéticas" deste relacionamento. O que é facto é que o primeiro discurso, o do CC, a nível oficial, continua a ser preponderante. É claramente mais importante. O discurso oficial celebra com muito mais autenticidade e entusiasmo as batalhas do passado do que o fim do conflito. Kifangondo e Cuito Cuanavale que já têm memoriais falam bem desta "paixão". O Presidente discursa na homenagem ao CC, mas não se lhe ouve uma palavra por ocasião do 4 de Abril. Enquanto isso, todos parecemos estar de acordo que o 11 de Novembro de 1975 e o 4 de Abril de 2002 já são neste momento as duas datas mais importantes para Angola e o conjunto dos seus habitantes, independentemente de todas as diferenças e divisões que nos separam, mas também nos enriquecem. No meio destas duas datas, que se excluem no seu sentido (sentimento) mais profundo, temos este ano, a coincidir com o 4 de Abril, a celebração da reunificadora Páscoa cristã que tem a ver com o renascimento do símbolo maior do cristianismo: Jesus Cristo, o Príncipe da Paz. No seu significado original Páscoa quer dizer “passagem”. A passagem de Angola rumo ao futuro, só pode apontar numa direcção que tem a ver com o 4 de Abril e nunca com o Cuito Cuanavale. Angola, note-se, não possui um monumento que celebre a sua independência como uma conquista de todos os angolanos. Aonde é que está? Angola ainda não edificou um monumento que homenageie a conquista da paz definitiva como a grande vitória de um país inteiro que andou cerca de três décadas a tentar acabar consigo mesmo. Aonde é que está? No meio do CC e do 4 de Abril, este ano, estamos certos, a maior parte dos angolanos acabou apenas por celebrar a Páscoa cristã com alguma fé no futuro e no milagre da paz. Os cristãos acreditam em milagres... ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Comentários Foi realmente uma coincidência muito estranha que o PR tenha priveligiado o elogio dos feitos da guerra, comprovados, ou não, por ocasião das celebrações do 8º aniversário da paz, a 4 de Abril, com um inusitado discurso sobre a batalha do Cuito Canavale, cuja interpretação tem suscitado muita polémica. Infelizmente este episódio da vida política nacional passou a margem da quase totalidade da Imprensa. Na verdade o partido no poder faz - e sempre que pode recorda aos antigos inimigos com arrogância - a celebração da pax romana.A praxis da força e o autoritarismo, ao invés da tolerância, do pluralismo e do diálogo, continua a ser um marca registada do regime, como o demonstraram as recções do governo face as manifestaçõe de protesto contra as demolições abusivas de casas e populares em Benguela e na Huíla. Com este estranho episódio fica difícil explicar a " originalidade de processo de paz angolano" constantmente realçada dentro e fora das fronteiras, como o fez recentmente o ilustre vic-presidente da AN, JL na assembleia inter-parlamentar de Bangkok, Tailândia. Mário PAIVA

sábado, 3 de abril de 2010

Cuito Cuanavale, 22 anos depois... (actualizado)

A propaganda, a manipulação e a desinformação continuam a ser mais fortes. A história vai ter de esperar, de preferência bem sentada para não se cansar muito, para não se desesperar com tantos adiamentos. Os milhares de jovens angolanos que morreram na campanha, mais de 4 mil (só do lado das FAPLA), continuam a ser os grandes esquecidos. Cuito Cuanavale não foi apenas uma batalha. Foi uma campanha que durou vários meses(Dezembro87/Março 1988). Pelo que todos sabemos a campanha foi uma iniciativa estratégica do Governo/FAPLA e destinava-se a desalojar a UNITA da Jamba, o seu quartel-general. Como todos também sabemos este grande objectivo não foi conseguido. Em defesa do seu aliado da época, a UNITA, os sul-africanos entraram na "porrada" exactamente para impedir que as FAPLA chegassem à Jamba. Tudo o resto, até ver, são apenas versões (memória) da história contadas pelos seus protagonistas, que, por razões óbvias, não podem sózinhos fazer essa mesma história. A memória, para além de ser fragmentada, é pessoal e trai-nos todos os dias, quando não somos nós mesmos, e de forma deliberada, a traí-la, sobretudo quando se trata de políticos que assumiram responsabilidades em momentos particularmente conturbados da vida dos respectivos países. Um livro de memórias tem sempre um valor muito relativo do ponto de vista da objectividade. Um livro de memórias é apenas um contributo, um subsídio. A história é assunto mais sério. É para investigadores, é ... para historiadores que em meu entender são pessoas que não podem ter preocupações políticas com o passado. O passado é mesmo e só passado. As gerações futuras precisam apenas de saber o que realmente se passou (causas e consequências) e como se passou. Este é o grande compromisso da história e dos historiadores. É verdade que o inicio da caminhada para a independência da Namibia e para o fim do apartheid foi uma consequência política do que se passou no Cuito Cuanavale. Mas também é igualmente verdade que, na mesma linha de raciocínio, a saída das tropas cubanas de Angola, o fim do regime marxista angolano e a abertura do país ao multipartidarismo com a realização em 92 das primeiras eleições, também foram uma consequência do que se passou no Cuito Cuanavale. É assim tão difícil admitir tudo isto? É assim tão complicado para a imagem deste regime meter tudo no mesmo pacote chamado Cuito Cuanavale? O que é mais do que "certo", conforme reconheceu nos últimos dias o Presidente José Eduardo dos Santos, "é que depois da Batalha do Cuito Cuanavale nada ficou como antes na nossa região". Mas nada mesmo, acrescentaríamos nós, com os olhos postos na realidade política angolana, que de lá para cá sofreu uma alteração de 360º, mesmo se em muitos aspectos, esta completa reviravolta ainda continua a ser mais cosmética do que efectiva. Os recentes acontecimentos do Lubango e de Benguela estão aí para demonstrar que, mesmo com a entrada em vigôr da nova Constituição, o discurso político e a prática institucional em Angola ainda não fizeram as pazes. O processo negocial (agora apenas no seio do regime) continua até ao momento sem produzir resultados mais definitivos e convincentes ao ponto de já termos lido desbafos como este: " A 3ª República é apenas e tão somente mais um embuste!" Sintomático. ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: 1 comentários: Camilo disse... Amigo W. Dadá... Este é mais um "mistério"... a juntar ao do "Fraccionismo". "Estive" presente em ambos. Um Abraço. 4 de Abril de 2010 01:54 Anónimo disse... Afinal quem ganhou essa guerra? Vimos no Luena a Unita de rastos e os Kamorteiros e Gatos em estado lastimável cheios de piolhos... As imagens são indesmentíveis!!! O resto de kuitos... São pura conversa para esconder a derrota dos que veladamente defendiam o regime racista na RSA. 6 de Abril de 2010 07:39

sexta-feira, 2 de abril de 2010

É (mais ou menos) assim que Bento XVI tem encarado os escândalos sexuais na sua Igreja

Esta imagem de Bento XVI vale muito mais do que mil palavras. Nas nossas contas, deve valer quase toda a história do desempenho da mais alta hierarquia da Igreja Católica, ao longo dos séculos, desde J.C. bazou, no ano zero/33 da nossa era.

O cartoonismo internacional tem um novo aliado em África

A Guiné-Bissau não é um estado falhado, como a Somália. É muito mais do que isso, porque os seus habitantes, os seus políticos e os seus militares não querem declarar a sua falência, não querem reconhecer que a GB está a caminho do abismo. A Guiné-Bissau, por isso, é a caricatura de um país. A Guiné-Bissau é um buraco. A Guiné-Bissau é um beco sem saída. Sorry Manecas Costa por estar aqui novamente a escrever estas "barbaridades" da tua GB, mas não encontro outra linguagem mais "poética" para falar de um país, onde meia dúzia de militares com boinas vermelhas aos berros e a falarem uma língua parecida com o português, fazem o que bem lhes apetece sempre que quiserem ou tiverem vontade. Isto não pode ser um país... Eu tenho uma outra noção de país, que também não tem muito a ver com aquele onde nasci, cresci, vivo e quero morrer.

Paulo Flores vai actuar este fim-de-semana em Cape Town

11th Annual Cape Town International Jazz Festival
The Cape Town International Jazz Festival has grown into a hugely successfuinternational event since its inception in the year 2000. Attendance figures have increased from the initial 14 000 to 32 000 in the last ten years. Melodytrip has ranked this proudly South African event as No.4 in the world, outshining events such as Switzerland's Montreaux Festival and the North Sea Jazz Festival in Holland.The festival’s winning formula of bringing more than 40 international and local artists to perform over two days on five stages has earned it the status of being the most prestigious event on the African continent. Known as Africa's Grandest Gathering, the festival which will be in its eleventh year when it takes place on Saturday 03 and Sunday 04 April 2010 at the Cape Town International Convention Centre. Once again Cape Town International Jazz festival will thrill loyal and new fans with world class music. [Jonathan Butler with special guests RICK BRAUN and Richard Elliott (RnR) Vusi Mahlasela Rachelle Ferrell Selaelo Selota Michaela Rabitsch & Robert Pawlik Quartet Judith Sephuma Lira George Benson - With a 28 piece orchestra Mezzoforte Musa Manzini The Glenn Robertson Jazz Band Stix Hojeng Regina Carter's “Reverse Thread” The Gauteng Jazz Orchestra Delft Youth Big Band conducted By Ian Smith Ronny Jordan Organ Trio Paulo Flores Jeff Lorber Allou April Sammy Hartman Project feat Robbie Jansen and Ezra Ngcukana Toots Thielemans Quartet McCoy Tyner with special guest GARY BARTZ Charles Lloyd New Quartet featuring Jason Moran, Reuben Rogers, and Eric Harland Mervyn Africa 'Kaapse Finale' Makeson Browne and Akoustik Knot feat. Johan Hørlen Brooklyn Funk Essentials Iridium Project BLK JKS TKZee SOIL & "PIMP" Sessions MiKANiC with special guests Zolani Mahola and Buddy Wells LA MELODIA Bilal Kesivan & The Lights: Instigators of the Revolution feat. Feya Faku The Bokani Dyer Trio Tete Mbambisa’s Big Sound Amanda Tiffin The Bad Plus Marcus Wyatt and Language 12 Jason Moran and the Bandwagon Melanie Scholtz]

quarta-feira, 31 de março de 2010

Quando este país já nem uma merenda escolar consegue garantir...

Bocas de crianças e adultos 1-“Era bom que nos dessem mais merenda na escola para não estudarmos à fome.” 2-"O Governo tem que nos dar merenda, porque ajuda a estudar melhor.” 3-“Quando sinto fome no período de aula, durmo muito na sala e arranjo sempre problemas com os meus professores.” 4-“Já vos disse que não posso vir à escola sem lanche.” 5-“A minha mãe tem de acordar cedo para fazer o lanche do Nuno, se não ele não aceita vir à escola.” 6-“Com a suspensão da merenda escolar, vai adiar ainda mais o rendimento escolar dos alunos do ensino primário, a julgar pela razão da iniciativa, que defendia colmatar tal problema.” 7-“A Lactiangol não deixou de prestar o seu serviço, mas os nossos clientes é que deixaram de honrar com os seus compromissos, no que toca à cabimentação orçamental afim” 8-“Só não podia continuar a fazê-lo de favor, para não pôr em causa o rendimento da empresa”.

Carolina Cerqueira apresenta o seu (arejado) pensamento

(...)
Constatamos com preocupação que a qualidade jornalística e obviamente a qualidade editorial da nossa comunicação social, tanto pública como privada carece de mais inovação em termos de pesquisa, de isenção, de respeito pela verdade dos factos, de investigação, de divulgação de conhecimentos, de valores culturais e de princípios de identidade, suportes essenciais para o desenvolvimento socioeconómico sustentado do futuro. O profissionalismo jornalístico, expresso na pretensão da veracidade deve expressar na sua objectividade. (...) A regulamentação do vasto pacote legislativo que irá traçar o figurino de actuação da comunicação social à luz dos desafios e propósitos da III República é uma tarefa que envolve já os representantes da classe de todos os órgãos da Comunicação Social públicos e privados, de forma a que os direitos da classe sejam legalmente protegidos mas que os seus deveres não permitam a proliferação de informações caluniosa que atentam muitas vezes contra a moral pública, a integridade e a dignidade das pessoas, o desrespeito pelos titulares dos órgãos de soberania a própria soberania do Estado e a unidade Nacional. (...) A Comunicação Social tanto pública como privada não podem estar alheias ao processo de moralização da sociedade e a cultura de prestação de contas e de respeito pelo erário público. A promiscuidade que verificamos na gestão financeira e na gestão de recursos humanos terá que ser saneada para iniciarmos uma nova era de responsabilização e de probidade administrativa. A falta de rigor organizacional é outra lacuna que torna vulnerável actos de injustiça e instabilidade social. Os média podem e devem promover a cultura de responsabilização e de prestação de contas, ajudar a cultivar o espírito de cidadania, de inclusão e de participação, estimular a auto estima e acarinhar a criatividade dos angolanos. Todos estamos conscientes que os média são cada vez mais um elemento incontornável na formação das culturas, de socialização e na constituição de personalidades assumindo uma responsabilidade importante no estabelecimento da força coesiva que garante a integração social, independentemente da participação dos agentes sociais. (...) Os média dispõem de uma capacidade que pode despoletar dinâmicas sociais alternativas tendentes a aprofundar o exercício da democracia e é nesse sentido que apelo a todos para uma cultura nova na conduta dos jornalistas, cultura que promova a inclusão e a participação de todos na construção da nova Angola, cultura que promova e acarinhe o esforço de todos os angolanos, desde o mais humilde aos esforços de desenvolvimento nacional, atitude que reprove os actos de violência, em todas as suas dimensões e que seja capaz atraves de exemplos positivos de contribuir para a educação civica das populações, complementando o papel da familia, da Escola e da Igreja, enquanto mecanismos que tambem asseguram a regularidade nas dinâmicas sociais. O que torna a Comunicação Social mais forte e pluralista é garantir uma comunicação que previlegie uma relação dinamica com o público, aberta à critica e à partilha de saberes, ao confronto de opiniões e de argumentos e à pluralidade de discursos, numa base de segurança, confiança e respeito pela diversidade. (...)
Enquanto espaço público, os media deverão desempenhar um papel importante como espaços de aprofundamento de cidadania, interagindo com a sociedade civil como instância de mediação entre o público e o privado, contribuindo para uma globalização de cultura, expondo-se aos ventos das mudanças que auxilia o aprofundamento da democracia, o reforço das instituições de forma a responder inteligentemente a fluidez das dinamicas sociais. A relação local/global resultante da articulação entre comunidades e espaços públicos, e uma cultura politica global informado pelos papeis da diversidade, do respeito pelos actos humanos e na universalidade no reconhecimento das pretensões legitimas não será realidade sem reconhecimento de uma dimensão cívica na actividade dos media, que assegurem o pluralismo e a equidade, o aprofundamento de uma reflexão acerca do modo como o próprio jornalismo pode influenciar positivamente a vida pública.
(...)
Por exemplo verificamos que as noticias do trabalho jornalístico, na abordagem das questões da violência estão mais orientadas para a cobertura e tratamento do que é pontual e episódico do que para o contexto em que os acontecimentos ocorrem. As poucas tentativas de descrever um tema com mais profundidade são geralmente desprovidas de sistematicidade e pouco incisivas. Aquilo que geralmente é transmitido ao público é a localização dos acontecimentos, os indivíduos que nele estão envolvidos e pormenores, com frequência, estes elementos ocupam, automaticamente o 1º lugar na memoria dos destinatários enquanto que a causa dos acontecimentos permanece em fundo. O que dai resulta é uma memória fragmentada , cheia de pormenores isolados e a que falta o contexto. Cai-se assim num ciclo vicioso e normalmente a abordagem dos temas sobre a violência são mais sensacionalistas do que educativos, suscitando mais curiosidade do que repulsa. Sensibilizar e consciencializar a população assim como potenciar acções de apoio social que contribuam para superar o impacto de uma situação de violência, é o desafio que lançamos a cada um de vós, conscientes de que será possível assim fazer uma informação mais humana e mais adequada a actual conjuntura nacional.
(Extractos da intervenção pronunciada pela Ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira, no encerramento do Seminário sobre Violência na Sociedade que decorreu sob o lema :" Informar, Prevenir e Intervir".)
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3 comentários: Anónimo disse... DISCURSO BONITO tal e qual o camarada Eduardo dos Santos. Das palavras à realidade, ha uma distância entre Marte e a Terra. 31 de Março de 2010 09:23 Anónimo disse... É DESSA VEZ QUE A Dr.CAROLINA CERQUEIRA TEM DE PROVAR O QUANTO VALEM AS MULHERES. se fracassar no Ministério, passa-se o CERTIFICADO DE INCOMPETÊNCIA A TODAS AS MULHERES ANGOLANAS. Tem tambem a missao de equilibrio do género nas Empresas públicas do sector, ate nos telejornais e noticiários da RNA tem d haver vozes femininas. Queremos mulheres a participar nos debates aos sábados, mulheres a fazerem relatos de jogos de futebol, basquetebol, andebol, voleibol, etc. 31 de Março de 2010 12:03 Assídua disse... Devia comentar o post, mas vou "comentar" o que escreveu o anónimo das 12:03. Se a competência das mulheres angolanas será "avaliada" pelo desempenho de uma Ministra, menos mal. No entantanto o "CERTIFICADO DE INCOMPETÊNCIA DOS HOMENS ANGOLANOS" já foi passado há mais de trinta anos, e é carimbado todos os "Santos dias"(para actualização). O mais recente carimbo foi o comportamento face a possível manifestação em Benguela!!!!! 31 de Março de 2010 14:49

segunda-feira, 29 de março de 2010

Parabéns Folhinha!

Faço parte do primeiro grupo de escribas que em 1995 deu corpo ao Folha8, o nosso “Folhinha”, numa altura em que acabávamos de perder o Ricardo de Mello (RM), vítima da intolerância endémica, que se mantém até aos dias de hoje, tendo apenas os seus mentores mudado de táctica, com a utilização de métodos menos violentos. O Folha 8, na sequência do prematuro desaparecimento do pioneiro e temerário Imparcial Fax do Ricardo de Mello, surge na altura como a única referência da emergente imprensa livre da tutela político-partidária do recente passado monolítico que ainda era demasiado presente. Era e lamentavelmente continua a ser, depois de todos estes anos, com todas as mudanças cosméticas que se conhecem, mas que não resistem ao primeiro abalo, como ficou novamente bem evidente, com o caso das demolições no Lubango e em Benguela e as intervenções musculadas dos respectivos governos locais, sob o olhar silencioso do poder executivo central. Há 15 anos, o assassinato até hoje não esclarecido de RM, foi um claro aviso à navegação de todos quantos se movimentavam no território dos “médias” com outros propósitos menos concordantes com a orientação geral do Big Brother. O sanguinário aviso, pelos vistos, não funcionou como era suposto, quando foi programado. Não foi suficientemente convincente, porque mais forte e determinada já era a vontade de continuar a fazer o jornalismo livre de qualquer correia de transmissão, averso a qualquer colete-de-forças, alérgico a qualquer rolha ou mordaça. Nada mais seria como dantes. E não foi mesmo. Menos de um ano depois da tragédia que abalou o jornalismo angolano com o assassinato de Ricardo Mello, surgia nas bancas o Folha-8, que de lá para cá, com todos os altos e baixos que se conhecem, nunca mais se calou. O “Folhinha” é importante destacar aqui, abriu caminho à criação dos outros semanários que viriam dar corpo ao que é actualmente o dinâmico e interventivo segmento da imprensa privada angolana, sem dúvida um dos mais autênticos, independentes e produtivos pilares da nossa imberbe e decepcionante democracia. É pois inegável e incontornável a importância do projecto que Wiliam Tonet soube criar com o apoio de todos nós, os seus co-fundadores, no contexto da própria história da evolução do jornalismo angolano rumo a sua afirmação como um espaço de liberdade, independência, seriedade e responsabilidade. Do lado que nos compete, é bom reconhecer nesta hora de balanço, trata-se de uma evolução que ainda está longe de estar concluída de forma satisfatória. Continuamos a ser confrontados com demasiados amargos de boca que hoje já não se deveriam justificar e que só nos podem aconselhar a sermos cada vez mais profissionais, que é a única ferramenta que os jornalistas têm ao seu alcance para vencerem a batalha da sua própria credibilização. Mil edições e 15 anos depois, o Folha 8 está aí bem vivo. Parabéns! (Este texto foi publicado no Folha8 na sequência de um pedido que me foi formulado pela sua direcção no âmbito do aniversário assinalado pela referida publicação) ********************************************************************************* 4 comentários: Koluki disse... Parabens e votos de muitos anos de vida! 29 de Março de 2010 20:08 Nguimba Ngola disse... Também falei do Folha8 na página cultural e postei no meu blog.Parabéns mais uma vez ao WT e sua equipa. 30 de Março de 2010 08:28 Anónimo disse... O lamentável é constatar que ao longo destes anos, o que WT conseguiu, foi fazer um MAU JORNAL em todos os aspectos, desde o gráfico ao conteúdo, tendo sido assim ultrapassado por todos os outros que vieram a seguir. Sem esquecer a sua mentecapta veia rácica, autor das tristemente célebres expressões "aborígene" e "autóctene". De jornalecos como esse, Angola não precisa e é de lamentar que o "respeitável" Telmo Augusto se tenha por lá misturado e que, já depois de ter saído, graças a Deus ! - lhes venha prestar homenagem... 31 de Março de 2010 13:25 Wilson Dadá disse... Nãp percebi as aspas colocadas no meu "respeitável" nome.Quanto ao resto, devo confessar-lhe, sem pretender desvalorizar a sua avaliação sobre o Folha8, que há coisas muito piores neste país e ninguém olha para elas com olhos de ver. 31 de Março de 2010 17:59

Para quê mais um porta-voz?

De facto, se no mundo há governos bem servidos e a "custo zero" em matéria "portavólica", o nosso será certamente um deles e bem na linha da frente.
O esmerado serviço que neste domínio os MDMS (RNA, TPA, JA e ANGOP) prestam ao Governo é absolutamente extraordinário e dificilmente encontra paralelo no nosso planeta.
O atendimento das necessidades comunicacionais do Governo chega ao ponto das declarações menos bem conseguidas dos seus titulares serem retocadas através de truncagens e colagens, como aconteceu agora muito recentemente com Higino Carneiro no Lubango.
Chegamos a esta conclusão depois de termos confrontado as declarações feitas na mesma ocasião por Higino Carneiro e transmitidas pela RNA e a TV/Zimbo.
O resultado não foi o mesmo, porque a RNA, por via da edição do material gravado, fez deslocar uma frase do deputado de um local para o outro, o que permitiu alterar o sentido da sua declaração, dando mais força ao apoio concedido ao Governador da Huíla.
Este é apenas um pequeno exemplo da grande utilidade que os MDMs possuem como auxiliares directos do Governo na sua função de comunicar.
Será este o conceito que se tem do previsto serviço público de rádio e televisão independente e qualitativamente competitivo que o Estado, ao abrigo da nova Constituição, se comprometeu a assegurar?
De facto, com tanta assessoria, para quê mais um porta-voz?
É claro que com uma tal oferta e entrega (fidelidade) dos MDMs à causa do regime, o Governo de JES não sente qualquer necessidade de ter alguém com esta função mais específica.
Seria puro desperdício e até poderia complicar ainda mais a manobra de bastidores do governo, pois a curiosidade legítima dos jornalistas através das perguntas que colocam aos porta-vozes é sempre um problema para qualquer entidade pública.
Imaginem para as nossas?
Contrariamente ao que era nosso entendimento e depois de Aldemiro Vaz da Conceição ter sido nomeado para a chefia do novo Gabinete dos Quadros da Presidência, Mena Abrantes não o vai substituir na sua anterior função de Porta-Voz, onde o desempenho do nosso Tininho também já era muito pouco visível, se tivermos como paradigma a actuação de alguns dos seus homólogos em outros países por este mundo.
Mena Abrantes, pelos vistos, vai fazer muita coisa na área da comunicação institucional e do relacionamento com a imprensa, menos ser porta-voz do Presidente da República.
O governo JES vai continuar assim "mudo" como até agora.
Os MDMs estão aí para o que der e vier...

sábado, 27 de março de 2010

(Flashback-Março 2008) Em memória dos milhares de jovens tombados no Kuito Kwanavale

(...)Gostaríamos de recordar aqui, a propósito da Batalha do Kuito Kuanavale, os milhares de jovens angolanos que durante toda aquela campanha (que demorou cerca de um ano) pereceram, foram trucidados pelos canhões famintos de carne humana, desapareceram de vez dos mapas das suas famílias e dos seus amigos.
Muitos deles, se calhar, ainda nem sequer tinham atingido a maioridade. Sem falar dos mutilados, as contas não oficiais admitem que o número de baixas mortais das FAPLA tenha ultrapassado as quatro mil. De fonte oficial apenas e muito vagamente, se ouviu dizer que a brigada 47 foi completamente destroçada. Na evocação oficial da batalha do Kuito-Kuanavale que dominou os noticiários da semana passada, estes milhares de jovens angolanos foram os grandes esquecidos o que não é aceitável, nem compreensível. Chega a ser revoltante, a trazer-nos de volta um conceito amargo chamado “carne para canhão”. Antes de mais, seria em homenagem da sua memória e da sua morte sem glória que qualquer monumento ao Kuito Kuanavale, ou a outra batalha qualquer travada por estas inóspitas paragens, deveria ser dedicado com a inscrição na lápide fria de todos os seus nomes, à semelhança de outros memoriais que já vimos por este por mundo fora. Para nós o mais expressivo é aquele que está em Washington, onde constam os nomes, por ordem alfabética, dos 50 mil norte-americanos tombados em combate no Vietname no quadro da mais desastrosa aventura internacional patrocinada (promovida) pelos governantes dos EUA. Um novo memorial do género já deverá estar, entretanto, em preparação para “acolher” os quatro mil soldados norte-americanos que tombaram no Iraque e no Afeganistão em cinco anos de invasão que se assinalaram esta semana. Como de facto a guerra ainda não terminou, nem se sabe quando é que “gringos” vão voltar para casa, o memorial em perspectiva vai ter de aguardar mais algum tempo até ser inaugurado. Um tempo certamente dramático para todas as famílias norte-americanas que têm soldados no Iraque e no Afeganistão. Em Angola, contudo, mesmo que a ideia do memorial nominal extensivo fosse aceite, muito dificilmente a mesma poderia ser executada pois ninguém acredita que os registos militares das FAPLA tenham sobrevivido a todas as transformações que o país tem vindo a conhecer. Aliás, o problema dos arquivos neste país é gravíssimo sendo extensivo a todas as instituições oficiais, uma vez que a maior parte delas não tem a sua memória devidamente organizada como deveria ser e muito menos disponível para qualquer tipo de consulta mais pública. Nunca como em Angola a imagem do soldado desconhecido foi tão necessária e adequada para cobrir (resolver) este vazio dos arquivos de guerra. Um vazio preenchido por milhares de jovens esquecidos, que os políticos e os generais não querem recordar como deveria ser, chamando-lhes pelos seus próprios nomes, porque já não sabem exactamente quem e quantos eram e de onde é que vieram. Só sabem que estão definitivamente mortos. E isto será importante para se comemorar o aniversário do 20º aniversário do Kuito Kuanavale? A resposta vai certamente depender do conceito que cada um de nós tem do herói enquanto figura humana e protagonista de algum feito digno de realce. Quem é o verdadeiro herói? Exaltados e ufanos, os nossos políticos a caminho da terceira idade preferem fazer brindes e falar de vitórias e mais vitórias. De alterações profundas na geopolítica, mesmo que depois tenhamos passado mais quatros anos em guerra até a assinatura dos fracassados acordos de Bicesse. Mesmo que depois das eleições de 92 e do Protocolo de Lusaka em 94 o país não tenha parado de se autodestruir até ao dia 4 de Abril de 2002, com todas as terríveis consequências sociais que se conhecem e que se fazem sentir até aos dias de hoje, numa altura em que já se fala de uma nova guerra imposta ao Governo pela pobreza e a miséria. Depois de tudo isto, já se passaram mais seis anos desde que as armas se calaram. O país está em paz, mas não se pode esquecer dos milhares de jovens que tombaram em todos os “kuitoskwanavais” da nossa atormentada trajectória. É efectivamente para eles que o grande monumento deste país, em nome da reconciliação, deveria ser erguido.
Primeiro bem no fundo do coração de todos nós para não voltarmos mais a pensar na guerra como solução, seja para o que for. Depois, bem no centro oficial deste país para comprometer os seus políticos com o futuro de paz de todos nós, porque o passado, por mais que queiramos dourar a pílula ou puxar a brasa para a nossa sardinha, é mesmo para esquecer.
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3 comentários: Anónimo disse... Um abraço para si, sr. Reginaldo.Grande reflexao.Que se faça o enterro digno dos q tombaram nessa batalha. Que se divulguem os nomes dos q morreram nessa batalha para os familiares realizarm o seu komba. Ha muitos militares que morreram nessa batalha, e hoje dizem que estao desaparecidos. 27 de Março de 2010 13:09 Camilo disse... Concordo consigo.Acompanhei o facto de perto.Só "saí" de Luanda em fins de... 1992.Um Abraço. 27 de Março de 2010 23:46 Anónimo disse... Sr. Reginaldo,
Obrigada por ter levantado a questão dos "anónimos" - que para nós esposas, mães, irmãs, não são anónimos...
Quantas de nós não temos uma certidão de óbito, não temos um local aonde levar filhos - que nem o pai conheceram e que hoje são adultos,para falar sobre o pai.Foi Kuito Kuanavale... foi Canjala - e tantos outos locais de combate até ao rio Keve, aquando da invasão Sul Africana.
Do grupo que pereceu na Canjala, os únicos que se importaram com eles, foi o grupo de voluntários reunido e liderado pelo Comandante Kassange - e pagaram com a vida,para os tentar salvar.
Quem foram esses "anónimos"??? Mais uma vez obrigado. É um lenitivo e um bálsamo, saber que os "anónimos" não foram esquecidos. Temos que (re)escrever a história desse período. Eles têm que sair da bruma para nosso convívio. Ainda há pessoas que participaram e sobreviveram, que podem falar, podem citar nomes. A maior parte dessas pessoas vivas nem estão nas listas oficiais, para as pensões dos antigos combatentes...enfimMais uma vez obrigada, não imagina - não faz a minima idéia, da catarse que esta sua reflexão desencadeou no seio da nossa família.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A demolidora estreia do "novo" Higino Carneiro

Higino Carneiro o 2º Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do MPLA fez a sua estreia em público no seu novo cargo, depois de lhe ter sido retirado todo o "peito alto" que então exibia quando era Ministro das Obras Púbicas.
Foi uma estreia desastrosa, como se pode comprovar pelas suas declarações no Lubango, no âmbito da operação de salvação do Governador Isac dos Anjos. Também não estavamos a espera de uma outra actuação da sua parte, tendo em conta o seu recente passado institucional.
Carneiro conseguiu fazer um verdadeiro milagre com as palavras que então utilizou para tentar contornar o óbvio.
Diante das desoladoras imagens da Tchavola, para onde o Anjos demolidor despachou milhares de angolanos, depois de lhes ter partido as casas, Carneiro viu condições criadas de realojamento, só que... não eram suficientes.
Mesmo que no local houvesse uma só tenda, Carneiro diria o mesmo, com a mesma lógica "realojadora".
Carneiro emprestou-nos assim a sua "valiosa" e muito pessoal interpretação da resolução 37 da Assembleia Nacional, que pode vir a fazer jurisprudência.
Será que a partir de agora basta haver uma tenda e umas chapas no local do realojamento, que o problema das condições fica resolvido, só que... de forma insuficiente?
E será que assim sendo não há qualquer violação da soberana resolução?
A ver vamos....
Até lá...Saravá!
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Capola deixou um novo comentário na sua mensagem "A demolidora estreia do "novo" Higino Carneiro":
Caro WD de que estavas à espera?
Fazer mudanças de politicas e de praticas com as mesmas velhas pessoas, dá nisso.
Também isso de o MPLA ser executor, fiscalizador e juiz dá no mesmo.
Tudo acaba entre comadres e compadres. Claro que tinhamde sair em defesa do Cda Isaac.
O Virgilio Tchowa é que se vai lixar porque não é da nata do MPLA nem tem compadres que o defendam.

Salvar o cda Isac é preciso!

“O processo de requalificação das urbanidades do país deve ser feito, sem prejuízo da observação da dignidade da pessoa humana e dos valores de solidariedade e da justiça social”. (...) "As autoridades competentes do Estado, além de fazer respeitar a Lei, devem informar e dialogar com os cidadãos, de maneira a minimizar os inevitáveis constrangimentos resultantes das acções de requalificação urbana, incluindo as demolições legais, os despejos e reassentamento condigno de cidadãos em Luanda ou nas suas localidades de origem.” (...) "Os órgãos competentes da Administração Pública devem agilizar os processos que permitam a célere aquisição do direito fundiário, de alvarás para construção e de todos os meios e instrumentos que permitam a rápida e condigna reinstalação da população e aquisição de terrenos para construção." (...) (In Resolução 37 da Assembleia Nacional)
A resolução da Assembleia Nacional aconselha os órgãos da Administração Pública a desenvolver as suas acções de gestão e ordenamento do território urbano nacional, respeitando sempre as regras e normas procedimentais previstas nas leis internas e nas convenções internacionais para que sejam acautelados os direitos fundamentais dos cidadãos e os interesses legítimos de terceiros, de boa fé.
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JCRC deixou um novo comentário na sua mensagem "Salvar o cda Isac é preciso!":
Meu caro,
Eu penso que não existe um verdadeiro plano nacional de habitação.
O que existe é uma espécie de "to do list".
A meu ver, deveriamos estabelecer o mais rápido possível um procedimento padrão referente aos desalojamentos (prefiro não acreditar que o "parte-casa-atira-p'ra-tenda" seja o procedimento oficial) que para mim passava por:
1. Definir em cada província um plano de desenvolvimento urbano e formar um plano nacional.
2. Identificar e notificar as populações em zona de risco/zona reservada pelo Estado
3. Construir bairros urbanizados para realojar as populações, que poderiam inclusive pagar suaves prestações para abater o valor da casa (desincentivando as construções em zona de risco para obtenção de casas a borla)
4. Destruir as habitações precárias e investir nos espaços no sentido do plano provincial/nacionalO Estado podia financiar este programa por via de ajustamentos na política fiscal como tinha dito antes.
Outra opção seria a venda de terrenos para exploração comercial junto das zonas novas.
A meu ver, falar em urbanização e incentivar a "auto-construção" dirigida é um erro porque o padeiro não é pedreiro, apesar de existir esta mania por cá, os angolanos não são todos pedreiros e construir casas sem a intervenção de engenheiros e arquitectos (no fundo é o que se passa com a auto-construção) é fomentar novos musseques.
Obrigado e bom fds.
Publicada por JCRC em morrodamaianga a 26 de Março de 2010 11:38

quinta-feira, 25 de março de 2010

Biocombustíveis em Angola: Mais um negócio da nomenklatura?

Cerca de 500 mil hectares poderão ser destinados à produção de biocombustíveis em Angola, no período compreendido entre 2009 e 2012. O país tem perto de 35 milhões de hectares de terras potencialmente aráveis. A informação foi avançada por José Eduardo dos Santos, a 9 de Maio, na abertura da 3ª Conferência Nacional do MPLA, que discutiu a estratégia e o programa para as eleições legislativas marcadas para Setembro. Segundo o Presidente, a aposta nos biocombustíveis poderá gerar mais de um milhão de empregos.
(29/Maio/2008)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Galeria-Mulheres de Mérito em Março

Isac dos Anjos agora virou humorista

O Governador da Huíla só pode estar a brincar com toda uma população atingida directamente pela brutalidade e insensibilidade do seu camartelo. O Governador da Huíla só pode estar a pensar que somos todos parvos ou andamos a fazer um curso de idiotas. O Governador da Huíla, na sua próxima piada de mau gosto, ainda nos vai acusar de sermos todos responsáveis pelo que se está a passar nos seus soberanos domínios, onde milhares de famílias de angolanos, tão angolanos como ele e a sua própria família, estão agora ao relento com todos os riscos que se adivinham para a sua sobrevivência. Se isto é governar, então deixe estar... Se isto é governar, então não percebemos mesmo nada do assunto... Se isto é governar, então já não está cá quem falou... Fui! ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: comentários: 1-Anónimo disse... Oi, WD! Esta frase é mesmo dele??!! Parece-me que ele a leu em algum lugar e gostou tanto que resolveu, simplesmente, citá-la. Sds da Muleka 24 de Março de 2010 23:23 2-Anónimo disse... Gente, eu acho que o “nosso” Isaac só pode andar perdido. Com um nome tão bíblico e tanta vontade arrasar populações e casas, ele deveria era estar com os “colegas” lá para Jerusalem, Haifa, Gaza... 24 de Março de 2010 23:41 3-Nguimba Ngola disse... Agora o "Anjo Mau" sai a acusar."Estão a aproveitar-se politicamente das minhas marteladas a esse povinho, tirem o cavalinho da chuva maninhos e outros em outros ninhos porque eu quero limpar a terra".Afinal governar é assimmmmmmmmm!! 25 de Março de 2010 08:02 4-Anónimo disse... Caro Senhor Governador da Huila e restantes Governates angolanos;Será que esta transiçao tem de ser tão dramatica aos cidadãos tão humanos quanto vôs e com mais necessidades que vôs?Será que o desenvolvimento esta acima das vidas humanas?E então aonde está as ditas milhares de casas que prometeram antes das eleições de 2008?Será que é justo tirarem o tecto por mais humilde que ele seja e ainda eu ter de pagar um para poder ter um terreno e ainda construi-lo?Excelentissimo Senhor Presidente da Republica, chega de governantes que não prezam pela humanidade, pois são os humanos e angolanos que votam e é a eles que humilham...Excelentissimo Senhor Presidente da Republica, reforme estes governates que combateram porque a dimanica agora é para a preservação da vida não só a humana mas a vida... 25 de Março de 2010 08:16 5-Anónimo disse... O kota Pepetela já lhes avisou que no tempo do antigamente, a forma desigual e discriminatória que os colonos tratavam os angolanos é que sustentou a ideia da luta pela independência.A má governação do MPLA vai trazer a instabilidade social que pode resultar em desgraça! Na minha humilde opinião, o MPLA está desgastado e o presidente JES está sem ideias e mostra cada dia que passa que não sabe governar em democracia e sem os milhões do petróleo. A mania do MPLA de dizer que JES é perfeito, esconde um péssimo governante que em 30 anos de cadeira não consegue apresentar uma obra digna de estátua. Educação é podre, habitação é a maka que estamos com ela, alimentação... andamos mais preocupados em empregar milhões nos biocombustíveis do que na produção agrícola, energia é aquela vergonha e a corrupção que anda aí, foi inventada no palácio (basta ler o trabalho do Rafa Marques) e ver quem são os donos das empresasNeste sentido, o país vai bater na rocha (com feridos graves) 25 de Março de 2010 08:23 6-Angola disse... Amigos de Angola,Não é crime RECLAMAR, em Democracia as pessoas têm o direito de Reivindicar para que os seus Direitos sejam Respeitados. Agora depende do meio aonde podes ser ouvido, alguns fazem-no PARLAMENTO por ser lá o seu meio de acção mas, o Parlamento angolano de hoje “só serve para levantar as mãos”. Outros fazem-no atravez da Impresa Publica, pena que esta é paga com o DINHEIRO PÚBLICO mas que serve exclusive a um partido (apartidários). • O que nos resta? A RUA???? • Se o POVO não Reivindicar, o Governo ATE pode pensar que está tudo bem e que é normal o povo viver SEM ABRIGO. ... See more BALUMUKA... 25 de Março de 2010 11:08 7-Anónimo disse... Peço desculpas, mas acho que o Isaac Dos Anjos que ao que tde indica desceu ao grau de DEMÓNIOS, atingiu o Zero e está a assumir o cúmulo da estupidez!!!!!!!!!Mas eu tenho fé. Que o mesmo M que lhe deu essa arrogância vai tirá-lo, só que terá de ser embaixador em MARTE!!!!!!!!!!!!!! 25 de Março de 2010 14:53

terça-feira, 23 de março de 2010

Jacques dos Santos promove abaixo-assinado em nome da dignidade e da cidadania

Caros amigos, O texto abaixo é da minha inteira responsabilidade e não engaja de modo algum a Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde. Se estiverem de acordo com as posições aí assumidas agradeço as vossas urgentes respostas, dando-me, por esta via o vosso sim, bem como o nome e endereço que constarão da lista de assinaturas. DIGNIDADE E CIDADANIA Jacques Arlindo dos Santos Ao Exmo. Senhor Presidente da 9ª Comissão da Assembleia Nacional - Direitos Humanos, Petições, Reclamações e Sugestões dos Cidadãos Luanda Luanda, 23 de Março de 2010 Os abaixo assinados, vêm assistindo a um desusado movimento de demolição de casas em várias cidades do país, que os deixa seriamente preocupados. Sendo certo que as medidas aprovadas superiormente e que visam a luta contra as construções clandestinas apontam para este tipo de acção não é menos certo que, aplicada como vem sendo feita (veja-se o caso dos acontecimentos do Lubango) concorre-se perigosamente para que se desrespeitem direitos sagrados dos cidadãos. Ficarmos indiferentes ao drama que inúmeros concidadãos nossos estão a viver, sujeitos à chuva e ao relento, significa que pactuamos com a perda da dignidade que sempre norteou a luta pela independência nacional. Não pretendendo retirar validade às medidas governamentais, queremos apenas chamar a atenção para a necessidade premente que existe de se dialogar e negociar e serem encontradas formas humanas de alojamento. Alerta-se ainda para o facto de o Estado nada perder se encontrar, na base do bom senso, soluções mais justas para este problema de que não são apenas culpadas as populações atingidas. Os abaixo assinados apelam às autoridades por medidas mais adequadas e dão o seu apoio à manifestação que se pretende levar a cabo na cidade de Benguela no próximo dia 25/03/10, porque a Nova Constituição o permite e o Estado de Direito consagra o respeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos. chacaxinde@netcabo.co.ao/chacaxinde@ebonet.net/chacaxinde@hotmail.com PS-O Morrodamaianga associa-se por inteiro a esta iniciativa, convidando todos os frequentadores deste espaço de liberdade e cidadania a fazerem o mesmo. ******************************************************************************** comentários: Anónimo disse... Assino por baixo. Há uma caravana que segue de Luanda pra Benguela? Onde é a concentraçao? preciso de informaçoes. 24 de Março de 2010 13:35 Assídua disse... É bom saber que ainda há angolanos de bem que não se vão calar, sem receio nenhum de terem que "terminar os seus dias num lar de idosos", porque ficarão mal visos perante os olhos de sua "MAJESTADE". Um bem aja a tal iniciativa. 24 de Março de 2010 14:33 Anónimo disse... Assino em baixo.Enquanto aumenta a força do camartelo cresce a indignação, renasce a minha esperança no povo angolano. 24 de Março de 2010 09:40 Calcinhas de Luanda disse... Pelos vistos a independência não trouxe a cidadania ao grosso da população. Para que serviu então. Para encher os bolsos de uns quantos que agora têm a cor da pele politicamente correcta?É irónico, não é? E ao mesmo tempo muito, mas muito triste! 24 de Março de 2010 09:41 Soberano Canhanga disse... Tenho casa feita com esforço de um salário mínimo... A zona foi distribuída pelo M através da administração de Viana, mas pouca garantia h;a que não surja por aí um "anjo" com o seu martelo. Tenho outra obra que decorre tb com o esforço salarial e os riscos para quem não tem primo ou irmão "quem de direito" é o mesmo que vive(ra)m os irmãos e camaradssd o Lubango. Associo-me ao Cda. ex-deputado, libolense e homem de letras "Jaqu'estouaqui".

segunda-feira, 22 de março de 2010

Huíla a caminho da Dipanda?

"Não se pode perder tempo. Temos de fazer um país. Na minha geração já não há nada a temer. Já tememos tudo. É preciso um compromisso de fazer país e país não se compadece com o populismo a que estivemos sujeitos durante muitos anos. O meu próprio partido, se esteve por trás disso, tem essa co-responsabilização." -Isac dos Anjos ao Novo Jornal(19/03/10) JCRC deixou um novo comentário na sua mensagem "Huíla a caminho da Dipanda?": Caríssimo, O que é que nós fizemos à estes senhores para merecer isto? Sempre com a mesma conversa de chamar "casebres" as casas erguidas com tanto esforço e de "oportunistas" àqueles que construíram em áreas reservadas pelo Estado, mesmo que não tivessem consciência ou sido previamente avisados de tal facto (na verdade se tornou facto muito recentemente...). (i) Um Governo que não nos garante água, luz ou habitação digna faz o quê? (ii) Um Governo que não garante igualdade de oportunidades e educação de qualidade para todos os angolanos serve para quê? O lógico seria retirar as pessoas que vivem em zonas de risco e realojá-las em locais melhores em termos de segurança e habitabilidade, nunca partir e mandar para rua sem amparo. Os realojamentos são procedimentos caros, mas podiam ser resolvidos com disciplina orçamental e vontade política; sugestões: (i) Parte dos impostos pagos em transacções imobiliárias deveriam ser consignados à um Fundo Nacional para habitação social (por exemplo, quando compro uma casa no Talatona x% dos impostos inerentes vão para o dito fundo). (ii) Existindo procura como sabemos, o Estado poderia vender património imobiliário desnecessário e terrenos valiosos (em vez de os 'oferecer' à filhos e primos) para sustentar o esforço de construção e requalificação a nível nacional. (iii) As empresas privadas de construção deveriam ser incentivadas a apresentar soluções económicas para habitações, sendo que seriam beneficiadas fiscalmente com o abatimento de impostos por cada habitação social construída. (iv) As habitações sociais deveriam preferencialmente ser vendidas, a um preço muito próximo do de construção incluindo nos casos de desalojamento por incumprimento legal ou falta de condições de segurança com exclusão dos casos de extrema pobreza. (Peço desculpa pelo comentário extenso) Publicada por JCRC em morrodamaianga a 23 de Março de 2010 11:39 NA- Estás desculpado caro JCRC. Para este tipo de intervenção o Morro tem todo o espaço disponível. Eu é que agradeço a colaboração. Volte sempre!

domingo, 21 de março de 2010

Jornal de Angola só vê UNITA entre os críticos

Toda a gente, incluindo o MPLA e o Secretário Estado para os Direitos Humanos, Bento Bembe, criticou a forma brutal e desumana como o Governador da Huíla, Isac dos Anjos, decidiu ir para frente com o seu programa de demolições no Lubango, violando todas as normas existentes (nacionais e internacionais), com destaque para resolução 37 da nossa Assembleia Nacional.
O Governador Isac dos Anjos violou ainda o principio constitucional que proibe a censura em Angola, ao interditar a presença da imprensa no "local do crime", quando ele estava a comandar directamente as demolidoras operações.
Estranhamente na sua coluna, o Director do Jornal de Angola resumiu, neste domingo, este imenso, abrangente, diversificado e mais do que legítimo coro de protestos, numa só voz: a da UNITA.
Como é Man Ribas?
O teu "daltonismo" está a ficar muito complicado.
Uma coisa, é seres um dos mais entusiásticos fans da Turma do Camarelo ou da Marreta.
É uma opção. É a tua.
Devo-te confessar que apesar de defender a tua liberdade de sustentares esta postura, a mesma não me merece qualquer tipo de respeito, porque antes de mais eu respeito os direitos humanos em Angola, que é o grande compromisso da Constituição acabada de aprovar.
Espero, entretanto, que nunca te confrontes com uma situação do género. A de teres de ficar na rua com a família, em tempo de chuva, sem um tecto para te abrigares.
A outra coisa que já não me parece nada ética, sobretudo para quem é jornalista de profissão, é ignorar os factos e com base nesta "esquindiva", chegar ou transmitir, subrepticiamente, determinadas conclusões.
Enquanto "fazedores de opinião" e por mais polémicos que possamos ser, é importante saber evitar sempre o beco da mentira.
É de facto um beco sem saída!