quarta-feira, 9 de junho de 2010
Alves da Rocha afastado do Ministério do Planeamento?
Soube depois que Alves da Rocha não se encontrava em Luanda.
Ainda não me foi possível confirmar junto de quem de direito, se de facto os préstimos do conhecido economista e professor universitário foram mesmo dispensados pelo MP.
O que é facto para já é que, tudo o que de menos positivo vier a acontecer no relacionamento de AR com o MP só pode ter uma explicação.
E esta explicação está na Internet, no site da Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/740451-reconstrucao-de-angola-precisa-alcancar-o-estado.shtml) onde o SA foi "descobrir" uma verdadeira bomba que publicou na última edição da sua primeira fase, antes de ser engolido pelo "papão dos pasquins".
["A sensação que se tem é que a taxa de desemprego é muito elevada. O governo no relatório que acabou de ser aprovado em conselho de ministro de execução do plano de 2009, afirma que no ano passado a economia de Angola criou 385 mil novos postos de trabalho, o que ninguém acredita. O governo apresenta os dados, sector a sector, mas todos duvidam. Quando essas informações são apresentadas ao público, os empresários dizem que isso não é possível. Porque nomeadamente no domínio da construção, junto com a agricultura, que são sectores que mais empregam, houve dispensas. Mesmo assim, o governo apresenta números que dão conta de um aumento da criação líquida de postos de trabalho na construção, o que ninguém acredita"- Alves da Rocha ao FS]
De facto as declarações de AR ao FS não podem deixar ninguém indiferente e pelos vistos não deixaram mesmo.
Só é pena, caso se venha a confirmar o afastamento de AR por ter "pensado em voz alta", que o poder ou os poderes deste país, continuem a fazer tábua rasa de um direito fundamental que deve ser estimulado e protegido que é a liberdade de expressão.
terça-feira, 8 de junho de 2010
EGO- Qual dos dois, o maior? (actualizado)
“Modéstia à parte, parece já não haver dúvidas que foi o surgimento do Novo Jornal que pautou a mudança que até hoje se vinha verificando na imprensa angolana. Independentemente do que se possa vir a suceder daqui para frente, haverá sempre um antes e um depois no jornalismo angolano que tem no Novo Jornal, indiscutivelmente, o seu porta-estandarte."
-Víctor Silva, ainda como Director do NJ"No que toca a entrada no mercado, além de outras coisas, ajudou a criar um novo hábito aos sábados. Não nos tomem como arrogantes, mas há um “antes” e um “depois”. Cabe ao “novo” Semanário Angolense influenciar - se disso podemos falar- o que será o “depois” daqui para diante".
-Graça Campos ainda como Director-Geral do SA
O que é curioso nesta disputa de "egos", é que a partir de agora, os dois jornais (que afirmam ser os melhores da praça, com cada um dos contendores a convocar para o seu lado as estatísticas (?!?) mais favoráveis) passaram para a tutela do mesmo proprietário, cujo plano estratégico ainda é desconhecido.
São as ironias do destino.
Os dois petulantes "egos" talvez agora se ponham de acordo em relação aos novos "antes" e "depois".
Sugerimos que seja antes e depois da "mediainvestments"entrar no mercado da forma tão "normal" como aconteceu.
A estarem de acordo com a nova referência da futura história da imprensa luandense que aqui sugerimos,cada um dos dois, certamente, fará contas diferentes ao nível mais pessoal, em relação ao impacto desta entrada, deste virar de página.
É o que ficaremos a saber mais lá para diante, pois o futuro do primeiro ainda não está muito bem definido, enquanto que em relação ao segundo a caminho do seu "exílio dourado", especula-se, já com algumas certezas, quanto aos valores embolsados na transacção que estarão situados na casa dos seis zeros.
O que mais receamos, entretanto, desta entrada em cena da "mediainvestments", é que "depois", a médio prazo, não se venha a falar mais nem de um, nem do outro, como resultado da sua extinção ou, na melhor das hipóteses, da sua fusão, ou ainda da sua transformação em folhas indigestas.
Não é, certamente, o que desejamos, mas pelos dados em presença e conhecendo este país "bem mal" como conhecemos, não podemos pôr de lado estes e outros cenários, onde ainda podemos incluir o surgimento, finalmente, de um segundo diário para fazer concorrência ao "nosso Pravda".
Caso se decidam por esta última hipótese, sugiro que a Média Investments compre também o falecido "Diário de Luanda" e o volte a pôr em circulação, como um vespertino.
Que saudades daquele tempo...
segunda-feira, 7 de junho de 2010
A midia não é um mercado "normal"
É "normal" o quê? (actualizado)
sábado, 5 de junho de 2010
Já cheira à pré-campanha eleitoral
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Media Investments confirma sucesso da "OPA Hostil"
Pauta Jornalística- Investimentos públicos mal parados
De facto já não basta dar a notícia ou fazer a cobertura das inaugurações e das entregas dos referidos equipamentos sociais.
É preciso que o jornalismo preocupado com o desenvolvimento nos diga agora como é que de facto e um pouco por todo o país este tipo de equipamentos tem estado a participar na solução dos problemas sociais das populações, no combate às assimetrias regionais e no fomento do emprego de qualidade.
Algumas informações que têm chegado ao nosso conhecimento não são as mais animadoras e apontam mesmo para um desperdício de recursos públicos decorrente da não operacionalização dos ditos equipamentos por falta do grande investimento estratégico de qualquer economia que é o capital humano.
Efectivamente e a manter-se este défice ao nível do capital humano, de nada adianta continuarem a gastar-se balurdios de dinheiro público a fazer mais escolas e mais hospitais.
É preferível reorientar-se o programa de investimentos públicos e pensar em apostar o nosso dinheiro em outras prioridades com um outro tipo de abordagem, que tenha em devida conta as capacidades locais de absorção.
Por exemplo e depois dos desanimadores resultados registados com a compra e distribuição dos barcos de pesca, parece-nos ser muito pouco aconselhável que continue a ser o Governo a importar directamente determinados equipamentos ao nível dos transportes e depois não haver qualquer capacidade de assistência/manutenção dos mesmos.
Não seria preferível financiar-se o sector privado e deixar que o mesmo se ocupe de todas as questões relacionadas com a gestão de tais equipamentos?
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comentários:
Anónimo disse...
INVESTIMENTO NO VAZIO
É um tanto quanto caricato o facto do governo ter criado novas Escolas(POLITECNICOS),sem antes ter pensado no factor humano. Entenda-se, foi no dealbar das eleiçoes de 2008 e tudo interessava e valia ao "sistema".
Hoje por hoje, no caso concreto de Benguela, de uma gritante falta de professores das cadeiras técnicas no Politecnico da Graça(laboratorios sem quimicos, sem professores, sem tudo) porque só agora agora alguns professores foram enviados para o Brasil estagiar.
Incrível quando se caminha para o terceiro ano academico, para um curso de tres anos.Mais grave, dos poucos professores com alguma qualificaçao, estao há 12 meses sem salarios(maioritariamente colaboradores). No Instituto Medio de gestao na Catumbela é sintomática esta problemática. 80% das cadeiras técnicas sao leccionadas por Professores-colaboradores que há 14 meses nao vêm a sua situaçao salarial resolvida. Este Politecnico ao que se sabe, nao tem orçamento por ser uma(UD).Os Professores incluiseve ameaçam paralizar as aulas se até 30 de Agosto nao verem esta situaçao resolvida.Os poucos recuros que a direcçao recebe das finanças nem para comprara material gastável chega.Caminha-se para o terceiro ano e algumas cadeiras tecnicas, tidas como fundamentais nao têm professores.Os que fizem o "dito concucurso publico" aguardam pelos resultados. Sabendo-se de como esta pais marcha a passo de camaleao, só mesmo lá para janeiro de 2011.Onde anda a Direcçao Provincial da Educaçao, Ciencia e tecnologia neste embroglio todo????Que tipo de tecnicos esperam formar com estas dificuldades todas¿!!!!! COITADOS DOS ALUNOS, se a situaçao se mantiver serao forçados a um 4º ano de escolaridade por mera negligencia...... Sao coisas da NOSSA ANGOLA.
4 de Junho de 2010 09:26
Memória-Há 41 anos um avião da DTA era desviado para o Congo-Brazaville
quarta-feira, 2 de junho de 2010
O que é um Puzzle?
(In Wikipédia)
Já agora descubra este do lado.
Parece demasiado simples, mas não é.
Tudo pode acontecer nos próximos dias.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A "OPA hostil" pode ter ultrapassado os 6 milhões de dólares
Parabéns Jovemania!
De facto são temas, como aquele que foi abordado pela última edição do JM, que fazem parte das preocupações actuais da nossa juventude e que devem merecer a nossa atenção, se quisermos utilizar a televisão de forma mais construtiva.
O alcoolismo e a suas consequências pessoais e sociais no seio da juventude é um tema da maior importância, que deveria até ter estatuto de residente nos nossos espaços mediáticos, pois já é nesta altura mais uma praga que nos assola e que tem contribuído para o aumento dos preocupantes indices de violência doméstica, delinquência/criminalidade e degradação sócio-familiar.
Se tivêssemos a certeza que os "brains" do JM visitam este blogue, quase que díriamos que eles tomaram boa nota da crítica que aqui foi tecida ao seu desempenho e resolveram abandonar o mar de futilidades e inutilidades em que o programa estava mergulhado, num puro desperdício de um espaço tão precioso.
Se assim aconteceu, os parabéns ao JM por ter reagido de forma bastante positiva aos nossos reparos.
É exactamente este o nosso propósito, o de contribuir com a crítica frontal para que este país deixe de ter "manias" a mais e passe a comportar-se a altura das nossas expectativas, como cidadãos que querem ver Angola (sempre) subir na escala de valores civilizacionais mais consistentes com o desenvolvimento humano e com a própria democracia, com destaque para a sua vertente participativa, que é aquela que ainda não faz parte da vida institucional deste país.
As outras "subidas" mais rasteiras que agora andam muito em voga por algumas praças do nosso mercado nacional não são para aqui convocadas.
domingo, 30 de maio de 2010
"Semanário Angolense" e "A Capital" alvo de uma "OPA hostil"
O "Semanário Angolense" e "A Capital" poderão já na próxima semana sair para rua com novas direcções editoriais, na sequência de uma negociação que terá ocorrido nos últimos dias, ao abrigo da qual os dois conhecidos semanários da capital foram comprados pela mesma empresa, cujo nome ainda não nos foi possível confirmar.
Este desenvolvimento, algo espectacular, vai apanhar muito boa gente de supresa, pois as atenções estavam voltadas para o "Novo Jornal", onde, ao que consta, também está em curso uma negociação idêntica, já anunciada várias vezes pela imprensa e nunca desmentida pelo NJ.
O Director de "A Capital", Tandala Francisco (TF), antecipou este sábado a mudança que o semanário vai conhecer ao escrever, num tom visivelmente dramático, o que ele considerou ser o seu último editorial.
"Este é o último editorial que assino, enquanto Tandala Francisco no semanário A Capital. Vou supender, pelo menos nesse veículo, essa assinatura com a qual construí uma carreira de uma década, manchada por alguns fracassos, mas sobretudo coroada de muitos êxitos.
Razões de força superior-que o tempo saberá esclarecer levam-me a abdicar desta prosa semanal que poderá surgir, quem sabe, num outro formato e com outra assinatura, mas nunca como Tandala Francisco. É assim a vida.
Por vezes, por menos que queiramos, temos mesmo que abdicar daquilo que mais amamos."
Tandala não nos diz para onde vai, mas fica claro que "A Capital" não será mais o seu endereço de agora em diante, pelo menos como Director, enquanto aguardamos que o"tempo" nos diga quais foram as "razões de força superior" que levaram que o TF abandonasse o grande amor da sua vida.
Abandonasse ou trocasse?
Por ocasião do oitavo aniversário da publicação assinalado no passado dia 4 Abril e a convite do próprio TF escrevi um texto de opinião sobre o desempenho editorial do seu jornal o que fiz com muito gosto, tendo para o feito tecido os mais distintos encómios à independência editorial e à qualidade do projecto.
Depois desta alteração, cujas consequências editoriais ainda são desconhecidas, receio ter falhado redondamente.
Na altura escrevi o seguinte:
Oito anos depois, “A Capital” está aí bem “vivinha da silva” e ao que tudo indica disposta e com forças suficientes (que é o mais importante) para enfrentar a nova etapa da concorrência que, a este nível, devia ser balizada pelo próprio Estado.
É ponto assente que até agora o Governo não tem sabido (ou não tem querido?) assumir as suas responsabilidades constitucionais, com o propósito de impedir o monopólio/oligopólio que no horizonte já começa a ameaçar o mercado da liberdade de imprensa com os seus asfixiantes tentáculos.
Esta etapa, note-se, está a ser “imposta” ao mercado dos jornais e das revistas, pela entrada em cena e com alguma força, do capital privado, que, ao que parece, nem sempre é tão privado assim, pelo menos na sua origem, o que tem estado a alimentar algumas sérias e legítimas dúvidas quanto às suas reais motivações estratégicas.
Vamos pois ter de aguardar pelos próximos tempos para esclarecer muitas dúvidas, mas já com algumas certezas, quanto à natureza tentacular do nosso "polvo".
Salvaguardadas as devidas distâncias, estamos diante daquilo que nos mercados bolsistas se designa por "OPA hostil".
sábado, 29 de maio de 2010
Venda espectacular!
A confirmar-se a informação que chegou nas últimas 24 horas à banca deste blogueiro, trata-se de uma transacção verdadeiramente espectacular que vai introduzir uma substancial alteração política na tendência (matriz) editorial do nosso panorama mediático.
Um doce de coco a quem advinhar.
PS-Afinal não é apenas um. São dois os títulos que se preparam para passar para a tutela do "polvo", estando uma negociação já concluída e a outra em vias disso.
Saravá!
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3 comentários:
Anónimo disse...
jornal de angola
29 de Maio de 2010 12:04
Anónimo disse...
Carlos Agostinho
Semanário Angolense.
Começa a era do sistema controlar os independentes. Oh camarada Graça Campos "Quo Vadis"
29 de Maio de 2010 12:23
Muwana a Loje disse...
Capital e Angolense...acredito porque o acionista de um esta no outro e no passado ja teve aquele celebre comportamento com o Intercomercial moagens...será que estou assim tao enganado?
29 de Maio de 2010 16:45
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Pauta Jornalística: Tolerância Zero faz disparar o preço da gasosa
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Jovemania (JM), no mínimo um programa equivocado
Mas como o tempo prega-nos todas as partidas, menos a de regressar ao passado, só nos resta mesmo olhar para os jovens do tempo presente com alguma (bastante) preocupação, quando vemos por exemplo o precioso tempo de um programa televisivo do serviço público, o JM, ser desperdiçado com tantas e tamanhas banalidades, como foi o caso da sua produção durante o mês de Maio que se prepara para bazar.
O JM iniciou as suas "hostilidades" em Maio com um programa dedicado aos famosos "bifes" que actualmente alimentam muito mal ( com alguma violência fisico-verbal) os meios musicais do kuduro e do rap, já de sí potencialmente vocacionados para cenas menos pacíficas.
Depois de já os ter visto no "Sempre a Subir" do Sebem no Canal 2, que é um tumultuoso e controverso espaço especializado em matérias "bifiticas", voltei a ter de gramar com uns tais de "Gasolina" e "Presidente Gasolina" a trocarem uns já estafados galhardetes em relação a quem é que é o verdadeiro "Gasolina" durante todo um programa dedicado à juventude angolana.
Sinceramente, fiquei com a impressão que estava a ver novamente o programa do Sebem, com este último "disfarçado".
Para além de todos os "gasolinas" que por lá passaram, pouco mais em termos de substância, o paupérrimo programa ofereceu aos jovens naquele fatídico sábado com direito à reposição no dia seguinte, isto é, no domingo.
Trata-se de uma opção (reposição em horário nobre) que já não tem paralelo nas televisões modernas que querem ser competitivas.
A TPA, note-se, já tem concorrência de sobra ( dentro e fora do país) para ignorar a nova conjuntura do mercado dos audio-visuais.
No sábado seguinte, a escolha do JM foi para a "beleza artificial" das mulheres angolanas, em mais uma abordagem carregada de futilidades em torno de um tema que, para além de ser deselegante, acaba por ser evasivo da própria intimidade das nossas "guapíssimas muchachas".
Devo confessar, depois de já ter percorrido centenas de milhares de kilometros por este mundo afora, que não encontrei mulheres mais bonitas que as nossas, por isso gosto cada vez mais delas, não as troco por ninguém e muito menos as hostilizo, como objectivamente acabou por ser feito pelo JM em mais um sábado/domingo para esquecer.
Eram cabelos brasileiros para aqui, unhas de gel para acolá, tissagens mais adiante, silicones a voarem por entre seios e bundas, enfim, um desfile que não acrescentou um único valor estruturante à educação e à auto-estima dos nossos jovens, carentes de tudo menos de futilidades, que já têm de sobra no seu quotidiano que é cada vez mais violento e marcado por diferentes ausências, privações, deturpações, aculturações e intoxicações.
No terceiro sábado as coisas ainda ficaram piores, com o nível a baixar muito mais, pois o tema escolhido foi a imitação das estrelas locais da rádio, da televisão e do music-hall pelos nossos jovens.
Por si só e a este nível, a imitação, seja ela bem ou mal feita, não é, quanto a nós, um valor que deva ser encorajado num programa que pretende contribuir para a formação e o aumento da consciência crítica dos nossos jovens como é suposto ser o JM.
Não estamos a falar da imitação de modelos sociais ou comportamentais que sejam de referência, por terem demonstrado que são efectivamente "bons para consumo".
A imitação que aqui verberamos é a do "macaco imitador" que não serve para nada para além de provocar alguma diversão.
Estes três temas que preencheram a programação do mês de Maio do Jovemania da TPA são um bom exemplo do que o serviço público de televisão não deveria nunca seguir.
Fazer serviço público ao nível da programação dirigida aos jovens num país com as características muito especiais de Angola exige antes de mais uma profunda reflexão sobre os caminhos que a televisão deve trilhar para falar deles, com eles e para eles, com os olhos postos num futuro bem diferente do presente que temos, fruto de um passado que é para esquecer.
Depois desta reflexão, a criatividade/perspicácia na escolha dos temas que se impõem fará o resto, na maior das calmas.
Há tantos e tão importantes assuntos para discutir com os jovens angolanos que de facto não faz qualquer sentido desperdiçar-se um tempo de antena tão precisoso, tão caro e tão estratégico, que é o da televisão pública, com um desfile tão "franciscano" como foi aquele que nos foi dado a observar em Maio.
A "mania" de ser jovem exige um pouco mais de quem quer comunicar com os jovens angolanos nesta etapa do nosso desenvolvimento sócio-político.
Dia de África ao som do Raízes da FM-Stéreo
O jango da Chá de Caxinde acolheu esta terça-feira, por ocasião do Dia de África (25 de Maio) uma verdadeira maratona de música continental promovida pelo programa Raízes que o Ismael Mateus apresenta semanalmente na FM-Stéreo(RNA) há já alguns anos.
Com acesso a comes e bebes no local para todos quantos lá estiveram, que foram mais do que muitos, o programa foi feito ao vivo entre as 9 da manhã e as 1o da noite, a partir do acolhedor Jango, que tem sido testemunha nos últimos tempos das mais interessantes manifestações culturais, com destaque para as musicais, que se estão a produzir na nossa capital.
Ao vivo e a cores, Dodó Miranda e Gabriel Tchiema encerraram as "hostilidades" da maratona com dois shows da sua boa e já incontornável música.
Quando se estiver a falar do assunto entre nós, estamos a falar, naturalmente, de música a sério, não se esqueçam deles porque já não é mais possível.
Dodó Miranda preencheu a parte final da sua apresentação fazendo um dueto com o Manbike, um kota desconhecido do grande público, com quem cantou um tema "gospel", no que foi para nós o melhor momento da maratona africana promovida pelo Raízes.
Manbike mostrou-nos que sabe do assunto ao mais alto nível e que está aí para o que der e vier, dentro e fora das nossas fronteiras.
O consagrado Dodó Miranda (que ao vivo já "assustou" o Pascal Lokua Kanza no primeiro duelo que travaram no Karl Marx) continua a espera de gravar o seu disco, o que ainda não aconteceu por falta de recursos e de patrocinadores.
É verdade, pois foi exactamente isso o que ele nos disse esta terça-feira no Chá de Caxinde.
Nós gostamos de tudo quanto aconteceu e vamos ficar a espera do próximo show do Raízes fora dos estúdios da FM-Stéreo que estão em obras que nunca mais terminam, o que nos deixa preocupados quanto ao futuro das instalações daquela emissora que já foram objecto de alguns "planos" no anterior consulado da tutela, que felizmente não se vieram a concretizar.
Só esperamos agora é que não precisemos de esperar mais um ano para que tal aconteça.
Para além do Dia de África, há sempre um bom motivo para nos reunirmos em torno da música de um continente que começa e termina em Angola, com todas as voltas possíveis e recomendáveis pela rota que vai do Cairo ao Cabo.
Africa Oyé! Oyé! Oyé!
segunda-feira, 24 de maio de 2010
O 27 de Maio, o Almoço Evocativo e a Reflexão do Michel
Este ano não teremos o que seria a 6ª edição do “Almoço Evocativo do 27 de Maio” por razões que têm a ver apenas com questões de ordem logística relacionadas com o aluguer do espaço e com alguma indisponibilidade de ordem mais pessoal da parte dos dois organizadores do projecto.
Lamentavelmente, as duas razões conjugaram-se e produziram este resultado pouco animador para todos nós que já nos estavam a habituar a este encontro anual, como fazendo parte da nossa rotina.
Trata-se de uma reunião de confraternização dedicada à memória, à amizade e à solidariedade, como sendo a grande homenagem que nos comprometemos a prestar aos milhares de jovens angolanos que foram forçados a desaparecer do mundo dos vivos no âmbito de uma fria estratégia de eliminação física dos adversários, que há 33 anos foi patrocinada e executada de forma implacável pelo Governo do MPLA.
Não se trata, entretanto, de colocar um ponto final na iniciativa, mas apenas de observar uma pausa forçada por uma determinada conjuntura, que deve ser entendida exclusivamente dentro das balizas aqui referidas, porque efectivamente não houve outras.
Para além de outras iniciativas do género que podem vir a preencher este ano o vazio do “Almoço Evocativo”, sabemos que haverá na próxima quinta-feira uma oportunidade para estarmos todos juntos e para assinalarmos o 27 de Maio de 1977, no dia 27 de Maio de 2010.
Esta oportunidade ser-nos-á dada pelo lançamento nas instalações da Liga Nacional Africana a partir das 15 horas, de um novo livro sobre a trágica efeméride, da autoria do Miguel Francisco (Michel).
O autor, um antigo “fapla”, já nos tinha brindado há 3 anos (2007) com a “Nuvem Negra- O drama do 27 de Maio”, um relato inédito na primeira pessoa da sua terrível experiência como prisioneiro do campo de concentração/extermínio da Calunda, no Moxico.
Michel entrou para a história por ter sido o primeiro autóctone a lançar em Angola um livro sobre o sangrento Maio da nossa desgraçada trajectória nacional, onde a data tem as “honras” de ter sido o maior massacre político do pós-independência, sem rivais em África.
Desta vez o Michel no seu “ANGOLA- O RACISMO COMO CERNE DA TRAGÉDIA DE 27 DE MAIO DE 1977” oferece-nos uma “REFLEXÃO” que tem a pretensão de contribuir para o aprofundamento do debate à volta das reais motivações que conduziram ao conhecido desfecho.
Nesta altura em que escrevo este texto e apesar de ainda não ter concluído a leitura da sua “Reflexão”, conhecedor que sou da visão que o Michel tem vindo a defender noutros fóruns, não posso partilhar das suas conclusões, embora esteja de acordo com muitas das observações que povoam o seu pertinente e oportuno texto.
Antes de me preocupar com a “estatística racial” dos protagonistas de um lado e do outro, continuo a pensar que do lado da gigantesca repressão estiveram angolanos de todas as cores, raças e feitios que levaram a sua intolerância política e raiva pessoal/afectiva até ao limite, com as consequências catastróficas que se conhecem.
Do lado dos reprimidos estiveram igualmente presentes todas as cores, raças e feitios. Curiosamente o conflito nasceu, cresceu e explodiu dentro de uma mesma e ampla organização dividindo-a profundamente em duas ou mais alas.
Claramente para mim, a estratégia muito em voga na época, decalcada dos manuais estalinistas, foi a da eliminação física dos adversários políticos no seio do mesmo partido: os reais, os suspeitos, os potenciais e os futuros.
No caso angolano admito a pertinência de todas as leituras “raciais” que se possam fazer, que eu entendo, compreendo perfeitamente e até posso aceitar parcialmente, mas não elejo como sendo as fundamentais para perceber o que se passou e muito menos para responsabilizar os tais verdadeiros instigadores.
A chamada “eliminação física dos camaradas” no antigo Partido Comunista da União Soviética (PCUS) nos tempos de Joseph Staline ultrapassou largamente a nossa em termos numéricos e não teve qualquer motivação racial evidente.
Acho mesmo que esta incursão pelo domínio da “estatística racial” para além de não ter suporte objectivo, acaba por ser desculpabilizadora da maior parte de todos aqueles que instigaram e estiveram do lado da repressão, onde eu só vejo angolanos mais claros ou mais escuros, mais ou menos radicais, mais ou menos violentos, mas todos ferrenhos do mesmo e único CLUBE e com o mesmo e intolerante exterminador propósito.
Nunca, como depois do que aconteceu no 27 de Maio de 1977, estive tão de acordo com a máxima segundo a qual o homem é o principal lobo da sua espécie, “Homo hominis lúpus”, o homem é o lobo do homem.
Acho mesmo que com tal “estatística”, no limite, se pode estar a querer passar um atestado de menoridade ou de inimputabilidade para os restantes participes do sangrento regabofe, o que é mau para a história e para quem quer deixar registada a sua memória.
Com todo o respeito que nos merecem todas as opiniões que se afastam desta, estou hoje, como sempre estive, mais preocupado em homenagear todas as vítimas do monumental banho de sangue e esperar, que um dias destes, elas sejam também homenageadas pelo Estado angolano no panteão da reconciliação, do perdão e da justiça.
Apesar de já terem passados mais de trinta anos, sei que este dia ainda está longe e talvez não viva o tempo suficiente para a ver o Estado angolano reparar todas as injustiças e brutalidades cometidas e erguer um monumento em honra de todas as vítimas da intolerância que foram trucidadas na sequência da caça às bruxas que se seguiu ao 27 de Maio de 1977.
Mas tenho a certeza, que um dia esta reparação será feita e que este monumento vai fazer parte da nossa paisagem institucional.
Até lá vamos ficando por aqui, pelas colunas da imprensa, pelas palavras dos livros e pelos espaços dos almoços e de outras iniciativas convergentes, destacando anualmente a tragédia que foi o 27 de Maio de 1977, com os olhos postos no futuro, mas com os pés bem assentes no presente, para não nos esquecermos do passado, sob pena de repeti-lo.
Não é muito, mas é o que se pode fazer.
sábado, 22 de maio de 2010
Vem aí a primeira emenda constitucional
" É garantida a todos os cidadãos a liberdade de reunião e de manifestação pacífica e sem armas, sem necessidade de qualquer autorização e nos termos da lei."
A emenda que vem a caminho acrescenta o seguinte:
" Nos termos da lei e desde logo, fica já aqui muito claro que a liberdade de reunião e de manifestação por ser um bem público demasiado raro e precioso, exclui à partida todos aqueles que, por qualquer motivo, não gostam muito do Insuperável Camarada Presidente da República, do Glorioso Executivo Nacional e do Heróico Partido que o suporta."
NR- Aceitam-se contribuições para se aprofundar
a letra e o espírito democrático desta histórica emenda, que correponde, nos antípodas, ao projecto da famosa primeira emenda da Constituição dos EUA.
Depois do que aconteceu no Lubango, em Benguela e este sábado em Cabinda, o nucleo dinamizador deste projecto acha que chegou a altura de se começar a "marchar" para o Parlamento com o "draft" da esclarecedora emenda.
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