segunda-feira, 25 de maio de 2009

Africa nossa: Entre o 25 e o 27 de Maio

Com os ingredientes de sempre, o encontro com a memória e com a amizade terá lugar nesta segunda-feira, 25 de Maio, Dia de uma África que já foi bem pior, quando em Angola se massacraram, por razões políticas, milhares de jovens na sequência dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977. Esta África, lamentavelmente, ainda não pertence ao passado e muito menos está enterrada definitivamente, como foram as suas vítimas angolanas em valas comuns a quem, uma vez mais, estamos aqui a prestar a nossa mais profunda homenagem à espera que algum dia destes a sua memória seja reabilitada como dignos filhos desta pátria. Em África continuamos a ter notícias tristes e sangrentas sobre a eclosão de agudos surtos de violência e intolerância políticas um pouco por todo o lado, embora a tendência já não seja tão preocupante. É, contudo, uma tendência que ainda é frágil e está pouco sustentada, mesmo lá onde o exercício das urnas democráticas e da alternância política já é uma realidade com alguns anos de estágio certificado por conceituadas agências internacionais. Os exemplos recentes de violência política falam bem desta África violenta que às vezes está apenas adormecida, quando tudo parece correr bem. A proximidade do 25 de Maio, Dia de África, com o 27 de Maio, Dia que agora já ninguém quer saber para nada, é de facto uma oportunidade para relacionarmos as efemérides e olharmos para o lado mais complicado e mais nebuloso do nosso continente, porque ele efectivamente continua a existir, a fazer vítimas, a condicionar fortemente o livre exercício da cidadania e a própria imagem de todo um continente. Este lado tem a ver com o exercício físico do poder político por parte de um conjunto de lideranças africanas que mesmo no limite das suas capacidades físicas e etárias continua a pensar em tudo, menos em retirar-se na maior das calmas e ir para casa descansar e escrever as suas memórias. Pelo que julgo saber, muito poucos terão sido os representantes desta geração que deixaram para a posteridade livros com um tal cunho. Não gostam de escrever memórias porque nada têm para transmitir às gerações futuras, para além de uma experiência política maquiavélica muito pouco recomendável para menores de idade que são os nossos jovens. Por isso, preferem não escrever nada, evitando deste modo deixar para o futuro as impressões digitais de um passado pouco saudável, que vai certamente desaparecer com eles. Com esta “paixão” pelo poder estas lideranças não gostam sequer que alguém lhes fale em sucessão ou em transição. Tudo é tabu. Mais grave do isso e porque não permitem que o debate seja iniciado, o próprio país começa a entrar em pânico só de pensar na possibilidade deles desaparecerem. Já é altura dos políticos africanos, de uma vez por todas, os mais velhos e os mais novos, assumirem a política como um serviço público, como outro qualquer com direito à reforma e deixarem de pensar que depois deles não haverá mais ninguém com capacidade para segurar o leme de um barco, por vezes tão mal dirigido durante o seu consulado. É só isso que lhes estamos a pedir nesta jornada africana, cuja proximidade com o nosso 27 de Maio não é possível ignorar.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

5ª Edição do Almoço Evocativo do 27 de Maio (actualizado)

Com os ingredientes de sempre, o encontro com a memória e com a amizade terá lugar no próximo dia 25 de Maio pelas 14 horas no jango da Chá de Caxinde, na baixa de Luanda. É Dia de África, é feriado e calha numa segunda-feira. Quatro mil kwanzas mais uma bebida ao gosto de cada um, será este ano o custo do reencontro. Para mais informações sobre as inscrições estão disponíveis os contactos 912506443/912501144 O recado de sempre aos patrocinadores que têm sabido corresponder ao nosso apelo sobretudo com molhados (bebidas). No seu género, este almoço acaba por ser uma referência solitária na nossa desértica paisagem política onde tem sabido sobreviver à voragem do tempo e à conspiração do silêncio, depois de todo o barulho que já foi feito em relação à data, quando neste país só se ouvia uma voz e só se contava uma versão dos factos. O género é o da preservação da memória e da homenagem a toda uma geração que foi sacrificada no altar da violência e da intolerância do estado, que foram de facto e de jure os valores mais intrínsecos e estruturantes que fizeram morada entre nós ao longo de toda a primeira república popular. Vivemos num país onde a história ainda é ministrada nas nossas escolas como uma disciplina de formação e condicionamento político-ideológico dos nossos jovens. Em relação ao 27 de Maio o que se consome actualmente é uma historiografia oficial, a também conhecida "história dos vencedores", que a honestidade intelectual deveria aconselhar-nos a saber colocar na respectiva prateleira, que sem ser bem a do esquecimento, também já não está em condições de asfixiar pela via da intimidação (aberta ou velada) as outras parceiras da mesma empreitada. A história que por si só já é considerada uma “disciplina fundamentalmente ambígua”, encontra no passado angolano um território onde as areias são demasiado movediças, pelo que não será tão cedo que iremos ter entre nós a história de todas as histórias que andam por aí à solta. Para já vamos mesmo ter de investir o máximo na recolha da memória viva que todos os dias se perde um bocado com a morte dos protagonistas. Depois em função do andar da carruagem, logo se verá. Continua a estar tudo em aberto!

Nova edição da Purga

Esta 3ª edição, agora da «TEXTO», contém mais 50 páginas que a antiga, com novos dados que reforçam tudo o que antes tínhamos dito. E incluí, ainda, uma análise das dezenas de reacções ao livro, nos meios de comunicação social e em sites e blogues, reacções à esquerda e à direita, do excelente ao péssimo, passando pelos insultos e até pelas ameaças de morte. Donde se comprova que a defesa dos direitos do homem e a denúncia do que poderíamos designar como crimes contra a Humanidade é, em certos casos, uma tarefa perigosa. Todo o material que serviu de suporte a este livro, documentos, entrevistas gravadas e transcritas, jornais e revistas, inclusivé filmes dos acontecimentos, foi depositado na Torre do Tombo, para consulta nos termos e prazos legais. Um abraço do Álvaro Mateus

Novamente o debate racial

1-Nas últimas semanas e depois do Bilhete de Identidade (BI) ter voltado ao parlamento tendo em vista a sua reformulação, alguns dos nossos mais conceituados fazedores de opinião, onde nesta altura Yanick Gombo já é a estrela mais reluzente, abordaram nas suas colunas mais ou menos sonoras, a questão racial, conferindo-lhe alguma visibilidade numa sociedade em que era suposto a mesma já não suscitar tantas preocupações. A referência de proa ao Afroman tem a ver com a sua música mais recente que ele próprio, numa manifestação de auto-censura, de acordo com as suas palavras, decidiu não incluir no último disco. A música conseguiu, entretanto, “fugir” de casa e já está na rua e na internet a fazer subir ainda mais a sua cotação no mercado, onde já se diz que ele é o rei das vendas e das multidões. Acredito mas não mudo de equipa. Com os ouvidos atentos a tudo e a todos, continuo a ser um fã incondicional do Matias Damásio, depois de já ter eleito o "Coisas da Vida" de André Mingas como o melhor trabalho até agora produzido pela pela renovada música angolana de raíz. Estou, obviamente, a falar do semba. Devo confessar que tive alguma dificuldade em acompanhar o Yanick neste seu novo "balanço", tantas, tão cruzadas e tão asperas, foram as críticas que ele fez a tudo e a todos na sua quilométrica e curvilínea prosa. Por exemplo, fiquei sem perceber se ele está contra ou a favor dos relacionamentos entre pessoas de raças/cores diferentes ou se há algum problema mais grave neste âmbito para além dos supostos complexos que Yanick diz existirem. Para além dos “beefs” do Yanick, retive ainda as preocupações do Ismael Mateus (IM) que sinceramente me deixaram a pensar durante alguns dias devido à profundidade das mesmas, quando ele, por exemplo, diz que os negros deste país não podem andar a pedir licença para serem negros. É muito grave o que ele diz, mas continuo a pensar e a defender o mesmo quando em debate está a questão racial e todas as suas problemáticas conexas. Acho que não se deve confundir a arvore com a floresta, por mais que algumas das arvores por força de determinados ventos mediáticos, a certa altura do nosso precurso, se queiram substituir à paisagem. Sou o primeiro a abraçar o conselho do IM. Tem de facto de "haver tranquilidade nestas questões." 2-Depois do segregacionista colonial-fascismo ter sido violentamente atirado para o caixote de lixo da nossa história, por culpa de dois ditadores de pacotilha que estiveram no poder em Lisboa durante cerca de 50 anos, Angola assumiu a sua verdadeira identidade como sendo um país de maioria negra. Não tenho a menor dúvida a este respeito, nem poderia ser de outra forma, tendo em conta o carácter bastante homogéneo da nossa população do ponto de vista da sua composição racial. Para além da população negra de origem bantu e da abandonada minoria koisan que habita na nossa parte mais meridional, Angola tem no seu espaço territorial, como resultado da própria colonização, uma percentagem de angolanos tidos como não negros e que podem ser reunidos no grupo dos mestiços de vários matizes. A sua identidade racial tem suscitado por vezes alguma controvérsia quando se trata de proceder a sua identificação mais formal, como aconteceu com o Bilhete de Identidade que agora está a ser revisto. Como é evidente não nos poderíamos esquecer da percentagem ainda menos expressiva dos angolanos brancos que completam o nosso “xadrez étnico” e fazem de Angola um país relativamente estável e consolidado do ponto de vista da coabitação entre os seus vários grupos étnicos. Antes de mais, devo referir que não há absolutamente nada de anormal e muito menos de condenável, o país, que somos todos nós, querer conhecer qual é exactamente a composição da sua população sob todos os pontos de vista, incluindo, obviamente, o racial. Os censos populacionais servem exactamente para se proceder a este necessário, importante e estratégico levantamento periódico (com intervalos de 10 anos) que Angola já não realiza há mais de 35 anos, pois o último exercício do género, que se tem conhecimento, aconteceu ainda durante a vigência do regime colonial em 1970. 3-Para conhecermos exactamente quantos e quem somos nós para todos os efeitos, o que Angola tem que fazer é organizar urgentemente o seu primeiro recenseamento geral da população no pós-independência, pois não acho que a via do BI seja a mais adequada para se conseguir obter toda a informação que se deseja sobre a composição da população angolana. Mais preocupado com as questões ligadas ao desenvolvimento económico, à distribuição do rendimento nacional, à transparência da governação e à luta contra a pobreza e o respeito dos direitos humanos, porque é por aí que vamos resolver as grandes e gritantes injustiças deste país, não costumo dar muita importância ao debate da questão racial, o que não quer dizer que ela não exista e que o proposto tema não seja relevante. Fui certamente uma das pessoas deste país que não me preocupei nem um bocado com a “maka” da introdução da raça no BI, diante da dimensão dos nossos múltiplos e gravíssimos problemas sócio-económicos. Em abono da verdade para mim nunca houve “maka” nenhuma e até achei divertido o assunto depois das histórias que fui tendo conhecimento na hora da identificação oficial dos nossos “diamulas”, com uns a entrarem negros e a saírem mestiços e vice-versa. Ainda no âmbito deste “dossier” achei igualmente interessante a informação segundo a qual foi um deputado do MPLA o responsável pela introdução da “emenda da raça” no projecto governamental que Paulo Tchipilika levou ao Parlamento. Não foi, portanto, o Governo a tomar tal iniciativa. Na hora da votação registou-se uma grande e pouco usual concordância entre as maiorias das bancadas do “Eme” e do “Galo Negro” no sentido do elemento raça ser introduzido no BI, contra uma minoria que votou contra. Nunca consegui saber quem foram os deputados que se opuseram à “racialização” do nosso BI. Aguardo pois com alguma expectativa pela próxima votação do novo projecto de BI ( sem o elemento raça) que o Governo fez chegar ao Parlamento. Sei que o autor da anterior emenda não faz parte neste momento da composição do actual hemiciclo. 4-Em termos de prioridades, como já referi, a minha agenda é outra, pois acho que algumas das tensões que continuam a assaltar e a preocupar a nossa sociedade, incluindo as raciais, só serão ultrapassadas quando a gestão sócio-económica deste país pensar mais seriamente, para além dos discursos e de toda a estafada retórica política que anda por aí, na enorme mancha de pobreza que nos envergonha enquanto país com tantas potencialidades e virtualidades. De facto e para além do petróleo, o nosso outro grande produto de exportação são as imagens de miséria social e de degradação humana ao lado dos luxuosos e blindados condomínios, que andam pelo mundo afora a falar bem mal do país real que é Angola. Enquanto isso não acontecer, enquanto os angolanos não beneficiarem dos dividendos da paz, as tensões políticas, sociais, tribais, regionais e raciais, vão de facto multiplicar-se e agravar-se e todo o terreno será fértil para se lançarem as sementes da confrontação, do ódio e da violência. Não quero com este “alerta”, enviar qualquer recado menos encorajador aos proponentes do debate racial que desde já gostaria que reflectissem nesta problemática de uma forma o mais abrangente, descomplexada e isenta possível, isto é, tendo em conta todos os seus contornos e todas as queixas e reclamações que se vão ouvindo aqui e acolá. Com efeito e se olharmos com olhos de ver, sem as habituais ramelas do preconceito, nos “dois lados da barricada” facilmente encontraremos recriminações mútuas, sendo as manifestações mais ou menos racistas ao nível dos indivíduos assumidas tanto por negros, mestiços e brancos. É só assistirmos a uma discussão de rua para ver com que insultos é que ela começa e termina. Parece não haver muitas dúvidas a este respeito. Acabamos por registar queixas vindas de todos os lados, sem incluir aqui as instituições onde a questão parece ser ainda mais sensível. Antes de chegar a outras conclusões em termos mais percentuais, o que pretendo é convidar/desafiar todos aqueles que estão realmente interessados em discutir o assunto com o propósito sério de contribuir para a sua eventual solução, a passarem para a fase seguinte do debate racial o que implica necessariamente uma maior frontalidade. Frontalidade para deixarmos a fase da generalização, que é aquela que ainda estamos com ela, para passarmos à fase da identificação concreta dos casos mais graves e recorrentes que envolvam manifestações de rejeição do outro apenas por causa da sua raça. É igualmente nesta fase que teríamos de identificar as instituições e locais de diversão onde a pratica do racismo tem vindo a ser detectada pela vigilância da nossa sociedade e reflectida em alguns escritos e letras musicais. Como fazer este “trabalho” com alguma eficácia é que parece ser o grande problema. Para já, apenas temos para oferecer o método do debate contraditório e os espaços da comunicação social disponíveis que também não são muitos.

Lando Fufuta:Um exemplo na luta contra o silenciamento

De seu nome completo José Lando Fufuta, é também conhecido como sendo o Presidente da Associação de Apoio para o Desenvolvimento da Baixa de Cassange. Pelo andar barulhento e algo fumarento desta pequena carruagem da sociedade civil angolana, não tarda que a associação do Sr. Fufuta venha a ser ilegalizada por quem de direito, acusada de estar a poluir politicamente o saudável meio ambiente que se vive no país.
Como é evidente, estamos longe de partilhar desta avaliação climática, embora reconheçamos alguns progressos no nosso boletim meteorológico que já não tem nada a ver com o passado. Lamentavelmente, ainda continuam a chover neste país demasiados canivetes e picaretas contra os direitos fundamentais da pessoa humana, o que já não deveria acontecer.
Lamentavelmente e o que é mais grave, a própria legislação quando não é omissa, acaba por estar em desacordo com a constituição em matéria de liberdades e direitos fundamentais.
É o caso da Lei das Associações, fortemente atacada pelo vírus da inconstitucionalidade. Enquanto ela não for revista, quem de direito pode ilegalizar quem quiser e quando bem lhe apetecer. É só a associação descontente abrir o bico para protestar que leva logo com um cartão vermelho, porque a norma diz que tais organizações podem ser livremente constituídas, mas não podem utilizar como seu instrumento de trabalho um direito fundamental que é a liberdade de expressão. Ponto final. Paragrafo. Pela sua postura abertamente crítica em relação ao comportamento das autoridades na região de onde é originário, o Sr. Fufuta não é bem uma flor que os círculos oficiais deste país gostem de cheirar muitas vezes ao dia. E quando tal acontece, o que se passa é que a tal flor deixa imediatamente de poder cheirar os microfones da comunicação social pública, melhor dizendo, da comunicação social governamental. Há muito que o Sr. Fufuta é persona non grata.
Toda a gente sabe disso, começando pelo próprio, que é certamente um angolano que aprendeu rapidamente a conferir todo o valor ao pluralismo informativo, como um dos pilares mais sólidos da liberdade de imprensa.
Graças ao pluralismo, este país já não tem só uma rádio, um jornal e uma televisão. Graças a ele, o Sr. Fufuta vai continuando a falar e a defender a sua causa, quer o governo goste dele, quer não. Depois de ter ouvido o Conselho Nacional de Comunicação (CNCS) criticar a comunicação social pública em Fevereiro deste ano por estar a silenciar os partidos da oposição e as sensibilidades mais críticas da sociedade civil, o Sr. Fufuta decidiu testar o Conselho apresentando-lhe em Abril uma queixa contra a RNA e o Jornal de Angola por “fechamento deliberado”. Por falta de provas o Sr. Fufuta perdeu a acção intentada contra a média estatal, mas conseguiu que o CNCS reafirmasse na sua deliberação o direito que os cidadãos têm de fazer ouvir a sua voz através da comunicação social. “Sem entrarmos exactamente no mérito da queixa, afigura-se importante referir que à luz das obrigações legais que impendem sobre os meios de comunicação social públicos, constitui conduta reprovável o alegado “fechamento deliberado” como aponta a Associação de Apoio para o Desenvolvimento da Baixa de Cassange, ao comportamento da midia estatal. Saliente-se que todos os órgãos de comunicação social têm a responsabilidade social de “informar o público com verdade, independência, objectividade e isenção, sobre todos os acontecimentos nacionais e internacionais, assegurando o direito dos cidadãos à informação correcta e imparcial”, (alínea b) do artigo 11º da Lei n. 7/06, de 15 de Maio). O mesmo artigo na sua alínea c) refere ainda que a imprensa deve “assegurar a livre expressão da opinião pública e da sociedade civil”. Para além disso o Sr. Fufuta conseguiu ainda que o CNCS voltasse “a recomendar aos órgãos de comunicação social que tenham em devida conta, à luz das obrigações legais, o dever de ouvir todas as sensibilidades e sectores da nossa sociedade sempre que em causa estiver a salvaguarda do interesse público.” O interesse público, é bom que fique claro, não é apenas assumido ou defendido pelo governo como à primeira vista se poderia supor. A permanente lavagem cerebral por intermédio dos “choques mediáticos” a que estamos sujeitos reforça igualmente esta ideia de exclusividade. Quantos e quantos governos já não foram pelo ralo abaixo exactamente por estarem contra o interesse público, fazendo prevalecer os interesses particulares da sua nomenklatura. Salvaguardar o interesse público também é, por exemplo, “promover a boa governação e a administração correcta da coisa pública”. É igualmente “assegurar a livre expressão da opinião pública e da sociedade civil”. Aparentemente derrotado, apenas por razões técnicas, o Sr. Fufuta acaba por ser um exemplo que importa seguir e destacar. Com o Sr. Fufuta aprendemos uma vez mais que neste país, calados, para além de não mamarmos também não vamos a sítio e muito menos contribuímos para que os poderes públicos se democratizem. A democratização da média estatal continua a ser um grande objectivo em Angola que ainda está muito longe de ter sido alcançado e que às vezes, até parece que se está a distanciar a grande velocidade, quanto mais nos aproximamos dele. Dá para entender?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

5ª Edição do Almoço Evocativo do 27 de Maio

Com os ingredientes de sempre, o encontro com a memória e com a amizade terá lugar no próximo dia 25 de Maio pelas 14 horas em local a indicar oportunamente. É Dia de África, é feriado e calha numa segunda-feira. Para mais informações sobre as inscrições estão disponíveis os contactos 912506443/912501144 O recado de sempre aos patrocinadores que têm sabido corresponder ao nosso apelo sobretudo com molhados (bebidas).

A liberdade de imprensa e a nova marginal de Luanda

1-Algo surpreendido pelo seu desempenho, devo confessar que gostei imenso de ouvir o Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos (Nandó), defender o princípio do contraditório como sendo uma das traves mestras da actividade jornalística. De facto, e logo eu que me estou sempre a recordar do passado policial e securitário de Nandó, nunca me passou pela cabeça vê-lo um dia destes nas vestes de um paladino da liberdade de imprensa, com um discurso tão de acordo com os mais radicais e íntegros princípios do jornalismo de referência. "Nós partilhamos dessa visão do processo comunicacional e, com as autoridades competentes do Estado, devemos assumir o compromisso de fazer com que as potencialidades dos Meios de Comunicação Social, porventura não usadas ou insuficientemente exploradas até aqui, sejam canalizadas para o reforço da liberdade de expressão, do respeito dos valores éticos e deontologia jornalística, do aprofundamento do diálogo inter-cultural e da superação de estereótipos ainda existentes". Nandó falava por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o 3 de Maio, na abertura de um colóquio alusivo a data, promovido no dia seguinte pelo Parlamento. O que o Presidente da Assembleia Nacional não se deve esquecer de agora em diante é das suas próprias palavras sobre o jornalismo e da história do peixe que (normalmente) morre pela boca. É apenas isso que lhe pedimos e que certamente lhe vamos cobrar quando chegar a altura de acertarmos algumas contas mais complicadas com as liberdades fundamentais, tão usadas no discurso mas tão esquecidas na prática e no dia-a-dia. Terão sido as primeiras palavras de Nandó sobre a imprensa e a liberdade?
Não sabemos.
O que sabemos é que ele desta vez falou muito bonito mesmo, como nunca tínhamos ouvido de ninguém lá de cima. Nota 10 para o seu assessor que ainda não sabemos quem é. Com mais esta iniciativa a Assembleia Nacional mantém (reforça) a nota positiva que já lhe havíamos atribuído aqui há duas semanas, quando dissémos que a nova legislatura estava a emitir sinais diferentes no seu relacionamento com o Governo. Esta semana tivemos a 4ª Comissão chefiada por Nzau Puna a contactar o governo sobre a maka das casas, das demolições e dos realojamentos no deserto do Zango. Ainda não houve balanço, porque os contactos vão prosseguir. Agora só falta mesmo a 6ª Comissão ir até ao Zango ver como é que os angolanos são forçados a viver quando lhes são negados os seus direitos fundamentais pela administração de um Governo que eles elegeram muito recentemente. Não é nada disso! 2- O Governo, na pessoa de Higino Carneiro, inaugurou mais uma marginal em Luanda, esquecendo-se de nos dizer o que é feito da outra marginal que está em obras desde 2007, com todas as consequências desastrosas que se conhecem para a paisagem da nossa baía. Nenhum dos jornalistas presentes no acto de arranque da obra da nova marginal (Luanda sudoeste) perguntou a Higino Carneiro o que se está a passar com as obras paralisadas. Também não perguntaram nada sobre as consequências sociais e ambientais da nova obra que se vai estender por mais de oito quilómetros. Mas será mesmo que estiveram lá jornalistas? De facto e de jure andar com um microfone e uma máquina de gravar não confere a ninguém a categoria de jornalista. Nunca conferiu. Jamais irá conferir. Então quem é que esteve lá? Ouvimos antes Bento Soito, o Vice de Luanda, dar a conhecer, através da LAC, que as obras do Projecto Baía deverão reatar no próximo dia 18. Soito disse que não podia dizer mais nada porque também não sabia. Disse para irem perguntar ao Higino Carneiro. Soito disse, entretanto, que o Governo de Luanda também não estava a gostar nada de ver a baía naquele lastimável estado de choque. Pelos vistos ninguém está a gostar, o que já não é nada mau para inicio de conversa.

O titanic angolano está em risco?

Os bancos comerciais estão muito preocupados com o impacto negativo do mais recente Instrutivo de Política Monetária do BNA (4/09 de 20 de Abril), ao ponto de já terem feito chegar ao Executivo os seus receios em relação a desestabilização económica e financeira que o mesmo deverá provocar. Na sequência desta nova orientação que tem certamente muito a ver com o impacto da crise global em Angola, já se começou a ouvir falar do regresso à direcção da economia das ideias mais conservadoras (anti-mercado) que fizeram época durante o consulado de Emanuel Carneiro. O actual Ministro das Finanças, Severim de Morais e o novo Governador do Banco Nacional de Angola, Abraão Gourgel, são os dois, em termos de formação académica, oriundos de escolas comunistas. O primeiro formou-se em Cuba e o segundo na já extinta República Democrática Alemã (RDA). Esta coincidência parece estar a alimentar ainda mais os comentários que chegaram ao conhecimento nos últimos dias do Angolense sobre a possibilidade de se estar a assistir a um regresso ao passado, com todos os excessos que se conhecem da intervenção do estado na economia. Em recente carta dirigida ao Ministro das Finanças e ao Governador do Banco Nacional de Angola em nome da Associação Angolana de Bancos (ABANC), o seu Presidente, José de Lima Massano, não teve muitos rodeios em chamar as coisas pelo seu próprio nome, alertando quem de direito para a gravidade da situação em perspectiva. É dito na carta que a “redução de liquidez que resultará do cumprimento do mais recente Instrutivo de Política Monetária, é dos maiores perigos a que se pode expor a banca, pelo que se apela à sua revisão urgente, sob pena de se fragilizar de modo grave o sistema bancário e, assim, a inviabilização de projectos e programas com impacto no crescimento da economia”. Como resultado das novas orientações já são visíveis as reacções da banca comercial em consonância com as mesmas. É tendo em conta esta realidade que a ABANC “regista com grande preocupação que as instituições bancárias, como medida cautelar e de prudência, tenham iniciado um processo de redução acentuada de novas operações de crédito à economia não petrolífera, de agravamento involuntário do custo da intermediação e, não menos importante, de ajustamento de programas de expansão e modernização”. Os bancos comerciais reagem assim às medidas tomadas pelo Banco Nacional de Angola no tocante ao agravamento das reservas obrigatórias e à suspensão da emissão de Bilhetes do Tesouro e de Títulos do Banco Central. A carta da ABANC está a ser digerida pela nova equipa económica liderada pelo Ministro da Economia, Manuel Nunes Júnior, pois até ao momento, pelo que consta, ainda não houve uma reacção do Governo. A ABANC considera que com o actual assalto à liquidez da banca comercial, as instituições financeiras atingidas viram a sua capacidade de manobra afectada de “modo preocupante e inquietante”. Em causa está a “capacidade de o sector honrar compromissos assumidos, executar operações de rotina e perigosamente abrandar ou até mesmo parar a concessão de crédito à economia não petrolífera, com repercussões perversas nos objectivos defendidos pelo próprio Governo no seu Plano Naciona 2009-2012.” O quadro de risco é agravado, pode ler-se na missiva a que o Angolense teve acesso, “ pelo facto de o acesso ao redesconto para a tomada temporária de findos ser excessivamente oneroso e lesivo da manutenção de relações equilibradas de mercado”. Em relação ao mercado cambial as medidas adoptadas pelo Instrutivo do BNA também não convenceram os nossos banqueiros e bancários, pois “atingem de forma indiscriminada os operadores, expondo a estabilidade da banca como um todo”. A ABANC alerta o Governo para a possibilidade das actuais medidas, ao limitarem em demasia a função de intermediação da banca, puderem de forma involuntária contribuírem para um agravamento ainda maior da crise. Neste particular a ABANC faz recurso ao exemplo “de experiências recentes e conhecidas em que a ausência de liquidez no sistema financeiro levou à queda de economias mais robustas com custos elevados para o erário público”.
(Telmo Augusto/Angolense)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"Jornalismo de excitação"- Uma tese ao serviço do poder político

Depois da “peregrina tese” por mim defendida sobre a existência em Angola de um “jornalismo de ressonância”, fui nos últimos dias confrontado com uma outra “tese” (ainda não desenvolvida) que parece situar-se nos antípodas da minha e que tem a ver com a suposta prática na média local de um “jornalismo de excitação”. Diria mesmo nos antípodas do próprio conceito jornalístico, onde muito pouco ou quase nada se consegue sem o mínimo de “excitação”, numa altura em que está na moda a referência permanente a adrenalina, como sendo o motor de busca de toda a actividade humana mais ambiciosa nos seus propósitos. É muito fácil, note-se, identificar os produtos que resultam de intervenções onde os membros da classe optam por posturas menos “excitadas” ou mais “flácidas”, sem a tal adrenalina, no seu relacionamento com as fontes ou mais directamente com a própria realidade dos acontecimentos que são chamados a cobrir para os seus respectivos órgãos. O mais grave, é que muitas vezes acabam por ignorar a própria realidade dos factos, substituindo-a, quando estão diante de situações claramente conflituosas, por unilaterais declarações da polícia ou do governo em obediência a outros interesses que são profundamente estranhos à natureza abrangente, contraditória e inclusiva do jornalismo. Ouvir a polícia não significa necessariamente ignorar os manifestantes, nem ocultar as razões dos incidentes, que numa primeira abordagem têm sempre que resultar da apresentação das versões disponíveis. É esta natureza que confere à nossa profissão a credibilidade que ela ainda vai conseguindo manter (a muito custo) junto da opinião pública que sabe cada vez melhor separar o trigo do joio, identificando onde acaba o jornalismo e começa a propaganda, a desinformação, a manipulação e a intoxicação. A “excitação” que se pretende imputar ao jornalismo como um carimbo negativo, a ter em conta situações recentes do nosso quotidiano luandense, parece-nos mais ser uma crítica ao desempenho dos profissionais que querem estar no terreno dos factos, não como porta-vozes, mas apenas como repórteres. Em matéria de cobertura jornalística, Angola não pode ser diferente dos outros países. No “jornalismo de ressonância” o profissional transforma-se num mero transmissor e amplificador das informações que a fonte está a debitar num determinado encontro, sem qualquer preocupação, por exemplo, em relacionar as mesmas com factos anteriores conexos ou previsões futuras pertinentes resultantes de uma imperativa análise circunstancial. Da breve pesquisa que efectuei com recurso ao “Big Google”, colocando entre aspas a referida expressão, apenas encontrei o mesmo autor, que é o nosso antigo Jota Malanza (JM), como sendo o defensor em dois momentos distintos da prática do dito “jornalismo de excitação”. Para além do texto da última segunda-feira (27/4) que o Jornal de Angola deu à estampa, encontrei a mesma expressão o ano passado, proveniente da sua criativa lavra e igualmente debitada no mesmo periódico, onde o colunista constitui efectivamente uma referência solitária na promoção do debate contraditório de ideias dentro e fora da sua família política. Para melhor compreensão do que estamos aqui a tentar discutir, citarei as duas passagens onde JM faz uso da tal expressão. [“Se eu defendo o direito de todos os cidadãos de manifestar a sua opinião sobre a necessária reurbanização de todas as cidades do país – e, mais amplamente, sobre o reordenamento do território nacional no seu conjunto -, discordo em absoluto do incitamento de certos políticos a actos de revolta social injustificada, assim como da cobertura demagógica de um certo “jornalismo de excitação”, que confunde democracia com irresponsabilidade.”-2009 (…) “Uma nota final para o papel da mídia na alimentação e reprodução da mentalidade catastrofista. Até projectos que se pretendem referenciais começam a cair na tentação do “jornalismo de excitação” praticado entre nós, em termos de cobertura política. Isso é comprovado por uma série de vícios jornalísticos básicos, da assumpção acrítica de declarações dos diferentes actores políticos ao recurso a expressões vulgares para transmitir ou comentar os factos políticos”-2008] Devo confessar-me um dos leitores mais atentos de JM, o que faço com muito gosto mas com sabor a muito pouco. No referido diário ele acaba por se constituir na única pena realmente livre de outras “ressonâncias” que ultrapassam a consciência de quem anda nestas lides mais opinativas e acredita, como nós, que o país mudou para melhor. Acredita mesmo e age em conformidade com tal crença que é o mais complicado no país real que estamos com ele e que não tem nada a ver o com o país dos discursos, das grandes conferências e das intrigas permanentes. Está escrito no meu portal que a minha a minha principal "mania", para além de ser angolano e luandense de gema (calcinhas qb), é pensar que já sou um cidadão livre a viver num país democrático e, mais grave do que isso, agir em conformidade com uma tal suposição. Não me tenho dado mal de todo com esta "mania" de ser angolano e de ser livre, o que significa dizer que o país está a mudar para melhor. Algum dia tinha que ser, embora pela frente ainda haja muita pedra por partir, muita cabeça dura por abrir. Com JM ainda tenho de facto muita pedra por partir no domínio da problematização do fenómeno jornalístico, o que vou fazendo a espaços, sempre que a oportunidade surge para tal, como aconteceu agora nos últimos dias. Curiosamente e ao mesmo tempo que JM criticava o tal de “jornalismo de excitação” num outro texto da sua autoria publicado num outro jornal, era visível o seu agastamento com a “malta da imprensa” menos excitada mas que “também não ajuda”. Segundo ele os jornalistas dessa “malta” mais bem comportada, limitam-se a receber a informação institucional, a assistir as conferências de imprensa, mas “não fazem as perguntas que deveriam fazer, não questionam, não vão ao fundo dos assuntos, enfim acabam por funcionar, conscientemente ou não, como meros relações públicas. Por isso, o público fica sem saber o que realmente se passa e os comentaristas informais como eu, correm o risco de falar à toa”-Sic. Como é evidente estou inteiramente de acordo com as preocupações de JM, que vezes sem conta já dei à estampa. Claramente, nesta postura, está uma profunda ausência de “excitação” dos jornalistas que se comportam como “meros relações públicas”. Haverá pior ameaça para a sobrevivência do jornalismo?
São os mesmos jornalistas que diante de conflitos só podem ter o mesmo comportamento das conferências de imprensa.
Transformam-se em porta-vozes das autoridades.
Demitem-se. Desaparecem. Envergonham o próprio jornalismo. Não parece pois muito coerente da parte de JM criticar os outros jornalistas por uma alegada “cobertura demagógica”, quando o que eles procuram fazer é exactamente no terreno dos conflitos sociais, questionar com a necessária profundidade o que se está a passar, o que não é possível conseguir silenciando um dos lados da barricada. Se fazer isto é demagogia, então estamos conversados…

terça-feira, 28 de abril de 2009

3 de Maio- Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (castelhano)

Mensaje del Sr. Koichiro Matsuura, Director General de la UNESCO, con motivo del Día Mundial de la Libertad de Prensa 3 de mayo de 2009
"El Día Mundial de la Libertad de Prensa nos brinda cada año la oportunidad de afirmar la importancia de la libertad de expresión y la libertad de prensa, que son derechos humanos fundamentales consagrados en el Artículo 19 de la Declaración Universal de Derechos Humanos.
Con motivo del Día Mundial de la Libertad de Prensa 2009, la UNESCO pone de relieve las posibilidades que ofrecen los medios de comunicación para fomentar el diálogo, el entendimiento mutuo y la reconciliación.
En el mundo contemporáneo, donde los factores que impulsan la mundialización han acelerado las interacciones entre los pueblos, es fundamental lograr que éstos se comuniquen por encima de sus diferencias culturales.
Los medios de comunicación pueden ser árbitros a este respecto y tienen una importante función que desempeñar para alentar y facilitar esa comunicación y ofrecer una tribuna abierta que propicie el debate entre todos los sectores de la sociedad. Respetar las diferencias culturales pero preservar al mismo tiempo la libertad de expresión: ambas exigencias plantearán siempre conflictos que serán objeto de debate y negociación en toda democracia.
Para la UNESCO, toda persona tiene derecho a expresarse con franqueza e incluso sin miramientos, con tal de que no pretenda incitar a la discriminación, la hostilidad o la violencia. Ante eventuales tentativas de restringir el derecho a la libertad de expresión, deberá tenerse presente ese principio.
Para fomentar a largo plazo una cultura mediática que propicie la consolidación de la paz se han de fortalecer los principios y prácticas de los medios de comunicación libres y profesionales. Los medios de comunicación entusiastas, independientes, pluralistas, integradores e imparciales, libres desde el punto de vista de la redacción y ajenos a la censura y la influencia de los propietarios o empresas son los únicos que pueden contribuir al diálogo y la reconciliación, pese a todas las diferencias.
Al poner en entredicho las actitudes y los estereotipos imperantes acerca de otras culturas, religiones y pueblos, los medios de comunicación también pueden ayudar a combatir la ignorancia que genera desconfianza y recelo, promoviendo así la tolerancia, y esa aceptación de la diferencia que valora la diversidad como una oportunidad para el entendimiento.
Habrá que redoblar los esfuerzos para crear medios de comunicación que sean críticos con los supuestos arraigados en el pasado, pero tolerantes con otros posibles puntos de vista, que faciliten información útil para que la gente tome decisiones informadas, que integren las posturas antagónicas en una historia común de interdependencia y que respondan a la diversidad mediante el diálogo.
En este Día Mundial de la Libertad de Prensa 2009 se ha de asumir un compromiso colectivo para impulsar la libertad de prensa y la libertad de expresión en el mundo entero. Se dispone de los principios y los marcos necesarios para evaluar las acciones propias y ajenas. La plena aplicación de esos principios exige la colaboración de todos.
Una prensa libre no es un lujo que pueda esperar hasta que lleguen épocas más pacíficas: forma parte del propio proceso a través del cual esa paz podría lograrse."
Koichiro Matsuura

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Contratação de profissionais estrangeiros preocupa Sindicato dos Jornalistas

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) divulgou esta semana, com a data de 21 de Abril, um comunicado assinado pela sua Secretária-Geral, Luísa Rogério, onde dá conta da sua posição em relação à contratação de profissionais estrangeiros para o sector. Eis o seu conteúdo: “O SJA tem vindo a seguir com alguma preocupação as informações que apontam para a contratação além fronteiras, nomeadamente em Portugal, de um número muito considerável de profissionais estrangeiros, na sequência do surgimento dos novos órgãos de comunicação social. O Sindicato não tem conhecimento oficial das condições em que estes contratos estão a ser feitos nem das suas reais motivações no plano das necessidades efectivas dos referidos órgãos, tendo em conta a oferta já existente no mercado jornalístico local e de outras áreas conexas. Enquanto organismo defensor dos interesses da classe, o SJA não pode, entretanto, ficar indiferente a esta movimentação, considerando antes de mais que a prioridade no preenchimento dos postos de trabalho desses órgãos, do topo à base, deve ser dada aos profissionais angolanos por razões óbvias. O SJA chama a atenção das novas entidades empregadoras para o conteúdo do Decreto n.º 6/01, de 19 de Janeiro que aprovou o “Regulamento sobre o exercício da actividade profissional do trabalhador estrangeiro não residente”. Ao abrigo deste Regulamento a contratação de trabalhadores estrangeiros não residentes só se justifica em situações concretas como se depreende da definição legal desta categoria laboral. A lei considera trabalhador estrangeiro não residente, “o cidadão estrangeiro que, não residindo em Angola, possua qualificação profissional, técnica ou científica, em que o país não seja auto-suficiente, contratado em país estrangeiro para exercer a sua actividade profissional no espaço nacional por tempo determinado”. O mesmo decreto proíbe, por outro lado, o estabelecimento de “disposições contratuais que contrariem o princípio da igualdade de tratamento entre trabalhadores estrangeiros não residentes e trabalhadores nacionais”. O Sindicato dos Jornalistas Angolanos defende a necessidade de primeiro se publicitarem em Angola todas as oportunidades de emprego e só depois, comprovada que estiver a impossibilidade de se encontrar no mercado local os profissionais desejados, se procurar além fronteiras suprir tais necessidades. Diante da dinâmica que vem conhecendo o mercado da comunicação social, na sequência dos novos investimentos públicos e privados no sector, o Sindicato considera ser cada vez mais urgente e inadiável a aprovação do Estatuto do Jornalista, condição indispensável para a criação da Comissão da Carteira e Ética, instrumento fundamental da auto-regulação que, lamentavelmente, tarda em surgir.”

O Ministério e o papel fiscalizador do Parlamento

NA- Esta matéria retoma o conteúdo do ponto prévio do texto anterior. 1-A semana passada o parlamento decidiu fiscalizar a actividade do Ministério da Comunicação Social, tendo para o efeito enviado a sua sexta Comissão até aos Combatentes para saber o que é que se está a passar com o tão estafado dossier da regulamentação da Lei de Imprensa aprovada em 2006. Antes de mais e de qualquer outra consideração mais específica à volta desta iniciativa concreta, vai daqui uma nota positiva para o desempenho do Parlamento nesta sua nova legislatura. O desempenho na vertente da fiscalização da actividade do Executivo, particularmente no acompanhamento dos seus compromissos plasmados nas próprias leis que o próprio governo tem vindo a fazer aprovar na Assembleia Nacional, com o apoio da bancada parlamentar do partido que o suporta. Uma bancada que viu crescer de forma extraordinária a sua força nas últimas legislativas ao ponto de ter ocupado quase todo o espaço disponível no hemiciclo. Como se sabe, na vertente da fiscalização os parlamentares têm direito a ser informados pelo Governo, regular e directamente sobre o andamento dos principais assuntos de interesse público. Os Deputados da Assembleia Nacional têm direito nos termos da Lei Constitucional, do Regimento da Assembleia Nacional, de interpelar o Governo ou qualquer dos seus membros, bem como obter de todos os organismos e empresas públicas a colaboração necessária para o cumprimento das suas tarefas. A nota positiva justifica-se pelo facto de na anterior legislatura termos visto muito pouco ou quase nenhum “interesse” da Assembleia em acompanhar a actividade do Governo numa perspectiva mais fiscalizadora. Um “desinteresse” que parece estar agora a ser substituído por uma outra intervenção mais atenta dos parlamentares ao desempenho do Governo. De facto o Executivo tem sentido muito pouca pressão da parte da Assembleia, ao ponto de raramente ter respeitado as suas obrigações, nomeadamente, com a regulamentação das leis, que acabam por se transformar em letra morta, como é o caso emblemático da Lei de Imprensa. Pelos sinais já emitidos nesta nova legislatura, tudo leva a crer que vamos ter uma Assembleia mais útil ao desenvolvimento equilibrado do país. Para tal os parlamentares têm que ter iniciativas, mais iniciativas. Iniciativas no domínio da própria produção legislativa, pois até agora o Parlamento tem sido um corredor por onde (é pelo menos a impressão) apenas o Governo tem passado (rapidamente) com os seus projectos. Durante o anterior mandato que demorou mais de 15 anos, as iniciativas legislativas do Parlamento terão sido muito pouco expressivas, tendo, curiosamente, aquela que mais expectativas alimentou, a da Alta Autoridade Contra a Corrupção, caído igualmente na alçada das letras mortas, por falta de vontade política do próprio proponente. 2- Na sua visita ao Ministério da Comunicação Social, os parlamentares foram informados que alguns dos diplomas exigidos pelo articulado da Lei de Imprensa deverão regressar ao Conselho de Ministros brevemente, depois de já lá terem estado antes das eleições do ano passado, durante a vigência do anterior Executivo. Segundo foi dito, a devolução deveu-se ao facto dos mesmos terem "caducado" como resultado da nomeação de um novo Governo.
Como cada vez ligo menos (para evitar engolir certos sapos) a certos "pormenores", cansado que já estou de ouvir algumas justificações demasiado repetitivas (é sempre mais do mesmo) para a minha paciência e inteligência, reterei desta démarche apenas a data em que as novas "explicações" para os atrasos que se verificam foram dadas, com olhar voltado para o calendário, a aguardar pela tal aprovação e consequente implementação do previsto nas disposições regulamentares. Devo acrescentar que a Lei de Imprensa (apesar de ser uma lei-quadro) será dos diplomas mais remissivos que já tive a oportunidade de conhecer, tendo a respeito já comparado o mesmo a um queijo suíço. São tantos os "buracos" que faltam preencher por via da regulamentação e complementarização que, sinceramente, não acredito que algum dia venhamos a tê-la pronta a 100% para consumo dos seus utentes, que somos todos nós.Na sequência desta iniciativa da sexta Comissão, reganhamos a esperança em dias melhores, pois estamos sempre a pensar na possibilidade de determinados comportamentos, resistências ou manobras, serem produto de alguma estratégia de bastidores. Se a Comissão está preocupada é sinal que foi dada alguma orientação mais estratégica para se resolver o problema da regulamentação o mais rapidamente possível. Sem termos outra informação, é esta a nossa percepção. Gostaríamos de encorajar a sexta Comissão a prosseguir as suas visitas, com o estabelecimento de outros contactos mais directos com todos os protagonistas do sector da comunicação social.
Todos são mesmo todos!
Eu faço a lista por blocos: Imprensa pública e privada (rádios, televisões e jornais) associações profissionais, CNCS (regulação) e Prémios de Jornalismo (Maboque e Nacional).
Uma sugestão: Que tal e na sequência desta ronda, a elaboração de um pequeno (limitado) relatório por parte da Sexta Comissão da Assembleia Nacional sobre o Estado da Comunicação Social em Angola, tendo como pano de fundo as expectativas e as eventuais mudanças surgidas no sector com a aprovação da nova Lei de Imprensa que este mês completa 3 anos de existência desde que foi promulgada a 28 de Abril de 2006 pelo Presidente da República.
Este tipo de relatórios pode ter uma grande utilidade nas mudanças (reformas) que se pretendem introduzir nos diversos sectores da vida nacional, onde permanentemente somos confrontados com um discurso dos seus responsáveis que não corresponde minimamente com a prática da sua gestão. Estamos a falar da comunicação social, mas podemos igualmente falar da justiça, do ensino superior ou da saúde. O Parlamento pode por este meio, pela via da elaboração de inquéritos sectoriais, contribuir grandemente para uma maior transparência da própria governação, confrontando-a regularmente com o estado real dos diferentes sectores da vida nacional. Não basta pois fazer visitas, fazer perguntas e obter respostas. É muito mais produtivo e interessante canalizar toda a informação recolhida nestas movimentações (já sistematizada) para o conhecimento da opinião pública, através de relatórios que repousem num levantamento real da situação. Se isto for feito, pelo menos em relação aos sectores mais críticos da nossa vida nacional, estamos em crer que o parlamento irá nesta legislatura dar um outro contributo à resolução dos problemas que temos pela frente.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Em tempo de crise a gente entende-se melhor (actualizado)

Ponto Prévio: Nos últimos dias o parlamento decidiu fiscalizar a actividade do Ministério da Comunicaçao Social, tendo para o efeito enviado a sua sexta Comissão até aos Combatentes para saber o que é que se está a passar com o tão estafado dossier da regulamentação da Lei de Imprensa aprovada em 2006. Os parlamentares foram informados que alguns dos diplomas exigidos pelo articulado da Lei de Imprensa deverão regressar ao Conselho de Ministros brevemente, depois de já lá terem estado antes das eleições do ano passado, durante a vigência do anterior Executivo. Segundo foi dito, a devolução deveu-se ao facto dos mesmos terem "caducado" como resultado da nomeação de um novo Governo. Como cada vez ligo menos (no sentido de engolir sapos) a certos "pormenores", cansado que já estou de ouvir algumas justificações demasiado repetitivas ( é sempre mais do mesmo) para a minha paciência e inteligência, reterei desta démarche apenas a data em que as novas "explicações" para os atrasos que se verificam foram dadas, com olhar voltado para o calendário, a aguardar pela tal aprovação e consequente implementação do previsto nas disposições regulamentares. Devo acrescentar que a Lei de Imprensa (apesar de ser uma lei-quadro) será dos diplomas mais remissivos que já tive a oportunidade de conhecer, tendo a respeito já comparado o mesmo a um queijo suíço. São tantos os "buracos" que faltam preencher por via da regulamentação e complementarização que, sinceramente, não acredito que algum dia venhamos a tê-la pronta a 100% para consumo dos seus utentes, que somos todos nós. A terminar este ponto prévio, gostaríamos de encorajar a sexta Comissão a prosseguir as suas visitas, com o estabelecimento de outros contactos mais directos com todos os protagonistas do sector da comunicação social. Todos são mesmo todos! Eu faço a lista por blocos: Imprensa pública e privada (rádios, televisões e jornais) associações profissionais, CNCS (regulação) e Prémios de Jornalismo (Maboque e Nacional). Uma sugestão: Que tal e na sequência desta ronda, a elaboração de um pequeno (limitado) relatório por parte da Sexta Comissão da Assembleia Nacional sobre o Estado da Comunicação Social em Angola, tendo como pano de fundo as expectativas e as eventuais mudanças surgidas no sector com a aprovação da nova Lei de Imprensa que este mês completa 3 anos de existência desde que foi promulgada a 28 de Abril de 2006 pelo Presidente da República. Voltaremos ao assunto. 1-Não estive presente na última reunião (7/4/09) que o Ministro da tutela, Manuel Rabelais, promoveu com os responsáveis de todos os órgãos de comunicação social (públicos e privados) mais os grémios sobreviventes do nosso desencontrado e pouco eficiente parque associativo, onde o pioneiro* Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) acaba por ser o único representante da classe a manifestar alguma capacidade e vontade de fazer os seus deveres de casa. [*O pioneirismo do SJA, para quem não conhece a história recente deste país, tem a ver com o facto relevante de ter sido a primeira associação sindical independente a surgir bem no inicio da década de 90, numa ruptura aberta com o sindicalismo do tempo do partido único, tutelado pela UNTA através dos seus dez sindicatos por ramo de actividade.] Desconfio que na tal reunião, que decorreu no CEFOJOR, devem ter sentido a minha falta, embora ninguém me tenha convidado. Mas como neste momento até tenho uma certa alergia por responsabilidades que ultrapassem as minhas cada vez mais modestas capacidades de dirigir pessoas complicadas e bens alheios, foi melhor (agradeço) que se tivessem esquecido de mim, enquanto aguardo pela criação do já proposto (por mim e agora mesmo) Alto Conselho dos Anciãos da Comunicação Social (ACACS). Nessa “kibuka” certamente terei assento por mérito próprio, embora todos os dias renove e rejuvenesça as minhas ideias com vários exercícios mentais (cerebrais) a ver se consigo evitar o pior que é o Alzeihmer, antes de bazar definitivamente. Calma que ainda não estou a pensar em "embarcar", nem tenho razões objectivas para isso... Um destes exercícios é utilizar o rato com a mão esquerda para ver se engano uns gatos espertalhões que andam por aí, vindos não se sabe bem de onde, a tentar caçar tudo e todos com o seu parlapié e com um suposto domínio da José Maria Relvas (a nossa antiga gramática), depois de terem aberto falência, sem nunca terem tido qualquer protagonismo profissional que os habilitasse a virem para cá dar lições de jornalismo e de português. O que é facto é que estão vindo e aos magotes a pressionar (aconselhar com alguma urgência) o Sindicato do ramo a tomar uma posição enérgica face a esta continuada invasão silenciosa das nossas redacções. Depois dos brazukas, agora temos os portugas, para não nos lembrarmos dos “nuestros hermanos”, de quem herdamos o gosto pela propaganda e a intoxicação da opinião pública. De outra forma, caso o Sindicato não olhe por nós, vamos mesmo terminar como contínuos, como um deles, aliás, já vaticinou publicamente nas colunas do próprio matutino onde tem luz verde para ameaçar e ofender todos quantos não estejam em sintonia com o pensamento reinante.Para além deste que já entrou para os anais da nossa estultícia mais recente, estou agora particularmente entusiasmado com um outro dikota que igualmente (como o primeiro) passou cerca de trinta anos na “mukueba” a dizer cobras e lagartos disto e agora, no seu regresso triunfal, transformado em revisor de provas, anda por aí, num tal de "postal diário", que pode ser lido no nosso “Pravda”, a dizer que a malta da banda cheira mal.Se isto não é abuso, então o quê que será? 2-Ao que me disseram algumas das fontes jornalísticas presentes no encontro do passado dia 7 no CEFOJOR, foi uma reunião algo surpreendente pelo grau de abertura e frontalidade com se abordaram algumas questões mais sensíveis para a vida do sector, tendo havido mesmo um certo lavar de roupa suja na presença dos Directores visados, que não tugiram nem mugiram. Dos salários em atraso até a contratação de revisores em Portugal que depois viram patrulheiros, tudo foi visto e dito.De facto há já bastante tempo que o nosso Manel (o nosso aqui é mesmo sem aspas) não se reunia com o pessoal todo, sem as barreiras do passado que continuam bem presentes, depois de ter marcado o arranque do seu consulado com uma perspectiva de trabalho diferente, sem dúvida muito mais abrangente e inclusiva do que a do seu antecessor.Em abono da verdade o “falecido” Vall Neto foi apenas o Ministro da Comunicação Social do Governo.Mais grave do que isso, chegou a querer ser mesmo (contra a sua vontade) o Ministro do Cacete para os Privados.Mas isso já pertence ao passado, embora seja sempre bom fazer estas incursões pontuais pelo pretérito mais do que imperfeito (demasiado mesmo) da nossa história turbulenta e truculenta. Como se sabe, a memória, de uma forma geral, não é bem o forte dos políticos, particularmente dos nossos, alguns dos quais se calhar até já se “esqueceram” que em Angola houve uma ditadura monopartidária sem liberdade de imprensa, embora, curiosamente, nunca tivesse havido censura propriamente dita, a do famoso lápis azul dos pides. O que havia de facto era uma forte auto-censura inspirada na fé e no medo, tema para uma outra abordagem mais desenvolvida que não cabe nos limites apertados deste "despacho" revisto e actualizado. 3-O reparo ao facto do Ministro nunca mais ter promovido uma sessão do género (brainstorming) traduz uma preocupação e uma crítica.Antes de mais, brainstorming é uma técnica que devia ser mais utilizada pelo governo nos seus contactos com os cidadãos visando a solução de problemas concretos.Genericamente este método inventado por Alex Osborn nos Estados Unidos, propõe que um grupo de pessoas não muito numeroso se reúna de vez em quando e utilize as diferenças dos seus pensamentos e ideias para que se possa chegar a um denominador comum eficaz e com qualidade, gerando assim ideias inovadoras que levem o projecto adiante.O brainstorming é, pois, uma ferramenta (devidamente organizada) de grande utilidade se quisermos gerir processos complexos com respeito pela diferença e em nome do interesse nacional.Percebe-se porque é que ela é tão pouco utilizada pelo Governo no seu conjunto, com as excepções, muito poucas, que se conhecem. O Executivo prefere fazer grandes, mediáticas mas pouco produtivas conferências. (A Conferência sobre a habitação exemplifica bem deste tipo de "solução".)De facto já começávamos a ficar preocupados com tanta ausência e com tanto silêncio da parte de quem (o nosso Manel) anunciou logo no inicio da sua gestão que as coisas iam ser diferentes, naturalmente, para melhor.Pior do que estavam, sobretudo em matéria de diálogo, também já seria muito difícil, embora não fosse de todo impossível em obediência ao principio de Murphy, segundo o qual nada está tão mal que não possa ficar pior. Angola tem sido um bom campo de verificação deste postulado catastrófico.Depois do brainstorming promovido nos últimos dias, ficamos a aguardar pelos seus resultados e pela realização da próxima sessão com a esperança de que não sejamos convocados dentro de mais uns anos e só depois de voltar a acontecer mais alguma crise.Pelos vistos em tempo de crise a gente entende-se melhor particularmente com o Governo, pois há já algum tempo que os privados não recebiam um convite tão directo para integrarem a sua artilharia de campanha.Depois de manifestada a preocupação passemos a crítica que é breve e que já é recorrente e que tem a ver com a lei de imprensa e com a concretização de alguns compromissos que continuam a aguardar pela sua regulamentação. Um deles é a definição do sistema de incentivos ao desenvolvimento da imprensa. 4-Em tempo de concorrência reforçada, com os grandes a investirem fortemente, os pequenos têm naturalmente de ser protegidos em nome da letra e do espírito da nossa lei. Neste mercado especifico a lei da concorrência não tem necessariamente que resultar na exclusão dos menos fortes financeiramente. A lei da concorrência serve sobretudo para estimular a competição em nome da qualidade editorial, do pluralismo informativo e da diversidade de opiniões. A Lei de Imprensa é expressamente anti-monopólio e anti-oligopólio.Há que agir em conformidade com ela, sendo o Estado o principal interessado na concretização deste desiderato. Afinal de contas o Estado somos todos nós, de acordo com a célebre definição segundo a qual a entidade soberana em referência é constituída por "Um governo, um povo, um território". Não confundir com a outra parecida, a do um só povo, uma só nação, que fundia o partido com o estado e que resultou no maior paradoxo da política angolana que foi a ditadura democrática revolucionária. Velhos tempos… dos quais não temos saudades nenhumas.

sábado, 18 de abril de 2009

Copiar é um derivado muito feio todos os dias

O Mestrado em Administração e Finanças, Ari de Carvalho, que habitualmente escreve longas prosas da especialidade financeira para o confrade “Novo Jornal”, copiou do original em inglês “10 Myths About Financial Derivatives” da autoria de Thomas F. Siems o quase homónimo texto de análise “10 Mitos-Derivados, a palavra feia do dia…” cuja primeira parte publicou a semana passada no referido semanário. Esta semana o Ari deu por concluída a sua tarefa, conforme tinha prometido. O original em que se inspirou o “nosso” Ari para “descascar em pormenor os dez mitos que envolvem os derivados financeiros”, foi escrito no já distante ano de 1997, mais exactamente a 11 de Setembro. Uma data nada simpática para os norte-americanos, que agora também vai ficar na história do académico angolano, com um sabor bastante amargo, enquanto se aguardam pelas suas eventuais explicações. O fac-simile que publicamos nesta edição fornece a indicação do site (www.cato.org/pubs/pas/pa-283.html) onde os conhecedores da língua inglesa poderão consultar o original para depois o confrontar com o “trabalho” em português publicado no “Novo Jornal”, cuja credibilidade acaba por ser igualmente lesada (beliscada) por este lamentável incidente. O problema agora é saber até que ponto os anteriores textos assinados por Ari de Carvalho e publicados no Novo Jornal não estarão igualmente contaminados pelo mesmo vírus do plágio.

domingo, 12 de abril de 2009

Gestão das reservas do BNA:Nino Maurício pode ter sido vítima de um grave equívoco

Ponto prévio: Este texto foi escrito e editado para o Angolense quatro dias antes do Governador do Banco Nacional de Angola, Amadeu Maurício, ter sido exonerado do cargo a seu pedido neste sábado, 11 de Abril.
A possibilidade do Governador do Banco Nacional de Angola, Amadeu Maurício (Nino), vir a ser afastado do cargo por alegada má gestão das reservas internacionais líquidas (RIL) tem vindo a ser ventilada com alguma insistência, ao ponto do confrade “Novo Jornal” ter avançado com a notícia a semana passada na sua primeira página, citando uma fonte do Conselho de Ministros. Amadeu Maurício de acordo com as informações que circulam teria, sem autorização superior, utilizado tais reservas para fins não previstos. Outras informações ainda menos abonatórias para a gestão de Nino Maurício, a que o Angolense teve acesso nos últimos dias, apontam para uma suposta transferência de recursos para alguns bancos comerciais privados que actuam na nossa praça, cujos nomes se desconhecem. O sinal de alarme em relação ao estado das reservas domiciliadas no banco central soou quando, recentemente e de fonte oficial, se avançaram números que apontavam para uma redução brusca das mesmas, na ordem dos quatro mil milhões de dólares. À semelhança do que aconteceu com o cidadão comum também na estratosfera do regime, a informação foi mal recebida e pior digerida num processo que, ao que parece, ainda não terminou e tem estado a alimentar todos os rumores que circulam em torno do futuro de Amadeu Maurício. Fonte conhecedora do dossier disse esta semana ao Angolense que as informações já avançadas não fazem muito sentido, admitindo que o próprio Presidente José Eduardo dos Santos, por falta de outros esclarecimentos da sua entourage, tenha ficado assustado com a queda significativa das RIL no período compreendido entre Outubro de 2008 e Fevereiro deste ano. O grande problema, segundo a fonte deste semanário, é que no conceito do Chefe do Governo as RIL seriam constituídas por recursos intocáveis do Estado que apenas poderiam ser mexidas com a sua expressa autorização. Ora o conceito prevalecente tanto no seio do BNA como noutros bancos centrais espalhados pelo mundo, com a caução do FMI, é que as RIL são uma variável macroeconómica que agrupa todas as disponibilidades externas do país. Significa isso dizer, no entender do especialista que estamos a citar, que os depósitos do Tesouro em moeda externa junto do BNA também são contabilizados nas RIL. Como se sabe a receita petrolífera angolana tem vindo a cair drasticamente partir do momento em que se declarou a crise financeira internacional. Como resultado desta quebra acentuada de receitas, o Tesouro passou a utilizar os seus depósitos para pagar a despesa pública e o BNA por seu lado teve utilizar as suas disponibilidades externas para atender o Mercado Cambial (necessidades em divisas dos Bancos Comerciais). O resultado não podia ser outro. Foi a queda acentuada do nível das RIL, estando assim explicado o “desaparecimento” dos quatro mil milhões de dólares. O resultado teria sido diferente, na opinião da fonte do Angolense se, perante a redução drástica da entrada de divisas no País que se está a registar, as autoridades tivessem tido a coragem de desvalorizar, tornando o dólar mais caro em kwanzas e protegendo deste modo as RIL. Do ponto de vista dos conceitos está-se a verificar uma confusão de movimentos autónomos de despesa pública ou de venda de divisas com execução não autorizada de movimentação de Reservas. A confirmar-se a demissão de Amadeu Maurício, a fonte deste jornal lamenta desde já o facto, considerando que não será uma boa notícia para a estabilidade do mercado, ao mesmo tempo que manifesta alguma perplexidade com a possibilidade de o Presidente não ter sido competentemente aconselhado em relação a estas matérias.
(Telmo Augusto)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

TPA em directo em nome do rigor, da objectividade e do pluralismo

1-Como é evidente, só podemos estar de acordo (e bastante entusiasmados) com a possibilidade de termos a partir de agora a TPA e a sua concorrente, a TV/Zimbo, a transmitirem em directo os grandes acontecimentos nacionais, numa perspectiva editorial que seja suficientemente inclusiva do ponto de vista político. Isto, para não termos os dois canais apenas preocupados com as reuniões do partido no poder ou do governo. Se for por aí, de muito pouco ou quase nada adiantará, porque em abono da verdade até já vamos tendo alguns directos a partir daqueles dois (eternos) centros de poder. O que todos desejamos, pelo menos nós os que achamos que a independência da imprensa é fundamental como garante da sua própria liberdade, é que a partir de agora e depois do show do Papa, as nossas televisões decidam as transmissões em directo apenas em função da importância jornalística dos factos/acontecimentos e da sua capacidade técnica de os realizar. Com o show que foi a cobertura televisiva da visita do Papa a Angola, a TPA mostrou que de facto já tem capacidade técnica para utilizar o directo à semelhança do que há muito já o fazem as rádios. Abrimos aqui um parêntese para referir que só agora tivemos conhecimento de uma informação sobre a preparação da visita do Papa que nos deixou algo perplexos em relação às motivações da cobertura televisiva. É que, de acordo com a tal informação, a transmissão em directo de todos os grandes momentos da visita papal pode ter sido uma exigência do Vaticano para se evitarem eventuais deturpações da mensagem do Papa Bento XVI. A notícia que é da Angop, tem a ver com o conteúdo de um encontro realizado no CIAM, alguns dias antes da chegada do Papa, entre o Padre Moisés Malumbu e os jornalistas. Nesse encontro foi dado a conhecer pelo sacerdote que a Televisão Pública de Angola (TPA) iria assegurar a transmissão em directo dos encontros do Papa para todo Mundo. “Durante o encontro realçou a importância da Comunicação Social na difusão da mensagem do Papa Bento XVI. Chamou atenção para o uso da palavra, enquanto instrumento fundamental da actividade jornalística, uma vez que a simples alteração ou utilização da palavra errada poderá alterar o conteúdo da mensagem. Na sua abordagem referiu-se ao facto da extensão do conceito de neutralidade jornalística, enquanto alguém que vive um facto ou entra em contacto com algumas informações. Isto, apesar da chamada agressividade positiva, aspecto que leva o jornalista a busca de elementos novos, características deste enquanto comunicador”. Estas considerações atribuídas pela Angop ao Padre Moisés Malumbu encerram uma mensagem que tem uma crítica profunda a actividade jornalística que gostaríamos de procurar entender melhor. Nesta altura já não é possível este entendimento porque para além de não termos ouvido a versão original das declarações de Moisés Malumbu (em directo), a sua transmissão (em deferido) pecou gravemente por defeito e por falta de rigor. Com efeito, o jornalista não teve o cuidado de reproduzir as palavras (fazendo as devidas citações) do Padre, conforme recomendam as melhores regras da escrita jornalística. É aconselhável nestes casos que as declarações sejam colocadas entre aspas para se saber exactamente o que é que foi dito pelo nosso interlocutor e o que é que saiu da lavra do jornalista para compor o texto final. Só por este exemplo vê-se claramente a importância da transmissão em directo dos factos quando em causa está a actividade jornalística, particularmente no contexto angolano. Pelo conteúdo das preocupações manifestadas pelo Padre Malumbu ficou suficientemente claro que o Vaticano não tinha muita confiança no tratamento que viesse a ser dispensado à mensagem do Papa pela TPA, caso ele não fosse feito em directo. Foi o que aconteceu com todos os elogios (merecidos) que hoje se fazem ao desempenho do canal público. 2-Depois da visita do Papa Bento XVI, gostaríamos de poder afirmar que o directo passará a ser um recurso normal como meio de cobertura noticiosa ao serviço de um jornalismo televisivo mais rigoroso, objectivo e plural que é o que todos defendemos, embora nem sempre estejamos de acordo em relação, sobretudo, a questões como o equilíbrio, nomeadamente no que toca à selecção das matérias mais politico-partidárias que vão preenchendo os telejornais. Por vezes chega a ser escandaloso o excesso da atenção dispensada a tudo quanto diga a respeito ao MPLA, ao seu Governo e a todos seus "satélites" a fazer lembrar-nos mais tempo do monopartidarismo, do que a nova realidade multipartidária que se vive de facto e de jure em Angola. O que nos entusiasma, por exemplo, é termos a partir de agora a TPA a transmitir em directo a sessão de abertura de um congresso da oposição ou de uma demolição de casas da população alegadamente construídas sem autorização da administração. Entusiasma-nos igualmente a possibilidade de voltarmos a ter o parlamento em directo, pelo menos com a transmissão dos seus debates mais importantes que seriam comentados na hora por um painel de analistas e especialistas de origens diversas, para termos o principio do contraditório sempre bem presente e como auxiliar fundamental no esclarecimento da opinião pública. Desde logo e em primeiro lugar debate sobre o OGE, mas haverá certamente vários outros temas igualmente relevantes que seriam identificados em função da agenda parlamentar. Sinceramente, não percebemos qual é a dificuldade de enveredarmos por esta via num regime democrático que tem a estabilidade política do nosso, com a esmagadora maioria do partido governante que se conhece. Sinceramente, não entendemos que a TPA tenha ignorado o recente apelo do Conselho Nacional de Comunicação Social nesse sentido ao optar por não fazer a mínima referência à parte da sua deliberação onde esse aspecto era posto em evidência. Depois de ter entrevistado o musico Yanick Gombo, também não entendemos que a TPA tenha passado ao largo da referência feita na mesma deliberação à necessidade de espaços de diálogo idênticos serem desenvolvidos na comunicação social com outros representantes da jovem música urbana de protesto que tem no rap e no kuduru as suas principais expressões. De facto até entendemos, só que…

sábado, 4 de abril de 2009

O Apocalipse* segundo Justino Pinto de Andrade

"Tenho consciência dos impactos financeiros e económicos da presente crise, mas, agora, temo-a ainda mais pelos seus previsíveis impactos sociais e politicos: o alastramento e o aprofundamento das condições de pobreza, a marginalização de largos sectores da nossa sociedade, o aumento da criminalidade e da prostituição, da repressão politica, da corrupção a todos os níveis, do asfixiamento das liberdades individuais e colectivas, da adesão a propostas xenófobas e racistas, do enclausuramento em modelos sociais tradicionalistas, do reavivamento do obscurantismo sob a forma de uma religiosidade exarcebada, do recurso a um cada vez maior culto da personalidade para se esconderem as virtudes de uma gestão política global partilhada, do desemprego, da diabolização das oposições e do apagamento físico ( ou não físico) das principais figuras que animam o debate contraditório e democrático" In A Capital (29/03/09) *O Apocalipse é o último dos livros do Novo Testamento, atribuído a S. João Evangelista, que contém revelações terríveis sobre o destino da Humanidade, preconizando o fim do mundo e a vitória de Cristo sobre os seus perseguidores.

terça-feira, 31 de março de 2009

Jornal de Angola poderia ter prestado um melhor serviço público

O Jornal de Angola publicou na sua edição de 28 de Março um suplemento com os três discursos que o Presidente José Eduardo dos Santos fez durante a visita do Papa a Angola. A iniciativa editorial do JA só seria louvável se o suplemento fosse abrangente, isto é, se desse à estampa o conjunto de todos os discursos proferidos no decorrer da memorável jornada. Como se sabe, o Papa Bento XVI proferiu em Luanda oito discursos, sete dos quais podem ser consultados no site da Rádio Vaticano: Discurso despedida de Angola Discurso aos movimentos para a promoção da mulher Alocução antecedente à oração mariana do Angelus Homilia da missa de domingo com bispos da IMBISA, em Luanda Discurso no encontro com os jovens, em Luanda, na tarde de sábado A homilia do papa na missa de sábado de manhã, em Luanda Discurso de boas-vindas a Angola O oitavo discurso, considerado o politicamente mais relevante, foi proferido no salão nobre do Palácio da Cidade Alta no dia da sua chegada. Como não sabemos quais são os planos do Jornal de Angola, aqui estamos nós a encorajar a sua direcção para nos brindar proximamente com um segundo suplemento que seria dedicado às intervenções do ilustre visitante, com as quais os angolanos de todas as latitudes e matizes têm certamente muito a aprender e a reflectir. Em nome da cortesia a iniciativa do Jornal de Angola, permitam-nos o reparo, deveria ter priorizado os discursos do Bispo de Roma. Como ainda nada está perdido, vamos aguardar, de preferência sentados, que o Director-Geral do diário governamental leia este apontamento e defira o nosso pedido em nome da mesma "Paixão pela imprensa" que é o lema das Edições Novembro, a empresa proprietária do Jornal de Angola.

domingo, 29 de março de 2009

Tentar entender o “anti-preservativismo” do “fundamentalista” Bento XVI

Sou das pessoas que apesar de não ter nada contra o uso do preservativo (antes pelo contrário), compreendo perfeitamente as preocupações de Bento XVI que nesta sua primeira deslocação ao continente africano limitou-se a reiterar a orientação católica segundo a qual a utilização da camisinha só agrava o problema da propagação da pandemia. Estamos, obviamente, a falar do SIDA e de todas as suas consequências trágicas que já se contabilizam na ordem dos milhões de mortos. O paradoxo desta concordância é aparente. Compreendo Bento XVI numa perspectiva de marketing, tendo por referência o caso de Angola, quando se começou a utilizar em força os médias como o principal instrumento da campanha preventiva que entre nós arrancou há já uns anos com o famoso e estrondoso “Curte Legal!”. De facto e durante bastante tempo, a campanha teve como único suporte a utilização do preservativo a qualquer hora do dia ou a qualquer momento da noite, o que quanto a nós não terá ajudado grandemente na inversão das preocupantes tendências de propagação da doença. Claramente a mensagem da campanha na mente dos jovens destacava (e continua a destacar) em primeiro lugar a banalização da apetecível actividade sexual que deixava de ter qualquer risco desde que fosse feita com a utilização da camisinha (marca Legal). Curtir não é exactamente namorar na base do beijinho e do farfalho por mais ousadas e profundas que as carícias possam ser. Curtir é um apelo directo. É ir para a cama com a parceira ou com o parceiro, se houver um leito por perto, porque também se pode curtir de pé, sentado, em cima da mota, dentro do carro ou na areia da praia. Num continente em que a prioridade continua a ser o controlo do avanço exponencial da epidemia, pior conselho aos jovens não poderia ser dado do que através deste afrodisíaco “Curte Legal!”, provado que está que é, sobretudo, pela via sexual que o vírus ganha todos os dias e todas as noites, novos militantes para a sua causa fatal. É nesta movimentação rumo ao abismo que entendemos todo o pragmatismo contido na condenação de Bento XVI, embora não tenha sido com esta intenção que ele voltou a excomungar a camisa. O Papa disse que o uso da camisa só agrava o problema do SIDA e de facto, temos de concordar que em termos de prevenção a solução (se é que existe alguma) tem de passar antes mais pelo dito sexo responsável o que choca abertamente com o provocante, mobilizador e rebarbativo “Curte Legal!”. Há de facto bastante pragmatismo nas palavras de Bento XVI que deveriam ser aproveitadas para se corrigirem as campanhas de prevenção que ainda insistem na camisinha como sendo o único instrumento de protecção. Felizmente que em Angola os “comunicólogos” já começaram a introduzir o conceito do sexo responsável e mesmo da abstinência nas campanhas, mas ainda sem a avassaladora força mediática da camisinha que continua a dominar a mensagem preventiva que chega até aos jovens e em relação a qual eles observam uma maior receptividade, pelo menos aparentemente. Em termos de orientação o grande desafio estratégico das campanhas de prevenção está agora em tornar a ideia do sexo responsável tão atractiva quanto a que foi a do uso da camisinha. É um desafio difícil (missão impossível III) que deve contudo ser colocado bem em cima da mesa de que tem a responsabilidade de orientar a sociedade nesta luta de vida ou de morte. O seu resultado tem que ser, contudo, bem visível nos out-doors e nos spots de rádio e televisão. As misses têm de deixar de andar por aí a abanar as camisinhas em tudo quanto é canto (a fazer lembrar-nos as kinguílas com o seus maços de notas) para passarem a mexer com outros valores, com outros conceitos. De facto não é muito fácil representar a ideia do sexo responsável, mas os criativos em marketing existem para alguma coisa. Por isso e por muito mais não me junto desta vez aos coros de protesto que se ouviram em todo o mundo em relação à mais recente declaração de Bento XVI sobre o (não) uso da camisinha. A minha “benevolência” não é, obviamente, extensiva à postura assumida pelo Arcebispo do Recife e de Olinda de condenação do aborto que a menina de 13 anos teve de fazer no Brasil para evitar a sua provável morte, após ter ficado grávida de gémeos do seu padrasto que a violentava praticamente desde a nascença. Fiquei sem perceber muito bem qual foi a posição de Bento XVI em relação a este caso específico. A confirmar-se que ele, lá da sua Santa Sé, caucionou a referida excomunhão no longínquo sertão brasileiro, só posso convidá-lo a olhar com mais atenção para as causas das coisas e depois para dentro da própria Igreja Católica onde os escândalos sexuais prosseguem dentro de momentos… -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2 comentários: Anónimo disse... Caro Wilson Dadá, adorei o seu artigo. Estou de acordo com a sua postura em relação á camisinha embora não tenha sido essa a intenção nem a posição do Papa. Quanto á menina do Brasil aqui vai a rectificação: A menina tem 9 (nove) anos, 13 anos tem a irmã, mais velha que também foi violentada pelo mesmo monstro. Quanto ao Vaticano, sancionou sim a excomunhão da menina e médicos, tendo sido completamente omisso em relação ao monstro (padrasto), que deve continuar na santa paz a ir á missa e a comungar todos os domingos, depois de ter confessado é claro (será que fala das violações?). 29 de Março de 2009 5:07 Assídua disse... O WD fala muito em "campanhas dirigidas aos jovens", penso que elas devem ser derigidas para a sociedade em geral(isto para os "marketistas")visto que hoje o sexo é practicado muito mais cedo, e os nossos "kotas", não ficam atrás no que toca ao não quererem usar o preservativo. Mas são eles os maiores colecionadores de "troféus femeninos", vulgo "Luanda1,2,3...". Entendo que ser jovem é um estado de espírito, mas é necessário incluir na msg cabelos grisalhos, já que abstinência ou um(a)parceiro(a) não teremos nunca mais na actual sociedade angolana...E quanto aos católicos espero que usem o seu próprio "Judment" para isso é que somos seres pensantes(ou deviamos ser). 29 de Março de 2009 8:42